quarta-feira, 9 de abril de 2008

Estado perdoa dívida da UGT


"As Finanças perdoaram uma dívida de aproximadamente 10 milhões de euros de IVA ao Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas (SBSI) [que pertence à UGT], respeitante a reembolsos obtidos indevidamente pelo sindicato entre 2003 e 2007."
Jornal de Negócios

Esta notícia não teve muito destaque. Mas convém resgata-la para que os leitores da Rádio Moscovo possam ter a noção de que respeitamos - e muito - o ditado popular "amizade com amizade se paga". E não é a primeira vez que a central sindical amarela se safa destas andanças. Também no ano passado, o tribunal absolveu a UGT na acusação de desvio de verbas do Fundo Social Europeu. A verdade é que se têm esforçado bastante para bloquear a luta dos trabalhadores e por abrir caminho - qual quebra-gelo - às políticas de direita. Portanto, eles mereceram.

terça-feira, 8 de abril de 2008

Con Bolívar, con Manuel, con el pueblo, al poder!


"Se o povo vir em nós guerrilheiros autênticos, sentir-se-á ligado à luta e reforçará a sua solidariedade. Quando esta solidariedade conseguir elevar o nível da sua consciência, o movimento guerrilheiro crescerá. Crescerá então todo o movimento revolucionário". Manuel Marulanda

No momento em que foi assassinado Jorge Eliécer Gaitán, candidato do Partido Liberal às eleições presidenciais colombianas, um jovem estudante cubano caminhava pelas ruas de Bogotá. Fidel Castro, então representante da Federação de Estudantes Universitários [FEU] de Cuba, dirigia-se para o escritório de Gaitán, onde haviam combinado um encontro. Foi nas ruas que teve conhecimento do atentado que conduziria a uma das vagas mais violentas da história da Colômbia. Prontamente, Fidel aderiu à revolta, naquele que foi o seu baptismo de fogo. Para o futuro revolucionário, a experiência do levantamento contra o assassinato de Gaitán - conhecido como Bogotazo - foi essencial.

Mas esta experiência foi também essencial para a história presente do povo colombiano. A resposta popular à agressão fascista esteve na origem da criação de movimentos armados comunistas e liberais. A burguesia, através do presidente golpista Rojas Pinilla, procurou acabar com a violência, aliando conservadores e liberais, e ofereceu a amnistia a quem entregasse as armas. Desconfiados, os comunistas, que defendiam a capacidade de auto-defesa dos camponeses, acossados pela burguesia, recusaram cede-las. A reacção do Estado colombiano foi a de lançar a sua perseguição e repressão contra estes movimentos. Daí surgiu a Zona Libertada, criada por comunistas e alguns liberais dissidentes na região de Marquetália.

Naturalmente, na década seguinte, a experiência na Zona Libertada ganhou prestigio junto dos camponeses que a multiplicaram. Como em todas as vezes que o povo ousou tomar o poder e decidir o seu próprio destino, a burguesia, já na altura com o apoio dos Estados Unidos, lançou uma ofensiva contra as populações acusando-as de separatismo. Em 1964, como resposta ao ataque, um grupo de 64 guerrilheiros, essencialmente camponeses, parte para a selva e cria o Bloque Sur. E dois anos depois, na II Conferência do Bloque Sur, através da decisão do Partido Comunista, assume-se como Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia [FARC].

Num livro publicado por Jacobo Arenas, um dos principais ideólogos do movimento, em 1971, Manuel Marulanda, comandante das FARC, sustenta que "para a organização de uma guerrilha há que partir de princípios políticos e militares, de acordo com as características e as particularidades de cada região, e atender à situação política existente e às perspectivas do movimento revolucionário no país". Para tal, acrescenta, "uma guerrilha não conseguirá desenvolver-se nem fazer penetrar a sua política nas massas, se não existem condições políticas nacionais que garantam a popularidade das acções armadas".

Foi perante essa perspectiva que assumiu que é o Partido, "como destacamento revolucionário de vanguarda [que] dirige e orienta esta ligação com as massas, e traça para o movimento guerrilheiro a linha política e militar a seguir". Os revolucionários devem dar em cada dia à revolução o mais possível de si mesmos, acrescenta Marulanda. "É por isso que, cada dirigente, cada comandante, cada guerrilheiro, deve elevar o nível dos seus conhecimentos, deve assimilar a linha política do Partido e deve trabalhar dia e noite para o triunfo da nossa causa".

Uma das maiores provas de que as FARC não são uma organização terrorista foi dada em 1984. Durante o governo de Belisario Betancourt, a organização comunista vai acordar o cessar-fogo e assinar um acordo de paz. Correspondendo aos anseios do povo colombiano, não desperdiçou essa oportunidade para tentar alcançar o fim do conflito armado. Daí surgiu a formação da União Patriótica, movimento político que obteve grande apoio popular nas eleições. Uma vaga terrorista patrocinada pelos paramilitares apoiados pela burguesia levou à morte de mais de 4 mil membros da União Patriótica. Esta barbárie levou a que as FARC compreendessem que não havia lugar para a actividade legal e pacífica e continuou a luta armada.

Apesar da propaganda dos meios de comunicação social burgueses, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia - Exército do Povo [FARC-EP] ganharam o apoio de uma parte importante da população colombiana. Daí que mais de quatro décadas depois, a organização guerrilheira esteja presente em quase todo o território com quase 20 mil combatentes. Um número que, naturalmente, não inclui todos os que envolvidos na luta de massas trabalham por uma verdadeira mudança política num país onde só nos primeiros três meses de 2008 já foram assassinados 17 sindicalistas.

Uma realidade que não importa para os jornais, rádios e televisões que lançam sobre as FARC o epíteto de terroristas. Foram as FARC que através da intervenção de Hugo Chávez libertaram unilateralmente uma série de detidos. A resposta do presidente colombiano Alvaro Uribe atesta a sua vontade de alcançar a paz: assassinou o principal responsável pelas negociações para a libertação de prisioneiros. Se não bastasse a morte de Raúl Reyes para demonstrar o carácter fascista do Estado colombiano, bastaria a descrição do assassinato de milhares de sindicalistas para provar que a democracia na Colômbia é uma ilusão.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Criminalização da apologia do 'terrorismo'



Num colóquio sobre "Terrorismo e Segurança", organizado pela Academia de Ciências e pela revista "Segurança e Defesa", o ministro da Administração Interna Rui Pereira declarou que a apologia do terrorismo será crime em Portugal. Muito bem acompanhado pelo antigo ministro do Ultramar, no Estado fascista, Adriano Moreira, Rui Pereira sustentou a criminalização do apoio àquilo a que os Estado decidam que é ou não terrorismo.


Quando se deu o 11 de Setembro, o governo norte-americano soube que estavam criadas as condições para um ambiente favorável à deriva securitária e repressiva que hoje se verifica. Para além disso, com a implosão da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas [URSS], o movimento operário internacional sofreu um forte abalo, do qual ainda não recuperou.

É neste contexto que se desenvolvem as guerras imperialistas que já ceifaram a vida de milhões de pessoas em todo o mundo. Mas também é neste contexto que os representantes do capital, através dos seus governos, destroem direitos conquistados por gerações e gerações de trabalhadores. As políticas nacionais e internacionais correspondem aos interesses da mesma classe.

Por isso mesmo, agitam a bandeira do medo. Através das armas poderosas que possuem, como os meios de comunicação social, confundem as populações. Um combatente da Resistência Iraquiana é um terrorista mas Durão Barroso e José Sócrates que apoiaram militarmente a ocupação do Iraque e do Afeganistão são democratas. Nas mãos de cada um deles, há o sangue de todos os que morreram sob as balas do imperialismo.

Ainda assim, levantaram-se milhões de pessoas por todo o mundo contra a acção criminosa destes e doutros governantes. Apesar da implosão da URSS e da supremacia militar e económica dos Estados Unidos, os povos animam-se perante um reforço constante da sua força. Até porque sabem que a supremacia moral não está do lado do capitalismo.

A resposta securitária e repressiva dos Estados capitalistas não se deve à guerra internacional contra o terrorismo mas à guerra internacional contra os povos. É disso mesmo que se trata, de uma ofensiva generalizada e planificada contra os trabalhadores de todo os países.

Não admira, pois, que o governo português defenda a aprovação de uma lei que criminalize a apologia do terrorismo. Porque sabemos que, como afirmou Alfonso Sastre, para a comunicação social dominante, a guerra dos povos contra os ricos é considerada terrorismo e o terrorismo dos ricos contra os pobres é considerado guerra. Lembremo-nos da luta pela libertação nacional empreendida pelos povos de Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Timor-Leste, etc.

Esta lei vai ser, certamente, construída à medida das organizações e associações políticas que no nosso país, honradamente, estão solidárias com as FARC-EP [Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia - Exército do Povo] ou com a FPLP [Frente Popular de Libertação da Palestina]. Ou seja, amanhã, seremos criminalizados pelo simples acto de defendermos, por exemplo, quem luta pela libertação nacional da Palestina, do Iraque, do Afeganistão, do Curdistão, do País Basco. E depois de amanhã seremos criminalizados por defendermos os que foram, entretanto, ilegalizados por estarem do lado desses povos.

Rádio Moscovo, um farol na luta pelo socialismo


Durante quase um século, a Rádio Moscovo foi um farol na luta contra o imperialismo e pelo socialismo. Nas condições mais duras, muitas vezes na mais absoluta clandestinidade, os militantes comunistas e antifascistas encontraram na Rádio Moscovo um foco de ânimo e de esperança. Naturalmente, este blogue não tem tão elevada pretensão. Pretende-se, unicamente, dar mais um contributo para a luta. Para romper o bloqueio informativo dos meios de comunicação social da classe dominante, escuta mais um sinal combativo na frequência anti-imperialista!

A Rádio Moscovo deu inicio às suas transmissões em 1922 com uma estação RV-1 na capital russa. Em 1925, montou-se um segundo posto de transmissão em Leninegrado. Já em 1939, transmitia, através de onda curta e média, em cinco idiomas: francês, inglês, italiano, alemão e árabe. Transformou-se, assim, num posto avançado de informação contra o nazi-fascismo.

A Rádio Moscovo chegou aos Estados Unidos no inicio da década de 50. Mais tarde chegou ao Oeste norte-americano com estações transmissoras em Vladivostok. As primeiras transmissões para África realizaram-se no fim dessa mesma década em inglês e em francês. A partir de 1961, passa a emitir em três idiomas desse continente: amarico, suajili e hausa. Com o passar do tempo, a audiência africana teve a oportunidade de sintonizar a estação soviética noutras oito línguas. O primeiro noticiário unificado saiu para o ar em Agosto de 1963 e alcançou ouvintes em todo o mundo.

Na década seguinte, foi transmitido desde Moscovo o programa 'Escuta, Chile' elaborado por dirigentes, jornalistas e intelectuais do Partido Comunista do Chile no exílio. O programa teve a sua estreia uma semana depois do golpe fascista encabeçado pelo general Augusto Pinochet e que levou à morte do presidente Salvador Allende. Foi emitido, praticamente, até ao fim da ditadura.

A Rádio Moscovo chegou a transmitir em mais de 70 idiomas distintos a partir das suas mais de 30 estações de elevada potência situadas na União Soviética, no Leste Europeu e em Cuba. O sistema de transmissão por onda curta da emissora soviética nunca foi igualada em potência, orientação e alcance.

Fonte: Wikipédia