
quarta-feira, 30 de abril de 2008
Está na hora do governo se ir embora!

terça-feira, 29 de abril de 2008
Entrevista a Iván Márquez, das FARC

18.04.2008, Montanhas da Colômbia
Iván Márquez: Quero enviar ao povo argentino e a todos os povos americanos a saudação e o abraço da parte do nosso comandante em chefe Manuel Marulanda Vélez, dos guerrilheiros e guerrilheiras que combatem por uma nova Colômbia com as ideias e com os fuzis. Com agradecimento especial a todas as manifestações de solidariedade contra a morte recente, através de um ataque militar combinado entre os governos da Colômbia e dos Estados Unidos, em território equatoriano, do comandante Raúl Reyes. Foi um duro golpe para as FARC. Tratava-se de um comandante muito valioso, que caiu procurando os caminhos para uma solução política para a situação dos prisioneiros de guerra na Colômbia. A troca [de presos] é imprescindível para abrir as portas da paz na Colômbia. O nosso objectivo estratégico fundamental é a paz e se nos levantámos em armas é pela paz neste país. O assassinato do Raúl dinamitou a estrutura de negociação construída pelo presidente Hugo Chávez e pela senadora Piedad Córdoba. Eles conseguiram coisas impensáveis até há bem pouco tempo, resultados animadores como a libertação de cinco congressistas capturados pelas FARC no desenvolvimento da guerra. Mas, depois destes acontecimentos, as possibilidades de continuarmos a libertar o resto das pessoas estão fechadas por agora.
Echegaray: Qual é a engenharia política, militar e diplomática que poderia reconstruir os caminhos da negociação, os caminhos da paz?
Márquez: Para retomar aquele esforço hoje só nos resta a via da desmilitarização, por 45 dias de Pradera e de Florida, dois municipios situados na região de Valle. Os nossos porta-vozes levaram esta proposta durante mais de três anos. Uma vez que o governo da Colômbia emita o decreto da desmilitarização destes dois municipios, nós enviaremos uma companhia guerrilheira para verificar se se cumpriu o acordo. Verificada a desmilitarização, enviaríamos os porta-vozes para que esperem os representantes do governo e se acordem, em território colombiano, os princípios da troca. Mal recebamos os guerrilheiros presos entregaremos também a gente que está connosco.
Echegaray: Quantos são os membros das FARC em poder do governo?
Márquez: Nós queremos tirar da prisão a cerca de 500 guerrilheiros mas Uribe colocou uma quantidade de condições inamovíveis, entre elas negar-se a desmilitarizar o território proposto, ou que os guerrilheiros libertados num eventual acordo não possam regressar à montanha e que deveriam ser desterrados para outros países, uma condição inaceitável para um revolucionário.
Márquez: A Uribe não lhe importa o clamor humanitário dos familiares dos presos. Apesar de Uribe estar obrigado a realizar acções para preservar a vida destas pessoas, não mexe um dedo. Pelo contrário, todos os dias distribui ordens pelos seus generais para que tentem um resgate a sangue e fogo dos prisioneiros. É uma atitude irresponsável. Daqui antecipamos que em caso de um desenlace fatal dos acontecimentos, o presidente Uribe e o Estado da Colômbia serão os responsáveis. A atitude da senhora Yolanda Pulecio, mãe de Ingrid, foi muito corajosa e creio que o que expressou ultimamente surge da amargura de encontrar sempre os ouvidos surdos do presidente Uribe Vélez. Ela vê em Hugo Chávez a única esperança, e tem razão, porque Chávez desenvolveu um esforço desinteressado para concretizar a troca. Se há algo em que o presidente Chávez está interessado é na paz da Colômbia. Mas Uribe pretendeu retira-lo da intermediação, sendo que é a única intermediação que mostrou resultados concretos.
Echegaray: E acusa-o perante o mundo de estar a finaciar-vos.
Márquez: Mente quando diz que recebemos armas e dólares da Venezuela. Se as tivéssemos recebido - e que não tenham a menor dúvida - já tinhamos derrubado este governo umas mil vezes.
Echegaray: Que se passou com o avião-hospital? O governo francês teve algum contacto convosco sobre isso?
Márquez: Não, nenhum contacto. O Raúl Reyes era o contacto. No mês de Janeiro demos uma resposta ao Comité Internacional da Cruz Vermelha, que havia solicitado às FARC permitir a entrada de uma missão médica para assistir, na profundidade da selva, os prisioneiros em poder das FARC. Explicámos-lhes porque motivo era inviável. Devido aos riscos militares que envolveria dar-lhes as coordenadas de um lugar. A nós interessa-nos preservar a vida dos nossos prisioneiros de guerra. Quando as FARC forem reconhecidas como força beligerante teremos outras condições para um trabalho desta natureza. De qualquer forma, sublinho que os médicos guerrilheiros dão a melhor atenção possível aos nossos prisioneiros.
Echegaray: Este ano é o 80º aniversário do nascimento de Ernesto Che Guevara e estão a preparar-se, em Rosario, na Argentina, uma série de celebrações. Para todas as organizações envolvidas nos festejos, a possibilidade de contar com a companhia de uma força que nas condições actuais segue desenvolvendo uma luta político-militar guerrilheira seria uma grande honra.
Márquez: Li por estes dias que certa vez o Che enviou a Salvador Allende o seu livro sobre a guerra de guerrilhas e na dedicatória dizia-lhe: "ambos lutamos pela mesma causa, ainda que por vias distintas". Creio que neste novo século devemos unir os nossos esforços. Na Colômbia é muito difícil ser oposição sem ter um fuzil ao ombro, ou como diria o poeta Herrera "o peito cruzado de cananas [espécie de cintos de cabedal que se colocam cruzados sobre o peito para armazenar as balas, era uma das imagens de marca dos combatentes mexicanos]". Até falar de Bolívar se converteu num delito na Colômbia. Nas operações stop militares, se encontram alguém com um livro de Bolívar passa a ser objecto de uma investigação. O pai da pátria, Bolívar, está a ser, na prática, proscrito, criminalizado, demonizado da mesma forma que nós. Agradecemo-vos esta oportunidade que nos dão para nos dirigirmos aos povos da nossa América e queremos estar presentes em Rosario com uma saudação, com um vídeo, para celebrarmos juntos o 80º aniversário do Che.
em Perfil.com
segunda-feira, 28 de abril de 2008
António é um barrete

Mas o que choca não é tanto o método utilizado pela reacção para denegrir a esquerda portuguesa e angolana. O que choca mesmo é, três décadas depois, António Barreto - sim, o ministro de Mário Soares! - utilizar as páginas do Público para sujar as mãos com semelhante material. E pior, desculpar-se com uma pequena nota, duas semanas depois, estilo "ah, eu pensava que...", como se não fosse perceptível para um qualquer, vá, democrata. Faz-me lembrar a história de mulheres de S. Bartolomeu de Messines, em Silves, que puseram o peito ao fresco nas janelas de casa porque uma médica - falsa, claro - lhes ligou a marcar uma "mamografia por satélite, através de raio laser". A diferença é a de que estas não tinham qualquer formação em medicina e António Barreto - sim, o que apoiou o Bloco de Esquerda! - é sociólogo e professor universitário. Razão tem o director do Avante!, José Casanova, António é um barrete.
sexta-feira, 25 de abril de 2008
A luta vai ser dura, companheiro!
A luta vai ser dura, companheiroGrupo Outubro
Mas nada mudará o rumo à história
Lutando pela paz no mundo inteiro
Nós temos a certeza da vitória
A luta vai ser dura camarada
Mas nada se conquista sem canseira
Com o sangue vertido na jornada
Faremos palmo a palmo a sementeira
Por cada voz calada
Mil vozes vão nascer gritando a força deste povo
Que não se vai render
A luta vai ser longa companheiro
Mas quem sabe esperar não desespera
Teremos de lutar de corpo inteiro
Pois temos o futuro à nossa espera
A luta vai ser longa camarada
Mas cada passo em frente é mais um passo
Havemos de vencer a caminhada
Que o povo não se vence pelo cansaço
Por cada voz calada
Mil vozes vão nascer gritando a força deste povo
Que não se vai render
A luta vai ser dura companheiro
Mas nada mudará o rumo à história
Lutando pela paz no mundo inteiro
Nós temos a certeza da vitória
Por cada voz calada
Mil vozes vão nascer gritando a força deste povo
Que não se vai render
sábado, 19 de abril de 2008
Cavaco Silva, o cúmplice
Cavaco Silva ocupado com o bolo-rei
O Presidente da República não se pronuncia, para já, sobre a descida do IVA para 20%, anunciada hoje pelo Governo. Em declarações aos jornalistas em Moçambique, onde se encontra em visita oficial, Cavaco Silva sublinhou que não comenta no estrangeiro questões internas. 26.3.2008 Rádio Renascença.
Cavaco Silva prefere manter o direito à reserva para ser mais eficaz face às preocupações apresentadas do PS e do PCP em relação à qualidade democrática na Madeira.
16.4.2008 Expresso
PSD: Cavaco «tem opinião», mas não fala
«O Presidente da República deve ser sábio para nunca se intrometer na vida interna dos partidos», explicou.
18.4.2008 Portugal Diário
O Presidente da República, Cavaco Silva, escusou-se hoje, em León, Espanha, a fazer qualquer comentário sobre o comboio de alta velocidade em Portugal, alegando que se trata de um assunto que apenas deve ser tratado no país.
11.2.2008 Agência Lusa
Questionado sobre a situação em que se encontra o município da capital - que oficialmente caiu a partir das zero horas de hoje - o chefe de Estado recusou, contudo, fazer comentários sobre a "disputa partidária" que irá seguir-se.
"A última notícia que recebi é que iriam realizar-se eleições. É um acto de âmbito partidário. O presidente da República não deve fazer qualquer comentário, não deve entrar no campo da disputa partidária", sublinhou. 10.5.2006 Jornal de Notícias
À chegada ao Funchal, para uma visita de seis dias, Cavaco Silva recusou falar sobre a polémica em torno da sessão solene no Parlamento Regional e fez questão de elogiar as autonomias regionais.
14.4.2008 Rádio Clube Português
O Presidente da República escusou-se a comentar a venda prevista de 12 dos 40 caça F-16 da Força Aérea, preferindo salientar que o programa de modernização dos aparelhos está assegurado pela proposta de Lei de Programação Militar.
19.4.2008 Agência Lusa
O Presidente da República, Cavaco Silva, evitou esta segunda-feira comentar a decisão do Governo de analisar a opção de Alcochete para o novo aeroporto mas renovou o apelo ao consenso em torno deste projecto, escreve a Lusa.
18.6.2007 Portugal Diário
Cavaco não comenta Marcha da Indignação.
8.3.2008 Correio da Manhã
O Presidente da República, Cavaco Silva, escusou-se esta quarta-feira a comentar a presença do presidente do Zimbabué, Robert Mugabe, na Cimeira UE/África, este fim-de-semana, defendendo, no entanto, a primazia dos direitos humanos nas relações entre os dois continuentes. 5.12.2007 Correio da Manhã
Questionado pelos jornalistas sobre o anúncio feito por Mário Soares de que os Estaleiros de Viana do Castelo não vão ser privatizados, Cavaco Silva recusou comentar para não ser acusado de interferir nas competências do Governo.
18.1.2006 TSF
Há umas semanas, o semanário Sol tentava explicar a "gestão cirúrgica do uso da palavra e do silêncio" de Cavaco Silva. Ou seja, aquilo que temia que fosse um problema nas cordas vocais ou timidez não é, afinal, mais do que uma questão política. E se a palavra pública é "um dos mais importantes instrumentos do presidente", como afirmou o próprio, então, das duas uma: ou se trata de incompetência ou se trata de cumplicidade.
Apesar de ser um dos principais responsáveis pela destruição do nosso país, através dos seus mandatos como primeiro-ministro, Cavaco Silva não é incompetente. Aliás, não gosto do rótulo que envolve a incompetência porque ele serve, na maioria das vezes, para justificar o insucesso de certas políticas. E, neste caso, o primeiro-ministro Cavaco Silva soube muito bem seguir à risca as orientações neoliberais.
Portanto, parece-me que é um silêncio cúmplice. O silêncio de quem sabe que não pode tornar pública a identificação com a política de direita do governo comandado por José Sócrates. O silêncio que forja uma falsa postura neutral perante os portugueses. Porque não quer ser impopular e não quer deixar de ter a imagem de dono da razão. Uma espécie de bombeiro que aparece quando os ânimos estão mais acesos.
Cavaco Silva é, pois, mais uma peça na engrenagem do sistema. Escolheu o silêncio para não estar contra quem o dirige e para não estar a favor de quem o elegeu.
sexta-feira, 18 de abril de 2008
Até sempre, camarada 'Dinamitera'!

Nascida a 21 de Abril de 1919 em Villarejo de Salvanés (Madrid), Sánchez Mora foi, aos 17 anos, uma das primeiras mulheres a alistar-se nas milicias populares que combateram durante a Guerra Civil (1936-1939) as tropas franquistas na defesa da capital espanhola.
'La Dinamitera' perdeu uma mão nas trincheiras, foi presa durante o franquismo e condenada à morte, apesar da pena ter sido comutada para 30 anos de prisão, dos quais apenas cumpriu três.
Miguel Hernández escreveu um poema famoso sobre ela no qual dizia: "Rosario, dinamitera/ sobre tu mano bonita/ celaba la dinamita/ sus atributos de fiera/ .../ bien conoció el enemigo/ la mano de esta doncella/ que hoy no es mano porque de ella/ que ni un solo dedo agita/ se prendó la dinamita/ y la convirtió en estrella".
Depois de uma tentativa frustrada de escapar de Espanha após o fim da guerra e da sua passagem pela prisão trabalhou na produção de fósforos na praça de Cibeles e chegou a montar uma tabacaria no bairro de Vallecas.
em elmundo.es
Foi comunista até morrer.
