Deixando a análise da sua libertação para os próximos dias, apenas um pequeno reparo: para quem estava quase a morrer, Ingrid Betancourt está com muito bom aspecto. Arrisco dizer que está mais anafada que antes da sua prisão. O governo colombiano optou por resgata-la pela via militar. Teve muitas oportunidades de o fazer através da negociação mas isso daria força à guerrilha. Daí o assassinato de Raul Reyes, que negociava com o Equador a libertação de Betancourt. Uribe antes de pensar nas vítimas do conflito age em torno das suas necessidades. E, precisamente quando a maioria dos deputados do seu partido estão na prisão ou a serem julgados por envolvimento com a violência paramilitar e fascista, surge esta notícia. Felizmente, ninguém morreu nesta operação porque na maioria das vezes a intervenção do exército colombiano acaba em tragédia. Agora, os abutres da comunicação social vão fechar as suas garras e esquecer as centenas de presos políticos que apodrecem nos cárceres colombianos, assim como o sucessivo extermínio de dirigentes sindicais e de esquerda.quinta-feira, 3 de julho de 2008
Ingrid Betancourt
Deixando a análise da sua libertação para os próximos dias, apenas um pequeno reparo: para quem estava quase a morrer, Ingrid Betancourt está com muito bom aspecto. Arrisco dizer que está mais anafada que antes da sua prisão. O governo colombiano optou por resgata-la pela via militar. Teve muitas oportunidades de o fazer através da negociação mas isso daria força à guerrilha. Daí o assassinato de Raul Reyes, que negociava com o Equador a libertação de Betancourt. Uribe antes de pensar nas vítimas do conflito age em torno das suas necessidades. E, precisamente quando a maioria dos deputados do seu partido estão na prisão ou a serem julgados por envolvimento com a violência paramilitar e fascista, surge esta notícia. Felizmente, ninguém morreu nesta operação porque na maioria das vezes a intervenção do exército colombiano acaba em tragédia. Agora, os abutres da comunicação social vão fechar as suas garras e esquecer as centenas de presos políticos que apodrecem nos cárceres colombianos, assim como o sucessivo extermínio de dirigentes sindicais e de esquerda.terça-feira, 1 de julho de 2008
PS afunda Bombeiros da Amadora
Através do blogue LisboaLisboa fiquei a saber que dirigentes da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Amadora estão a pagar dos seus bolsos salários dos bombeiros e funcionários administrativos da corporação. As dificuldades financeiras devem-se a um acentuado corte de verbas por parte da Câmara Municipal da Amadora, encabeçada pelo Partido Socialista. Isto porque uma decisão judicial obrigou a autarquia a penhorar 37 mil euros do subsídio mensal (cerca de 51 mil euros) para fazer face a uma dívida da anterior direcção dos bombeiros. Uma dívida elevada por uma obra realizada no quartel deixada para a actual direcção.
Curiosamente, a antiga direcção dos bombeiros era composta por vários dirigentes do Partido Socialista. E agora, os seus colegas de partido na Câmara Municipal não querem socorrer a actual direcção que tenta a todo o custo minorar as consequências do péssimo trabalho dos 'socialistas' numa associação tão importante da Cidade.
Curiosamente, a antiga direcção dos bombeiros era composta por vários dirigentes do Partido Socialista. E agora, os seus colegas de partido na Câmara Municipal não querem socorrer a actual direcção que tenta a todo o custo minorar as consequências do péssimo trabalho dos 'socialistas' numa associação tão importante da Cidade.
sexta-feira, 27 de junho de 2008
sexta-feira, 20 de junho de 2008
Os equívocos de Chávez
No seu livro "Lénine e a Revolução", Jean Salem dedica um capítulo à velha discussão entre os revolucionários e os reformistas. O professor francês explica que "os grandes problemas da vida dos povos nunca são resolvidos senão pela força". E apesar de os comunistas não renunciarem a qualquer forma de luta, "os revolucionários não devem renunciar à luta pelas reformas". Apresenta ainda que, segundo Lénine, "o exército permanente e a polícia são os principais instrumentos da força do poder do Estado" a que Salem acrescenta "a multiplicação das polícias ou outras milícias privadas", no contexto da globalização capitalista.
Pensemos na Colômbia, onde o capital, para além do Estado, utiliza as milícias paramilitares para combater os sindicalistas e guerrilheiros e para sustentar o tráfico de droga. Pensemos na Colômbia, onde as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC-EP) tentaram, nos anos 80, a luta pacífica através da participação nas eleições e da qual foram arredadas pela carnificina que levou à morte de três mil membros da União Patriótica. Pensemos na Colômbia, onde os Estados Unidos investem milhões de dólares e equipam o exército colombiano com as armas mais avançadas.
Suponho que Hugo Chávez não tenha reflectido muito antes de ter afirmado que a luta armada, protagonizada pelas FARC-EP, já não faz sentido. Porque nenhum revolucionário pode acreditar que as formas de luta são próprias de um tempo específico, como se de uma moda se tratasse, e não reflexo da agudização da violência dos exploradores contra os explorados. Neste sentido, dizer que as FARC-EP representam uma desculpa para a intervenção dos Estados Unidos na América Latina não só é absurdo como rídiculo porque outros, como Salvador Allende, provaram que qualquer mudança política, pacífica ou violenta, que não satisfaça o imperialismo norte-americano será alvo da ingerência colonial de Washington. Para além disso, o presidente venezuelano acrescentou que a guerrilha deve libertar os homens e mulheres que tem em seu poder sem se referir por uma única vez aos guerrilheiros e guerrilheiras que apodrecem nas prisões colombianas.
Hugo Chávez sabe que uma boa parte da economia Venezuela está nas mãos do capital. O processo bolivariano tem resultado em conquistas fenomenais para a classe trabalhadora mas a burguesia não vai ceder o poder económico de forma pacífica. Como se diz em Portugal, "depois veremos".
Pensemos na Colômbia, onde o capital, para além do Estado, utiliza as milícias paramilitares para combater os sindicalistas e guerrilheiros e para sustentar o tráfico de droga. Pensemos na Colômbia, onde as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC-EP) tentaram, nos anos 80, a luta pacífica através da participação nas eleições e da qual foram arredadas pela carnificina que levou à morte de três mil membros da União Patriótica. Pensemos na Colômbia, onde os Estados Unidos investem milhões de dólares e equipam o exército colombiano com as armas mais avançadas.
Suponho que Hugo Chávez não tenha reflectido muito antes de ter afirmado que a luta armada, protagonizada pelas FARC-EP, já não faz sentido. Porque nenhum revolucionário pode acreditar que as formas de luta são próprias de um tempo específico, como se de uma moda se tratasse, e não reflexo da agudização da violência dos exploradores contra os explorados. Neste sentido, dizer que as FARC-EP representam uma desculpa para a intervenção dos Estados Unidos na América Latina não só é absurdo como rídiculo porque outros, como Salvador Allende, provaram que qualquer mudança política, pacífica ou violenta, que não satisfaça o imperialismo norte-americano será alvo da ingerência colonial de Washington. Para além disso, o presidente venezuelano acrescentou que a guerrilha deve libertar os homens e mulheres que tem em seu poder sem se referir por uma única vez aos guerrilheiros e guerrilheiras que apodrecem nas prisões colombianas.
Hugo Chávez sabe que uma boa parte da economia Venezuela está nas mãos do capital. O processo bolivariano tem resultado em conquistas fenomenais para a classe trabalhadora mas a burguesia não vai ceder o poder económico de forma pacífica. Como se diz em Portugal, "depois veremos".
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Os melhores do mundo
Não se preocupem, sou português e bastante patriota mas não posso deixar de admitir que me sinto aliviado por, finalmente, ter acabado a febre do Campeonato Europeu de Futebol. Não lhe dou mais importância que a qualquer outro desporto. Para mim, todos os desportos têm a sua beleza e fazem bem ao corpo e à cabeça. Mas o futebol profissional deixou de ser um desporto para ser um espectáculo mediático que rende milhões aos mesmos de sempre. Daí não me espantar que os jogadores da selecção portuguesa regressem a casa mais cedo (seja ela em Portugal, no Brasil, em Inglaterra ou em Espanha). Pelo que vi, criou-se um mito à volta das capacidades dos jogadores portugueses (e brasileiros) estimulado pela comunicação social do nosso país, nunca ou raramente objectiva nestas coisas do futebol. Depois, pela mesma lógica do jornalismo dos nossos dias, patrocinou-se a funalização com o explorar das hipotéticas contratações de Cristiano Ronaldo e de Felipe Scolari pelo Real Madrid e pelo Chelsea, respectivamente. E, claro, o mito do "melhor do mundo", como se isso superasse a realidade de um jogo que se disputa entre equipas de 11 jogadores.
Por isso, largámos esse planeta longínquo, onde há gente que ganha milhões por jogar futebol (e às vezes mal) para regressarmos ao planeta azul onde se aprovam directivas que implementam as 65 horas semanais de trabalho, onde se aprovam códigos do trabalho que instituem o retrocesso social, onde a democracia se esconde na sombra dos que não respeitam a vontade dos povos, onde a luta é mais importante do que o futebol. Porque os melhores do mundo são os explorados que fazem andar esta coisa chamada Terra.
Por isso, largámos esse planeta longínquo, onde há gente que ganha milhões por jogar futebol (e às vezes mal) para regressarmos ao planeta azul onde se aprovam directivas que implementam as 65 horas semanais de trabalho, onde se aprovam códigos do trabalho que instituem o retrocesso social, onde a democracia se esconde na sombra dos que não respeitam a vontade dos povos, onde a luta é mais importante do que o futebol. Porque os melhores do mundo são os explorados que fazem andar esta coisa chamada Terra.
sábado, 14 de junho de 2008
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Homenagem a James Connolly
O povo irlandês pode bem ter orgulho na sua história. Ao longo de séculos, combateu a ocupação inglesa e conseguiu, no século XX, libertar a maior parte da ilha. Entre os seus heróis encontra-se James Connolly, revolucionário que deu a vida no combate por uma Irlanda independente e socialista. Decerto, estaria orgulhoso de ver o seu povo rasgar e deitar, como afirmou Ilda Figueiredo, o Tratado de Lisboa "no caixote de lixo da História". Deixo-vos uma canção produzida por um dos melhores grupos musicais irlandeses, os Wolfe Tones, dedicada a James Connolly.
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