terça-feira, 19 de agosto de 2008

Ciclistas escoceses homenageiam luta contra o fascismo

Há 72 anos, o clube escocês de ciclismo Clarion 1895 decidiu participar nos Jogos Olímpicos dos Trabalhadores. Na altura, levantava-se o projecto desportivo que tinha como objectivo a denúncia e o combate ao fascismo. Trabalhadores de todo os países chegavam para dar corpo à iniciativa que tinha a sua cerimónia de abertura marcada para Julho de 1936. Contudo, no dia, deu-se o levantamento fascista que afogou a República Espanhola numa violenta guerra civil. E apesar de não haver condições para a celebração das Olimpíadas dos Trabalhadores, uma grande parte dos participantes decidiu ficar em Barcelona e pegar em armas contra o fascismo. Entre eles, estavam parte dos ciclistas escoceses do Clarion 1895 - uma outra regressou à Escócia para recolher fundos para a luta.

Por esse motivo, realizou-se hoje, em Barcelona, um desfile organizado pelo Clarion 1895 em homenagem aos escoceses e a todos os que combateram e tombaram na luta contra o fascismo. Os ciclistas escoceses recordaram os compatriotas que organizaram uma viagem por Inglaterra e França para chegar a Barcelona com 300 libras que destinaram às mulheres e crianças vitimas da guerra. Para além disso, lembram Ray Cox e Roy Watts que participaram nas Brigadas Internacionais, caindo em combate com 22 e 23 anos, respectivamente.

Apesar do silêncio da maioria dos governos ditos democráticos, estiveram milhares de trabalhadores de todos os países em luta contra o fascismo e por um mundo melhor. Apenas a União Soviética e o México corresponderam de forma entusiasta ao apelo da República Espanhola. Nesta guerra - e com a experiência das Brigadas Internacionais - forjou-se uma geração de combatentes que, com o apoio do Exército Vermelho, soube, anos depois, enterrar o nazi-fascismo.

Video:
Despedida às Brigadas Internacionais

Vivam as Brigadas Internacionais!
Viva o Quinto Regimento!
Viva a luta antifascista!

Apanhado no conflito

Às vezes, o acaso tem destas coisas. Um conhecido basco foi apanhado no meio do conflito entre a Geórgia, a Ossétia do Sul e a Rússia. Portanto, nada melhor que aceder ao seu blogue para se ter mais uma perspectiva do que se está a passar naquele canto do mundo.

Estado colombiano, Estado fascista

A Central Única de Trabalhadores [CUT] da Colômbia denunciou que até ao momento já morreram, só neste ano, 27 dirigentes sindicais. As mortes são provocadas pela polícia, pelo exército e pelos paramilitares, que sustentam o terrorismo de Estado. Normalmente, entre os objectivos encontram-se os militantes da esquerda, dirigentes comunitários e camponeses. A CUT acrescentou ainda que a repressão não é noticiada pelos meios de comunicação social colombianos que preferem dedicar toda a sua atenção à actividade das FARC a levantar o véu dos crimes provocados pelo Estado.

Agrários venezuelanos semeiam a morte

Há poucos dias, agrários encomendaram a morte de um velho índio Yukpa, pai do dirigente Sabino Romero. Depois do reconhecimento por parte do governo venezuelano de que o povo Yukpa tem direito às terras que envolvem a Sierra de Perijá, os indígenas reforçaram a luta pelos direitos históricos que lhe correspondem. Contudo, o processo de devolução das terras esteve paralisado e os agrários lançaram a sua raiva incontida contra os Yukpa. Sabino Romero, na fotografia, teve de se esconder e não pôde assistir ao funeral do seu pai.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Fox News censura em directo


O canal norte-americano de notícias Fox censurou em directo uma jovem de origem osseta por agradecer ao exército russo a sua salvação e por acusar a Geórgia de ter agredido militarmente a Ossétia do Sul. Amanda Kokoeva explica que fugiam de soldados georgianos, que a sua cidade fora bombardeada pela Geórgia e que foi graças aos russos que se salvaram das atrocidades dos georgianos. Depois, a sua tia repete as acusações. É nesse momento que o 'jornalista' anuncia que tem de passar aos anúncios publicitários e, de seguida, dá-lhe apenas 30 segundos para concluir o que havia iniciado. Liberdade de imprensa? Pois, claro!

sábado, 16 de agosto de 2008

Anda construir a Festa do «Avante!»

A Rádio Moscovo vai deixar de emitir nos fins-de-semana. Todos somos necessários para a construção militante da Festa do «Avante!», obra única e só possível com o esforço colectivo dos militantes e amigos do Partido Comunista Português.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Esparguete à Carbonária


O Centro Comercial Colombo é uma realidade estranha. Na primeira vez que lá entrei, depressa me apeteceu sair. Pessoalmente, nunca fui muito dado a passeios em espaços fechados cujo objectivo central é o consumo e a sua adulação. Mas não recusei quando me propuseram trabalhar para compensar as férias de outros num restaurante localizado no terceiro piso.

Durante um mês, trabalhei cerca de 11 horas por dia enfiado entre os grelhados, a máquina do café, as bebidas, as sobremesas e a caixa - onde o patrão não me gostava de ver porque não tinha a agilidade e a destreza de atender um número razoável de clientes que lhe enchesse os bolsos num determinado período de tempo. Bem, na verdade tinha problemas com a máquina registradora. Mas não só. Tinha problemas com os recibos que descreviam os pedidos mas que não explicitavam o nome do prato. Era algo como "prato do dia carne", "prato do dia carne 2 e "prato do dia peixe". Mal me chegavam às mãos devia gritar para os cozinheiros o nome dos pratos e a quantidade. Ou seja, não só tinha de saber o nome dos pratos, que não estavam nos recibos, como tinha de saber quantos pedidos de cada prato havia. Tudo isto parece muito óbvio e, provavelmente, é assim em todo o mundo mas quando queremos dar o nosso melhor e não conseguimos podemos sentir-nos realmente muito burros. Principalmente, quando ao mesmo tempo que se faz tudo isto se tem de tirar as bebidas, pôr o pão, colocar as sobremesas, tirar cafés, ver se as batatas já estão fritas, dar talheres a clientes que os deixaram cair, dar aquele guardanapo a mais e dizer que os molhos e os temperos estão em cima do balcão mesmo à frente do cliente.

Foi nesse ambiente, absolutamente caótico, que descobri pessoas extraordinárias que não só me ajudaram a superar as dificuldades para lidar com um meio desconhecido como me fizeram viver o valor imprescindível do trabalho colectivo. Mas também que por trás das fachadas das lojas do Colombo existe um mundo desconhecido corporizado por longos corredores de serviço que ligam os trabalhadores dos vários sectores. Um mundo que merecia ser resgatado para as páginas dos jornais por algum repórter da imprensa diária.

Provavelmente, conheceriam a raiva dos trabalhadores contra os capatazes e os patrões. Como a de Ricardo que veio do Brasil para melhorar a sua condição de vida. A ele e aos colegas, retiraram-lhes o pagamento dos feriados a dobrar. Juliano que pediu mais dois dias de férias pelos dois feriados que trabalhou ao preço de um dia normal vai ter de explicar à mulher que não vão poder estar tanto tempo juntos. Tanto tempo porque 48 horas são uma eternidade em comparação com a hora que, diariamente, convivem. Não é o caso de Joana, cabo-verdiana, que não tem namorado mas que gostaria de dormir mais do que as cinco horas por noite. É por isso que na hora e meia de pausa que tem à tarde estende cartões no chão do armazém e dorme sem medo das baratas que passeiam. Provavelmente, conheceriam a raiva de Catarina que veio de S. Tomé e Príncipe e trabalhou na limpeza para pagar o curso de ortopedia. Depois do estágio, ninguém a quis contratar e continua a esfregar as mesas e a recolher os tabuleiros sujos das esplanadas. Nunca deixou de lutar e esteve à frente da histórica greve que paralisou as trabalhadoras da limpeza no Colombo. Depois disso, foi alvo de um processo disciplinar e suspensa durante meses. Há pouco tempo, regressou ao trabalho e a empresa foi obrigada a pagar-lhe os meses em que esteve em casa. Mas neste mundo de raiva existe amor e Catarina recebe o carinho e a solidariedade massiva dos trabalhadores.

Também existe alegria porque essa é a única forma de suportar o tempo. Entre as piadas que se contavam havia uma que me agradava bastante. Miguel, um colega de balcão, costumava responder aos clientes que lhe pediam cerveja à borla com um "isso não pode ser porque senão o patrão não muda de carro no fim do mês". Por isso, recordo com alegria o dia em que não corrigi o Ricardo. E o prato do dia foi 'Esparguete à Carbonária'.

Por isso, como prometido, dedico-lhes este texto.

[Naturalmente, embora o texto se refira apenas a factos reais, os nomes são fictícios.]