segunda-feira, 9 de junho de 2008

Europeíces

Num interessante artigo, publicado hoje pelo El Mundo na sua edição digital, ficamos a saber que os ministros da União Europeia debatem o aumento do horário de trabalho para as 65 horas semanais. Obviamente, coisa pouca para ser destacada pela comunicação social portuguesa. O El Mundo explica ainda que a delegação espanhola tem conseguido bloquear a alteração dessa directiva com o apoio de França, Itália, Grécia e Chipre. Contudo, explica que com a vitória da direita em Itália e em França o Estado espanhol ficou em minoria e que o governo 'socialista' português se encontra do lado da aprovação da directiva que vai regulamentar o aumento do horário de trabalho semanal. Dá para avaliar o quão de esquerda é o nosso governo.

Também sobre a União Europeia chegam-nos notícias - poucas, mais uma vez - sobre o avanço do 'não' nas sondagens sobre o referendo para o Tratado de Lisboa que será votado na próxima quinta-feira. Parece que o 'não' passou para os 35 por cento e que o 'sim' caiu para os 30 por cento. Naturalmente, as sondagens valem o que valem mas são boas notícias tendo em conta que quem as produz é cúmplice da burguesia europeísta.

O sistema eleitoral cubano

cubainformacion.tv

Já todos ouvimos dizer que em Cuba não há eleições. Por vezes, quando os meios de comunicação social não ocultam a realidade de que existem e de que são amplamente participadas, diz-se que nelas só podem estar presentes candidatos do Partido Comunista de Cuba. Contudo, nada disso é verdade como podemos observar neste vídeo. Um vídeo fundamental para compreendermos como funciona o sistema eleitoral cubano.

Viva Cuba!

sábado, 7 de junho de 2008

Acordai!

Os pescadores e armadores estiveram em greve. Agora, os maquinistas somaram-se à luta. Entretanto, 250 mil trabalhadores ocuparam a Avenida da Liberdade. Depois, os camionistas levaram o caos às estradas do Porto.

Como é belo o meu país quando acorda.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Pescadores conduzem luta até Bruxelas

Pescadores bloqueiam ruas de Bruxelas e queimam bandeira da UE

terça-feira, 3 de junho de 2008

Avanti il popolo!

O fascismo não morreu

Preocupa-me Itália. Depois da vitória da extrema-direita e do colapso da esquerda arco-íris, sucedem-se as demonstrações violentas contra todas as minorias. Há duas semanas, dois fascistas perseguiram e agrediram a um transsexual num bairro de Roma em frente a um carro-patrulha da polícia que não interveio. Dois dias depois, Hassan Nejl, tunisino de 38 anos, morreu no Centro de Detenção para Imigrantes de Turim. Os seus companheiros acusaram os médicos do centro de não o socorrer: "Disseram que era tarde e deixaram-no morrer". No dia seguinte, 24 de Maio, a Itália é sacudida por duas agressões fascistas. Vinte jovens destroem duas montras de lojas de imigrantes do Bangladesh gritando "estrangeiros porcos" e "bastardos" e Christian Floris, locutor do site DeeGay.it, é agredido e ameaçado por trabalhar com temas relacionados com a homossexualidade. Dias depois, na primeira reunião municipal da Câmara de Roma, o novo presidente revelou a sua intenção de dedicar uma praça à figura do fundador de uma organização fascista, implicado num atentado. Não passam dois dias e, durante a tarde, um grupo de nazis ataca estudantes de esquerda que arrancavam cartazes fascistas. Resultado: sete feridos. Entretanto, a polícia proibiu uma concentração gay, um bailarino albanês foi agredido sob insultos como "albanês de merda" e "vamos despachar-te para a Albânia" e uma secção da polícia municipal de Milão empreende uma "caça aos clandestinos" nos transportes públicos enfiando-os em camionetas blindadas. Tudo isto descrito por Gorka Larrabeiti.

Naturalmente, a ascensão da extrema-direita ao poder abriu caminho a esta caça às bruxas. Mas não podemos esquecer ou esconder a responsabilidade de partidos e políticos que, afirmando-se de centro ou de esquerda, legitimaram este ambiente hostil em torno, principalmente, dos estrangeiros. Como explica Asier Blas, professor na Universidade do País Basco, tudo começou com o executivo de Romano Prodi. "A reacção do governo italiano foi vergonhosa", explica. O antigo autarca de Roma, e actual secretário-geral do Partido Democrático, Walter Veltroni, pediu a Prodi medidas contra os imigrantes amontoados nos bairros de barracas. "Setenta e cinco por cento das detenções dão-se com romenos" e "não são imigrantes que vêm tentar melhorar a vida, têm como característica a criminalidade" são algumas das suas brilhantes afirmações. Evidentemente, o primeiro-ministro da altura, Romano Prodi, emitiu um decreto para alargar aos cidadãos comunitários leis que até então só permitiam a expulsão de cidadãos extra-comunitários e para dar à polícia mais poderes. Mas pior que isso foi ver a Refundação Comunista apresentar uma moção num bairro de Roma para a separação das crianças entre italianos e ciganos nos autocarros escolares.

Como não esperar, então, que, à boa maneira medieval, depois de uma suposta tentativa de rapto de uma criança por uma romena em Nápoles se seguissem linchamentos e bairros de barracas incendiados.

A falta que faz um Partido Comunista...

"Compagni dai campi e dalle officine
prendete la falce e portate il martello"

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Paz Social ou Pax Romana?

O ministro da Agricultura, Jaime Silva, afirmou hoje que a linha de crédito de 40 milhões de euros destinada ao sector da pesca poderá ficar disponível "a partir do momento em que haja paz social". Ou seja, utiliza uma manobra chantagista para impor a 'normalidade' no sector. Não é isso, aliás, que nos tem feito a burguesia desde sempre? Se aceitarmos as suas condições, se não protestarmos, terão a bondade de nos ceder uma ínfima parte do dinheiro que nos roubaram. Se não as aceitarmos e nos lançarmos no vandalismo do protesto então somos apelidados de violentos que não contribuem para a 'normalidade' e para a 'paz social'. Nesse caso, são 'obrigados' a cair sobre nós com os seus bastões.

Muito cuidadinho com a classe trabalhadora. Não vá ela exigir o que é seu.

domingo, 1 de junho de 2008

De punho cerrado


Excerto do filme sobre a vida do dirigente comunista alemão Ernst Thälmann produzido pela DEFA da RDA.

"Um dedo pode ser quebrado mas cinco dedos formam um punho cerrado", é desta forma que Thälmann explica aos operários de um estaleiro naval a importância da organização e da unidade dos trabalhadores. Como naquele tempo, também hoje são premissas fundamentais para o reforço da luta. Não é por acaso que Mário Soares alerta o Partido Socialista para as consequências do empobrecimento do povo português. Fa-lo não por estar preocupado com as condições de vida dos portugueses mas por receio de que os comunistas ganhem força nas ruas e nas urnas. Já Manuel Alegre comporta-se como sempre: como um oportunista. Consoante os seus interesses, coloca-se de um ou de outro lado da barricada.

Todos à luta contra a política de direita!