sábado, 9 de agosto de 2008

"Eficácia extrema"

Os jornalistas despiram qualquer objectividade e quase têm orgasmos quando entrevistam as forças policiais sobre o assalto ao BES. Os comandantes, ex-comandantes, ministros e ex-ministros embarcam na maré da idolatria afirmando até que os assaltantes não eram amadores num último esforço para glorificar ainda mais a acção da polícia durante o sequestro. Os fascistas aproveitam a origem dos protagonistas do assalto para encher os fóruns televisivos e radiofónicos com as suas cantilenas propagandísticas a favor da xenofobia, do racismo e do nacionalismo.

Os assaltantes não eram só amadores. A acção suou à azelhice de quem não sabe muito bem o que está a fazer e que de quem se estreia no crime. Uma dependência bancária sem caixa e com uma saída não parece uma boa escolha para quem pretende ser bem sucedido. Portanto, com o sucesso razoável da acção da polícia, não há a necessidade de se empolar os factos para engrandecer a acção que levou à libertação dos reféns.

Acção razoável porque o objectivo da acção policial teria de ser, antes de tudo, a libertação dos reféns mas, se possível, com a detenção dos assaltantes. Pelo que se percebeu, a concretização dos dois objectivos em simultâneo parecia difícil. O recurso à negociação, pelo que se diz, esgotou-se. Como tal, optou-se pela acção dos atiradores especiais, opção que considero plausível e que acabou por dar ao acontecimento um feliz desfecho. Contudo, ouvir como ouvi da boca de jornalistas que a polícia actuou com "eficácia extrema" e com "eficácia absoluta" parece-me ridículo.

Por curiosidade, seria interessante perceber porque optaram por introduzir o cadáver dentro de um saco em cima do passeio e não dentro da dependência bancária. Porque me pareceu de um gosto muito duvidoso ver as televisões transmiti-lo em directo.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Rádio Moscovo com os atletas palestinianos


Há algumas delegações estrangeiras que atraem mais o meu afecto. Entre muitas outras destaco, naturalmente, Cuba, Vietname, Laos, República Democrática Popular da Coreia, Bielorrússia e Venezuela. Mas houve uma que me impressionou vivamente e que terá todo o meu apoio durante os Jogos Olímpicos de Pequim. Trata-se da Palestina.

Nader Masri e Ghadeer Ghuruf no atletismo e Hamseh Abdouh e Zakiya Nassar na natação. Estamos com eles.

Ossétia do Sul agredida pela Geórgia

Se os Estados Unidos e a União Europeia, através da NATO, apoiaram a desagregação da Jugoslávia e a recente declaração de independência do Kosovo porque não pode a Ossétia do Sul receber o mesmo apoio por parte da Rússia? De qualquer forma, já começou a desinformação por parte dos meios de comunicação social da burguesia. É uma agressão da Rússia à Geórgia, afirmam. Contudo, deviam explicar a chacina que se verificou na capital da Ossétia do Sul, Tskhinvali, destruída pelos ataques das forças armadas georgianas. Ainda mais triste é que se tenha passado no dia em que se inauguram os Jogos Olímpicos de Pequim. Mas a paz nunca foi um valor a defender pelo capitalismo e pelo imperialismo.

Homer Simpson substitui Juan Carlos

Quem não se recorda de Homer Simpson, o norte-americano barrigudo que idolatrava a sua inutilidade? Pois, bem. Nas Astúrias, acaba de aparecer uma moeda de euro com a cara do chefe da família Simpson a substituir o rei Juan Carlos. E, verdade seja dita, de inútil para inútil o Homer fica melhor.

Notícia no El Mundo

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Solidariedade com Remedios García Albert

Remedios García Albert foi detida pela polícia espanhola. Acusada de colaborar com as FARC-EP, a activista espanhola pela paz tem de enfrentar uma dívida de 12 mil euros para pagar a fiança imposta pela Audiência Nacional para não voltar à prisão antes da sentença. Perante as inúmeras demonstrações de apoio e de solidariedade, foi aberta uma conta bancária para receber os contributos solidários para o pagamento da fiança.

Mais informação na página do PCE

terça-feira, 5 de agosto de 2008

L'anguilla


99 Posse é um grupo de rap de Nápoles. Uma boa parte das suas músicas são dedicadas a temas que denunciam a realidade do capitalismo. Neste caso, sobre a manipulação nos meios de comunicação social burguesa. Vale a pena ouvir.
Israel tenta obrigar doentes de Gaza a serem informadores

05.08.2008, Sofia Lorena

Grupo de direitos humanos ouviu 32 relatos, incluindo de pessoas com doenças terminais. O Shin Bet desmente as acusações

Bassam al-Wahidi faltou à última consulta que tinha marcada num hospital de Jerusalém Oriental, há quase um ano, apesar de se arriscar a perder a visão do olho direito. À hora prevista, este jornalista de Gaza estava numa sala de interrogatórios do checkpoint de Erez, onde ao longo de seis horas um homem que falava árabe perfeito e se identificou como Moshe lhe sugeriu que descobrisse quem lançava rockets de Gaza para Israel. "Vou mandar-te para casa e deixar-te viver o resto da tua vida cego por seres estúpido", disse-lhe quando recusou.

O relato de Wahidi é um dos 32 que o grupo israelita da organização internacional Médicos pelos Direitos Humanos recolheu num relatório ontem divulgado. Wahidi é dos poucos que aceita ser identificado pelo nome - a maioria recusou por temer que as hipóteses de sair de Gaza para receber tratamento médico fiquem ainda mais reduzidas.

Os Médicos pelos Direitos Humanos acusam o Shin Bet (o serviço de segurança interna de Israel) de "coacção" e "extorsão" dos pacientes. E notam que estas práticas acompanham um aumento acentuado na proporção de doentes a quem é negada a entrada em Israel, desde que o Hamas assumiu o controlo da Faixa de Gaza, em Julho do ano passado. Em Janeiro de 2007 eram autorizados a entrar 90 por cento - no fim do ano já entravam só 62 por cento dos que pediam para passar por motivos médicos.

O grupo lembra que o aumento de restrições nas saídas coincidiu com o bloqueio israelita a Gaza, que provocou quebras de energia eléctrica e impede a entrada de equipamentos médicos ou combustível.

O Shin Bet desmente as acusações e diz que os controlos de segurança servem para garantir que os palestinianos não ameaçam segurança de Israel. Desde 2005, diz, três potenciais bombistas suicidas fizeram-se passar por doentes. Segundo o exército, o número dos que saem de Gaza para receber tratamento médico aumentou de 8325 para 15.148 em 2007.

Mas os testemunhos recolhidos levam os Médicos pelos Direitos Humanos a concluir que os "interrogadores propõem directa e abertamente aos doentes colaborarem e/ou fornecerem informações". E esta prática, sublinham, viola as Convenções de Genebra. O Shin Bet lembra, por seu turno, que o Supremo Tribunal israelita decidiu que "o Estado tem o direito soberano de determinar quem entra" nas suas fronteiras.

A Bassam al-Wahidi foi-lhe oferecido um cartão de telemóvel israelita. Para além de se deslocar às áreas de fronteira para identificar os combatentes que lançam rockets, deveria ir às conferências de imprensa da ala militar do Hamas e de outras facções. Tinha dez dias para provar sua utilidade - depois deixaria de precisar de autorização para passar em Erez.

"Tens cancro"

Sem qualquer viagem ao hospital de Jerusalém desde esse interrogatório, o jornalista de 28 anos que cobre assuntos sociais e laborais para uma rádio já está cego do olho direito e precisa de tratamento urgente no olho esquerdo. Os médicos mandaram-no parar de ler e escrever há um mês.

Abu Obeid, um funcionário público de 38 anos, tem um pacemaker instalado num hospital israelita e saía frequentemente para tratamentos cardíacos. Mas em Agosto recusou uma proposta idêntica à que foi feira a Wahidi. "Dás-me informação e eu facilito as entradas em Israel", ouviu.

Outro homem de 38 anos que deveria ter sido consultado no hospital Ichilov de Telavive contou ao grupo de médicos israelitas o que lhe disse um agente: "Tens cancro e vai espalhar-se para o teu cérebro. Enquanto não nos ajudares, podes esperar por Rafah." Rafah é o posto fronteiriço entre Gaza e o Egipto, raramente aberto.

[...]

em Público, 05.08.08