"Mas, note-se: a Venezuela de Chávez também não é exactamente uma democracia e José Sócrates está em Caracas a acautelar os interesses da comunidade portuguesa residente e dos homens de negócios que integram a sua comitiva. E ainda bem."
"Mas este Israel que celebra hoje 60 anos, e que é um caso raro de democracia e de prosperidade económica no Médio Oriente, é também um pequeno país que vive obcecado pela sua segurança, sentindo-se cercado pela hostilidade árabe e, sobretudo nos últimos tempos, também iraniana."
"Mas este Israel que celebra hoje 60 anos, e que é um caso raro de democracia e de prosperidade económica no Médio Oriente, é também um pequeno país que vive obcecado pela sua segurança, sentindo-se cercado pela hostilidade árabe e, sobretudo nos últimos tempos, também iraniana."
Editorial do Diário de Notícias
Admito-o sem problemas: não gosto da maioria dos comentadores. São arrogantes e assumem a defesa obstinada da ideologia dominante sem o mínimo sentido crítico. Mas tomara que isso fosse o pior. Normalmente, usam as suas colunas para sustentar a mentira.
Vejamos, então, o caso caricato do democrático Estado que tem as mãos sujas do sangue dos mortos de Sabra e Chatila - para dar apenas um massacre como exemplo - e que mantém nas suas prisões milhares de presos políticos. E, depois, passemos os olhos pela ditadura latino-americana que não segue os bons exemplos da União Europeia.
Por um lado, discordo do editorial do Diário de Notícias quando diz que Israel é um "caso raro de democracia". Infelizmente, devia ser raro - para não dizer impossível - classificar-se um Estado que se desenvolve através do terror sobre o povo palestiniano como um Estado democrático. Por outro lado, dá-me nauseas que alguém subverta a realidade transformando o agressor em agredido e o agredido em agressor. A "hostilidade árabe" não tem, infelizmente, aviões e tanques norte-americanos para se defender da democracia sionista. Portanto, continuaremos a assistir, nos próximos anos, à morte de civis palestinianos, à sua prisão e tortura, à destruição das suas casas, enquanto as democracias europeia e norte-americana apoiam Israel e legitimam a ocupação. Democrática, claro.
Quanto à Venezuela "de Chávez", não podia estar mais de acordo. Afinal, um país que elege o seu presidente através de eleições consideradas democráticas pelos observadores internacionais só pode ser uma ditadura. Mas isto não é o mais grave. A Venezuela bolivariana ousou ultrapassar todos os limites quando não seguiu o exemplo da União Europeia. Em 2007, o governo decidiu referendar uma nova Constituição que foi chumbada pelo voto popular. E pior: o ditador Hugo Chávez reconheceu o resultado! Assim não há democracia que sobreviva.
Edit: Luís Delgado, José Manuel Fernandes, João César das Neves e João Marcelino são apenas alguns dos pontas-de-lança do capital na luta das ideias. Basta recordar que há poucas semanas João César das Neves destacava a liberalização do mercado como solução para o fim da crise alimentar. Através do editorial do Diário de Notícias, João Marcelino demonstrou hoje, uma vez mais, qual a linha ideológica do jornal que dirige.
Vejamos, então, o caso caricato do democrático Estado que tem as mãos sujas do sangue dos mortos de Sabra e Chatila - para dar apenas um massacre como exemplo - e que mantém nas suas prisões milhares de presos políticos. E, depois, passemos os olhos pela ditadura latino-americana que não segue os bons exemplos da União Europeia.
Por um lado, discordo do editorial do Diário de Notícias quando diz que Israel é um "caso raro de democracia". Infelizmente, devia ser raro - para não dizer impossível - classificar-se um Estado que se desenvolve através do terror sobre o povo palestiniano como um Estado democrático. Por outro lado, dá-me nauseas que alguém subverta a realidade transformando o agressor em agredido e o agredido em agressor. A "hostilidade árabe" não tem, infelizmente, aviões e tanques norte-americanos para se defender da democracia sionista. Portanto, continuaremos a assistir, nos próximos anos, à morte de civis palestinianos, à sua prisão e tortura, à destruição das suas casas, enquanto as democracias europeia e norte-americana apoiam Israel e legitimam a ocupação. Democrática, claro.
Quanto à Venezuela "de Chávez", não podia estar mais de acordo. Afinal, um país que elege o seu presidente através de eleições consideradas democráticas pelos observadores internacionais só pode ser uma ditadura. Mas isto não é o mais grave. A Venezuela bolivariana ousou ultrapassar todos os limites quando não seguiu o exemplo da União Europeia. Em 2007, o governo decidiu referendar uma nova Constituição que foi chumbada pelo voto popular. E pior: o ditador Hugo Chávez reconheceu o resultado! Assim não há democracia que sobreviva.
Edit: Luís Delgado, José Manuel Fernandes, João César das Neves e João Marcelino são apenas alguns dos pontas-de-lança do capital na luta das ideias. Basta recordar que há poucas semanas João César das Neves destacava a liberalização do mercado como solução para o fim da crise alimentar. Através do editorial do Diário de Notícias, João Marcelino demonstrou hoje, uma vez mais, qual a linha ideológica do jornal que dirige.


