quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Radio Moscovo na terra de Bolivar


Caracas é uma cidade feia e ilustra o profundo contraste que existe entre pobres e ricos. A capital venezuelana é cercada por montanhas que a separam do mar. Nas encostas verdes, situam-se os 'barrios', fotocopias perfeitas das favelas brasileiras. Na base, levantam-se arranha-céus que constituem verdadeiras fortalezas para os ricos. Quando procuravamos um apartamento, tivemos a oportunidade de descobrir o medo profundo de que sofre a burguesia. No exterior, surge um gradeamento com uma porta de ferro. O porteiro abre-a e conduz-nos à porta de entrada do edificio. De seguida, depois da viagem no elevador, deparamo-nos, no piso, com um novo gradeamento que veda a entrada ao corredor de acesso ao apartamento. Depois de aberto, caminhamos até um outro gradeamento que tapa o acesso à casa. No final de todo este processo, podemos, finalmente, abrir a porta e disfrutar do calor do lar.

A especulaçao imobiliaria em Caracas esta bem patente no preço das casas. O facto de estar cercada por montanhas nao permite o crescimento da cidade senao em altura. Dai os grandes edificios que nascem do caos urbano. Para os pobres, nao ha lugar na parte baixa. Constroem as suas habitaçoes precarias nas encostas e nao é raro que depois de uma tormenta aconteçam deslizamentos de terra que enterram familias inteiras. Aqui, encontra-se o grande bastiao do actual processo politico venezuelano. A criaçao de saneamento basico, de cuidados primarios e especializados de saude, a alfabetizaçao e o realojamento tem sido factores importantes de progresso para a populaçao pobre de Caracas.

O processo politico de matizes bolivarianos vive na cidade. Cada rua tem o seu mural dedicado à revoluçao. A qualquer momento pode passar uma ambulancia da 'missao bairro adentro', com o apoio de médicos cubanos, pintada com "a saude nao é um privilégio de poucos mas um direito de todos". Na Universidade Central da Venezuela pude reparar numa estudante que fotocopiava o 'Imperialismo, fase superior do capitalismo' para a sua cadeira de Economia Marxista. Também as paredes da Cidade Universitaria estavam forradas com faixas da Juventude Comunista da Venezuela. Na terça-feira, houve uma concentraçao em frente à embaixada norte-americana e, pouco depois, uma homenagem a um estudante assassinado em 1993. Pela tarde, o Partido Socialista Unificado da Venezuela inaugurava a sua campanha eleitoral com um comicio no centro da cidade. Hoje, vai haver um encontro sobre a divida dos paises pobres aos paises ricos e um debate sobre o aborto na Venezuela. Na sexta-feira, a Coordenadora Continental Bolivariana vai homenagear, no principal 'barrio' de Caracas, Manuel Marulanda, revolucionario e historico dirigente das FARC-EP. Com a presença da Radio Moscovo, claro esta.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Até breve

Nos próximos meses, a Rádio Moscovo vai emitir a partir da América do Sul. Retomaremos a emissão logo que possível. Até lá, um abraço combativo.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Horizonte Fariano, música de resistência


É uma das organizações mais consequentes da América Latina. Depois de terem tentado trilhar os caminhos da paz através da União Patriótica, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia foram obrigadas, pela violência fascista, a dar voz às armas. No cimo das montanhas que cobrem a pátria colombiana, combatem homens e mulheres, operários, camponeses e também estudantes, gente do campo e da cidade. Lutam por um mundo novo, de paz, sem exploração do homem pelo homem. Lutam pelo socialismo. E é essa a realidade retratada pelo grupo musical Horizonte Fariano.

Mais vídeos em http://www.youtube.com/user/mbolivariano

sábado, 13 de setembro de 2008

O baile dos embaixadores

Uma célebre anedota explica porque é que nunca houve um golpe nos Estados Unidos. "Porque não têm uma embaixada norte-americana". E apesar de ser uma brincadeira, o caso torna-se sério quando percorremos a história dos golpes de Estado ou das guerras civis que se passaram um pouco por todo o mundo. Há uma evidência clara de que as embaixadas dos Estados Unidos estão intimamente ligadas ao trabalho da CIA. Quem esquece o papel de Frank Carlucci na contra-revolução portuguesa?

Contudo, não interessa à imprensa destacar as evidências. Poucos dias antes dos confrontos na Bolívia, o embaixador norte-americano na Bolívia, Philip Goldberg, havia reunido, de forma discreta, com a oposição ao governo de Evo Morales. Não se sabe o que se passou nesse encontro mas sabe-se o que se passou nos dias seguintes. E estudando o currículo de Goldberg não é difícil perceber porque foi escolhido para trabalhar na Bolívia. O embaixador - entretanto, expulso - foi, entre 1994 e 1996, o responsável pela questão da Bósnia na secretaria de Estado. Depois assumiu, entre 2004 e 2006, a chefia da missão norte-americana no Kosovo. Ou seja, um especialista na arte de dividir para melhor reinar.

O facto de Philip Goldberg ter sido expulso neste momento não significa que o governo boliviano só tenha percebido agora qual o papel do embaixador norte-americano. Evo Morales sabia perfeitamente da missão de Goldberg. Simplesmente, depois de muito esticar, a corda partiu-se. E podemos observar que esta América Latina já não é a mesma que deixou cair Allende em 1973. Não há um só governo que tenha tido, até ao momento, a coragem de contrariar um governo legitimamente eleito e aprovado em referendo. Pelo contrário, para além dos apoios do Brasil, Chile, Argentina, Paraguai, Equador, Nicarágua, Cuba e de tantos outros, na Venezuela e nas Honduras já não moram embaixadores dos Estados Unidos da América.

Mas a resposta está para além do baile dos embaixadores que ganharam um bilhete só de ida, a resposta está na luta da classe trabalhadora de cada país pela transformação social. Só ela poderá combater e derrotar de forma decisiva os que dominaram e dominam a América Latina. Porque como disse Salvador Allende, momentos antes de cair em combate, "a história é nossa e é feita pelos povos".

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Liberdade para os cinco!

Que ninguém falte amanhã. Há 10 anos, os cinco foram presos nos Estados Unidos por lutarem contra o terrorismo. Amanhã, estaremos em frente à embaixada norte-americana em Lisboa para exigir a sua libertação. Já sabes, a partir das 18 horas em Sete Rios.

O contrário de tudo o que eles são


"Incomoda-os uma Festa que sendo a maior iniciativa deste género realizada no nosso país, tem como seu construtor o partido da classe operária e de todos os trabalhadores, o Partido Comunista Português. Incomoda-os a eles - velhos com mentalidades velhas, com ideias velhas, com projectos velhos - que a Festa seja cada vez mais a festa da juventude e do futuro. Incomoda-os o ambiente de fraternidade, de solidariedade, de camaradagem aqui existente. Incomoda-os tudo porque a nossa Festa, sendo o que é, é o contrário de tudo o que eles são. Por isso tudo têm feito para acabar com a Festa ao longo dos últimos 32 anos."

José Casanova, director do «Avante!»

Aprender com o 11 de Setembro

Foi há 35 anos. Os militares golpistas apoiados pelos Estados Unidos bombardeavam o Palácio de la Moneda em Santiago do Chile. Daí, pegando numa arma oferecida por Fidel Castro, Salvador Allende disparava a palavra através da Rádio Magallanes: "Pagarei com a minha vida a lealdade do povo". Depois, com balas, resistiu ao ataque fascista.

Apesar de toda a discussão sobre a possibilidade de passagem ao socialismo através da via pacífica, não podemos negar que Salvador Allende foi um dos grandes da história do movimento revolucionário. No ano em que se comemora o 100º aniversário do seu nascimento, a Festa do «Avante!» homenageou-o. E importa muito que se estude e se discuta a experiência chilena.

Neste momento, na Bolívia, atravessam-se tempos muito duros. Depois da vitória explicita de Evo Morales no referendo revogatório, o separatismo fascista lançou o caos nas regiões que domina. Ontem, tomaram de assalto várias instituições governamentais e espalharam o terror pelas ruas. Vive-se uma situação extremamente delicada em que o governo, por um lado, não responde às provocações e em que os golpistas, por outro, tentam esticar a corda ao máximo. Várias organizações de trabalhadores, do lado do governo, bloquearam as estradas que ligam às regiões governadas pelos oligarcas. Os fascistas, por sua vez, sabotaram vários gasodutos que forneciam gás ao Brasil.

Em vésperas de uma possível guerra civil, vale a pena recordar o que se passou no Chile. Ontem, Evo Morales decretou, e bem, a expulsão do embaixador norte-americano Philip Goldberg - que entre 1994 e 1996 foi o chefe do gabinete do Departamento de Estado norte-americano para a Bósnia (deve ser perito em fomentar o separatismo) - por conspirar secretamente com os líderes fascistas. O Partido Comunista da Bolívia apelou a que se derrote a direita "em todos os campos". E, estou convicto, de que o povo saberá dar uma resposta à altura do que merecem os fascistas.