terça-feira, 19 de agosto de 2008

Agrários venezuelanos semeiam a morte

Há poucos dias, agrários encomendaram a morte de um velho índio Yukpa, pai do dirigente Sabino Romero. Depois do reconhecimento por parte do governo venezuelano de que o povo Yukpa tem direito às terras que envolvem a Sierra de Perijá, os indígenas reforçaram a luta pelos direitos históricos que lhe correspondem. Contudo, o processo de devolução das terras esteve paralisado e os agrários lançaram a sua raiva incontida contra os Yukpa. Sabino Romero, na fotografia, teve de se esconder e não pôde assistir ao funeral do seu pai.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Fox News censura em directo


O canal norte-americano de notícias Fox censurou em directo uma jovem de origem osseta por agradecer ao exército russo a sua salvação e por acusar a Geórgia de ter agredido militarmente a Ossétia do Sul. Amanda Kokoeva explica que fugiam de soldados georgianos, que a sua cidade fora bombardeada pela Geórgia e que foi graças aos russos que se salvaram das atrocidades dos georgianos. Depois, a sua tia repete as acusações. É nesse momento que o 'jornalista' anuncia que tem de passar aos anúncios publicitários e, de seguida, dá-lhe apenas 30 segundos para concluir o que havia iniciado. Liberdade de imprensa? Pois, claro!

sábado, 16 de agosto de 2008

Anda construir a Festa do «Avante!»

A Rádio Moscovo vai deixar de emitir nos fins-de-semana. Todos somos necessários para a construção militante da Festa do «Avante!», obra única e só possível com o esforço colectivo dos militantes e amigos do Partido Comunista Português.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Esparguete à Carbonária


O Centro Comercial Colombo é uma realidade estranha. Na primeira vez que lá entrei, depressa me apeteceu sair. Pessoalmente, nunca fui muito dado a passeios em espaços fechados cujo objectivo central é o consumo e a sua adulação. Mas não recusei quando me propuseram trabalhar para compensar as férias de outros num restaurante localizado no terceiro piso.

Durante um mês, trabalhei cerca de 11 horas por dia enfiado entre os grelhados, a máquina do café, as bebidas, as sobremesas e a caixa - onde o patrão não me gostava de ver porque não tinha a agilidade e a destreza de atender um número razoável de clientes que lhe enchesse os bolsos num determinado período de tempo. Bem, na verdade tinha problemas com a máquina registradora. Mas não só. Tinha problemas com os recibos que descreviam os pedidos mas que não explicitavam o nome do prato. Era algo como "prato do dia carne", "prato do dia carne 2 e "prato do dia peixe". Mal me chegavam às mãos devia gritar para os cozinheiros o nome dos pratos e a quantidade. Ou seja, não só tinha de saber o nome dos pratos, que não estavam nos recibos, como tinha de saber quantos pedidos de cada prato havia. Tudo isto parece muito óbvio e, provavelmente, é assim em todo o mundo mas quando queremos dar o nosso melhor e não conseguimos podemos sentir-nos realmente muito burros. Principalmente, quando ao mesmo tempo que se faz tudo isto se tem de tirar as bebidas, pôr o pão, colocar as sobremesas, tirar cafés, ver se as batatas já estão fritas, dar talheres a clientes que os deixaram cair, dar aquele guardanapo a mais e dizer que os molhos e os temperos estão em cima do balcão mesmo à frente do cliente.

Foi nesse ambiente, absolutamente caótico, que descobri pessoas extraordinárias que não só me ajudaram a superar as dificuldades para lidar com um meio desconhecido como me fizeram viver o valor imprescindível do trabalho colectivo. Mas também que por trás das fachadas das lojas do Colombo existe um mundo desconhecido corporizado por longos corredores de serviço que ligam os trabalhadores dos vários sectores. Um mundo que merecia ser resgatado para as páginas dos jornais por algum repórter da imprensa diária.

Provavelmente, conheceriam a raiva dos trabalhadores contra os capatazes e os patrões. Como a de Ricardo que veio do Brasil para melhorar a sua condição de vida. A ele e aos colegas, retiraram-lhes o pagamento dos feriados a dobrar. Juliano que pediu mais dois dias de férias pelos dois feriados que trabalhou ao preço de um dia normal vai ter de explicar à mulher que não vão poder estar tanto tempo juntos. Tanto tempo porque 48 horas são uma eternidade em comparação com a hora que, diariamente, convivem. Não é o caso de Joana, cabo-verdiana, que não tem namorado mas que gostaria de dormir mais do que as cinco horas por noite. É por isso que na hora e meia de pausa que tem à tarde estende cartões no chão do armazém e dorme sem medo das baratas que passeiam. Provavelmente, conheceriam a raiva de Catarina que veio de S. Tomé e Príncipe e trabalhou na limpeza para pagar o curso de ortopedia. Depois do estágio, ninguém a quis contratar e continua a esfregar as mesas e a recolher os tabuleiros sujos das esplanadas. Nunca deixou de lutar e esteve à frente da histórica greve que paralisou as trabalhadoras da limpeza no Colombo. Depois disso, foi alvo de um processo disciplinar e suspensa durante meses. Há pouco tempo, regressou ao trabalho e a empresa foi obrigada a pagar-lhe os meses em que esteve em casa. Mas neste mundo de raiva existe amor e Catarina recebe o carinho e a solidariedade massiva dos trabalhadores.

Também existe alegria porque essa é a única forma de suportar o tempo. Entre as piadas que se contavam havia uma que me agradava bastante. Miguel, um colega de balcão, costumava responder aos clientes que lhe pediam cerveja à borla com um "isso não pode ser porque senão o patrão não muda de carro no fim do mês". Por isso, recordo com alegria o dia em que não corrigi o Ricardo. E o prato do dia foi 'Esparguete à Carbonária'.

Por isso, como prometido, dedico-lhes este texto.

[Naturalmente, embora o texto se refira apenas a factos reais, os nomes são fictícios.]

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Até à vitória, Harkishan Singh Surjeet!

Há cerca de uma semana, não referimos a morte do camarada Harkishan Singh Surjeet, ex-secretário-geral do Partido Comunista da Índia (Marxista). Vale a pena recordar as palavras de Jerónimo de Sousa: "uma grande perda para os comunistas e progressistas de todo o mundo porque conhecemos a consideração e amizade que nutria pelos comunistas portugueses e porque sabemos como é respeitado e considerado pelos membros do nosso Partido [...] sentimos a sua morte como se um dos nossos se tratasse".

Combater o fascismo na internet

No artigo anterior, alguém denunciava, nos comentários, a criação de uma rádio portuguesa fascista na internet. Naturalmente, nestes casos, quando encontramos uma página com conteúdos racistas, xenófobos e que fazem propaganda do nazi-fascismo devemos denuncia-lo. Para além da denúncia política nas ruas, na comunicação social e nos blogues, a Polícia Judiciária criou uma página dedicada à denúncia de crimes na internet.

Como indica o endereço http://linhaalerta.internetsegura.pt, "a apologia do racismo compreende todo o conteúdo que incite ao ódio ou à violência ou discriminação racial ou religiosa com o intuito de a encorajar. Com discursos racistas, revisionistas ou neonazis, milhares de sites, blogues e outras comunidades virtuais disseminam o ódio racial e a intolerância. Estes comportamentos configuram um crime previsto no nosso Código Penal." Portanto, é também nosso dever apresentar queixa, que pode ser realizada sob anonimato, se assim se pretender.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Oligarquia boliviana derrotada nas urnas

Não conseguiram. Depois de toda a destabilização conduzida pela oligarquia boliviana e patrocinada pela Casa Branca, que quase levou a Bolívia à guerra civil, o governo de Evo Morales agendou o desafio. Para 10 de Agosto, o tudo ou nada. Mas não conseguiram. Os carrascos do povo boliviano e lacaios do imperialismo norte-americano foram derrotados, nas urnas, por aqueles que exploraram e espezinharam durante anos. O referendo revogatório teve um resultado claro: cerca de 63 por cento dos votantes optaram pela manutenção de Evo Morales.

Perante milhares de pessoas, o presidente Evo Morales, dedicou a vitória "a todos os povos revolucionários da América Latina e do mundo".