quinta-feira, 4 de setembro de 2008

A festa vai ser rija, pá!

Houve o ano das t-shirts do Estaline. Depois, o ano das FARC-EP. Entretanto, o ano do Partido Comunista Colombiano. Mas a cada um que passa chega mais gente à Festa do «Avante!». Ontem, quarta-feira, às 20.00, havia uma fila de cerca de 500 metros para entrar no parque de campismo. Por isso, a RTP decidiu pôr uma série documental sobre "a ilusão do comunismo", o director do Diário de Notícias decidiu escrever contra o presidente da Câmara Municipal do Barreiro e, certamente, podemos esperar pelo fim-de-semana para saber no que vão pegar eles este ano. Por mim, juntem-se todos em procissão porque dentro da Quinta da Atalaia a festa vai ser rija!

A Rádio Moscovo termina aqui a sua emissão para regressar no dia 11 de Setembro. A todos os camaradas e amigos, uma boa festa.

República Socialista Soviética da Estónia

Passou-se na Estónia. Segundo a Agência Novosti e o sítio Aporrea, camponeses de duas aldeias proclamaram o restabelecimento da República Socialista Soviética da Estónia e pediram à Rússia o seu reconhecimento. Segundo o sítio digital da organização regional 'Comunistas de Petersburgo', os partidários da República Socialista Soviética da Estónia estão a recolher assinaturas nos documentos que proclamam a independência e vão entrega-los às autoridades russas para se celebrar um acordo de amizade e de ajuda mutua.

"A decisão da separação da Estónia burguesa foi tomada pelos camponeses Andres Tamm e Aine Saar, cujas aldeias se encontram no Nordeste do país perto da fronteira com a Rússia", acrescenta o sítio. Também cita Tamm: "Não queremos viver mais na Estónia burguesa onde ninguém se importa com o destino dos cidadãos mais pobres, onde cortam os bosques, onde impera o desemprego e a corrupção e onde manda a NATO e os norte-americanos". "O meu avô foi antifascista e combateu na clandestinidade e não posso conformar-me com que na Estónia se renda homenagem aos nazis", destacou.

Entretanto, os cidadãos das aldeias separatistas já formaram o seu governo soviético. Entre outros, foram convidados comunistas russos. Para já, foram constituídas as "milícias populares" para defender o novo "Estado".

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Todos à Festa do «Avante!»

A Festa do «Avante!» aproxima-se. Neste momento, já vão a caminho da Atalaia centenas de pessoas. Amanhã, provavelmente, o parque de campismo estará já quase esgotado. Infelizmente, para a burguesia, esta é e continuará a ser a festa da classe trabalhadora e da juventude. Não há, no primeiro fim-de-semana de Setembro, outra espinha na garganta que lhes doa tanto. Acredito que 300 mil pessoas numa festa que promove o ideal da libertação do homem pelo homem dê a volta ao estômago de qualquer capitalista.

Num outro artigo, destaquei o espectáculo de ópera a que se vai poder assistir na sexta-feira. Para muitos, como eu, será a primeira vez que vão ter a oportunidade de conhecer uma expressão que é muito mais do que musical. A ópera resgata o teatro para a música. Mas há que destacar outros espectáculos. O Grupo Moncada vai levar a música cubana ao Palco 25 de Abril. Quando Cuba se prepara para comemorar o 50º aniversário da Revolução Cubana, o PCP homenageia esse acontecimento ímpar na história da América Latina. No mesmo palco, vai soar a melodia de Woody Guthrie. O gigante do folk norte-americano que andava com uma guitarra pintada com "this machine kills fascists" vai ser revisitado pelos Coal Porters. E não é de somenos importância que nos últimos anos a Festa do «Avante!» tenha decidido trazer várias bandas dos Estados Unidos. É a demonstração de que os comunistas portugueses estão solidários com aquele povo e que valorizam a memória histórica de combate de gerações de norte-americanos que estiveram ao lado da classe trabalhadora. Naturalmente, a imprensa vai continuar a dizer que somos anti-americanos sem explicar que há uma diferença substancial entre quem, nos Estados Unidos, domina e é dominado. Como Woody Guthrie, sempre estivemos ao lado destes últimos.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

A "liberdade de expressão" dos oposicionistas venezuelanos


Neste vídeo, podemos assistir ao insólito. Um oposicionista que se chama Stalin porque os seus pais são de esquerda, que se considera de esquerda, que concorda que Estaline era de esquerda mas que não está com Chávez porque "é militar e de direita". Pouco depois, uma jornalista histérica que quase agride tudo e todos tentando impor a sua opinião. Entre toda a confusão, consegue perceber-se bem que tipo de liberdade de expressão defende esta gente. Esta é mais uma produção da Ávila TV.

sábado, 30 de agosto de 2008

Quanto pior o sistema, pior a catástrofe


Fidel Castro e os estudantes

Normalmente, as catástrofes naturais afectam mais os países pobres. Os maremotos, os terramotos, os furacões, os tornados, as secas, as avalanches e as derrocadas são, na maioria dos casos, fenómenos inevitáveis. A natureza é, muitas vezes, inesperada e torna-se difícil, mesmo para os países ricos, prevenir estas situações. Contudo, com o desenvolvimento tecnológico tem sido mais fácil prever e suportar alguns desses acontecimentos. Mas comparando o comportamento das autoridades norte-americanas perante o que se passou em Nova Orleães, durante a passagem do furacão Katrina, com a atitude das autoridades cubanas perante todo o tipo de fenómenos naturais percebemos que o tipo de sociedade em que se vive influencia muito a resposta que se dá.

Em Cuba, existe uma mobilização geral para proteger o país do furacão Gustav. Os profissionais da saúde estão em alerta. Há sete brigadas médicas preparadas para ir para os locais que habitualmente sofrem inundações. Há um reforço de profissionais nos centros de saúde. Reforçam-se os abrigos e avança-se com a distribuição de pão e leite. Activam-se sistemas de comunicação rádio. Protegem-se as colheitas e os principais centros de produção. Na televisão, produzem-se relatórios sobre a evolução das condições meteorológicas com a presença, muitas vezes, de Raúl Castro. Segundo a ONU, Cuba é um dos países melhor preparados para enfrentar desastres naturais.

O que se passou em Nova Orleães foi catastrófico. As autoridades não estavam preparadas e não souberam responder à grave situação que se seguiu. Entre pobres e ricos, sentiu-se uma diferença criminosa. Nos bairros pobres, havia gente a morrer à fome em casa alagadas. Gente que padecia de doenças e sem água potável. Houve quem considerasse que se estava a discriminar uma cidade habitada maioritariamente por negros. Seja como for, as verbas facilitadas por George Bush foram ridículas para quem enterrou milhões na invasão do Afeganistão e do Iraque. Aos Estados Unidos, nesses dias, caiu-lhes o cenário que deixou à vista os bastidores de miséria que sempre tentaram esconder.

Viva Cuba socialista!

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Quem são os maus-da-fita?

Como na ficção, tem sido difícil compreender o que está a acontecer no Cáucaso. As notícias sucedem-se como nos filmes de Hollywood. Mas neste caso o bom-da-fita não se chama John Rambo. Chama-se Saakashvili.

Começa a fartar o destaque dado pela imprensa portuguesa - lacaia das agências internacionais ao serviço do imperialismo - ao presidente da Geórgia. Saakashvili, um criminoso da pior espécie, lançou um ataque sobre a população da Ossétia do Sul com a autorização dos Estados Unidos. Porque, naturalmente, ninguém acredita que seria capaz de tentar tal aventura sem o apoio da Casa Branca. Portanto, falamos de um crime premeditado. Durante anos, as forças armadas georgianas foram treinadas e armadas pelos Estados Unidos na sua estratégia de cercar o território russo. Mas deviam saber que o precedente aberto na Jugoslávia abriu caminho à Rússia para apoiar no Cáucaso a independência de povos que há muito a exigiam e que, ao contrário do Kosovo, tinham toda a legitimidade para o fazer.

A Ossétia do Sul foi integrada na Geórgia desde que o Império Russo a anexou. Curiosamente, a vitória dos mencheviques georgianos levou a que os ossetos do sul se mantivessem dentro daquele território. O entusiasmo revolucionário com que a população da Ossétia abraçou o bolchevismo provocou o ódio da contra-revolução de Tbilissi. Milhares de ossetos foram dizimados. A parte Sul do território ficou dominada pela República Democrática Menchevique da Geórgia e a parte Norte ficou integrada na República Soviética do Térek. Só depois, com a vitória da revolução, se criou um Estado multinacional com repúblicas independentes, voluntariamente integradas na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Foi a experiência socialista que promoveu a amizade entre os povos e sanou as rivalidades nacionalistas. A Ossétia do Sul possuia um amplo estatuto de autonomia dentro da República Socialista Soviética da Geórgia. Nas escolas, para além do russo, ensinava-se a língua osseta. Depois do fim da URSS, a Geórgia suprimiu a autonomia da Ossétia do Sul e atacou o seu povo por lutar pela independência. Há cerca de dois anos, foram realizados dois referendos, um pouco tempo depois do outro, onde cerca de 94 por cento dos eleitores votaram pela criação de um Estado independente.

O que se passou na noite 7 para dia 8 de Agosto foi um crime. Depois de alguns dias de tiroteio entre forças georgianas e ossetas, o presidente da Geórgia ordenou o cessar-fogo. Quando ninguém o esperava, Saakashvili lança um ataque feroz contra a população indefesa que dormia argumentando que havia que acabar pela força com os regimes criminosos que, segundo ele, vigoravam na Abecásia e na Ossétia do Sul. Para além dos civis e dos combatentes ossetos, foram mortos soldados da força russa de manutenção de paz com mandato internacional. Como já havia advertido, a Rússia entrou no território da Ossétia para defender os cidadãos ossetos - têm quase todos passaporte russo - e os seus soldados cercados pelas forças georgianas.

Pelo que parece, os Estados Unidos tentavam medir a temperatura naquele país. Não é segredo que pretendem colocar, às portas da Rússia, um sistema anti-mísseis. Mas não sabiam como é que Moscovo poderia reagir. Pois bem, agora já sabem. E o presidente russo, Medvedev, já alertou. Se for necessário, intervirão militarmente no exterior para deter as pretensões hegemónicas dos Estados Unidos e da NATO. Para isso, demonstrou que não está isolado. Depois de uma experiência com um míssil que consegue ultrapassar o sistema anti-mísseis, ontem, numa cimeira, ao lado de países como a China, Tadjiquistão, Quirguistão e Cazaquistão formou o Xangai-5 para promover a paz regional e mundial.

E que dizem os jornais? Limitam-se a repetir o que diz o imperialismo. Que o agressor foi a Rússia e que é ela quem promove a guerra. Apesar da Rússia não ser socialista e de ter interesses geo-estratégicos no Cáucaso, não está em posição de, neste momento, se lançar em ambições imperialistas de carácter militar. Portanto, esta resposta e a tensão que se vive naquela região deve-se fundamentalmente às ingerências dos Estados Unidos e da União Europeia. Portanto, mais importante que apoiar qualquer um dos lados deve raciocinar-se com a verdade. E neste momento a verdade é a de que a agressão partiu da Geórgia e dos Estados Unidos e de que os agredidos foram a Ossétia do Sul e a Rússia. Uma verdade útil para combatermos a eclosão de uma guerra que, como sempre, teria como principal vitima a classe trabalhadora.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Gladys Marín, retratos de uma vida


Em Março de 2005, morreu Gladys Marín. Ao funeral da Secretária-Geral do Partido Comunista do Chile acorreu quase meio milhão de pessoas. As ruas e avenidas de Santiago encheram-se para uma justa homenagem, no dia da Mulher, a uma que tanto lutou ao lado do povo chileno. O documentário que destacamos retrata a sua chegada à Alemanha Democrática. Apesar da sua vontade de resistir ao golpe fascista dentro do Chile, o Partido decide-se pelo seu exílio. Durante oito meses, permanece como refugiada na embaixada da Holanda. É então que parte para Berlim onde recebe a solidariedade massiva do povo alemão para com o povo chileno.