quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Quando a verdade se impõe

Jovem Stáline

Um camarada que chegou há poucos dias do Brasil contou-me, entusiasmado, que a Folha de São Paulo havia publicado um artigo de opinião de Oscar Niemeyer sobre Stáline. Em oposição à imprensa portuguesa, amordaçada pela censura dos patrões, a brasileira não deixa de dar voz aos intelectuais de esquerda. E num assunto que se transformou quase em tabu, o arquitecto comunista pôde dar uma visão absolutamente oposta àquela que é veiculada pela ideologia dominante. Deixamos o artigo para que o apreciem.

Quando a verdade se impõe, Folha de São Paulo, 9 de Janeiro de 2009

Por Oscar Niemeyer

"Estou no Rio, em meu apartamento em Ipanema, alheio à agitação que hoje, 31 de dezembro, afeta toda a cidade. Recebo, pelo telefone, o abraço de fim de ano de meu amigo Renato Guimarães, lembrando-me, com entusiasmo, do livro sobre Stálin que, meses atrás, lhe emprestei. Uma obra fantástica do historiador inglês Simon Sebag Montefiore, sobre a juventude de Stálin, que tem alcançado enorme sucesso na Europa, reabilitando a figura do grande líder soviético, tão deturpada e injustamente combatida pelo mundo capitalista.

E fico a pensar como essa publicação me chegou às mãos por um amigo, o arquiteto argelino Emile Schecroun, que hoje reside na capital francesa. E vale a pena comentar um pouco da vida desse querido companheiro, que, ao ter início a luta entre a França e a Argélia, deixou o PCF em Paris, onde vivia, para filiar-se ao partido comunista argelino e combater no seu país de origem, ao lado de seus irmãos, por sua libertação. E contar como sua mulher foi torturada e ele, um dia, preso e enviado sob algemas para a França.

Duas ou três vezes por ano Emile vem ao Rio me ver. Quer falar de política, lembrar dos velhos camaradas de Paris. Às vezes eufórico, contente com o que vai acontecendo pela Europa; outras, como na última ocasião em que me visitou, preocupado com a crise que envolve o PCF, na iminência de ter que alugar um andar da sede que projetei. Tentei intervir, propondo uma entrada independente que servisse de acesso aos que vão utilizar aquele pavimento... Mas logo meu amigo reage, certo de que a situação política tende a melhorar, de que os jovens da França continuam atentos ao que passa pelo mundo, prontos a protestar contra tudo o que ofende a dignidade humana.

E volto a lembrar daquele livro, a figura de Stálin ainda muito jovem, sua paixão pela leitura, o seu interesse nos problemas da cultura, das artes e da filosofia, sempre a cantar e dançar alegremente com seus amigos.

É claro que a juventude russa já sofria a influência de escritores como Dostoiévski, Tolstói e Tchecov, a protestar contra a miséria existente, revoltados com a violência do regime czarista. Muitos, a exemplo de Dostoiévski, enviados para a prisão na Sibéria, onde durante anos ficaram detidos. Depois, como tantas vezes ocorre, a vida a levar o jovem Stálin à luta política, que, apaixonado, o ocupou até a morte.

E o livro relata as prisões sucessivas que ocorreram em plena juventude, as torturas que presenciou, enfim, tudo que marcou a sua atuação heroica na luta contra o capitalismo. Ponho-me a folhear a obra, surpreso em constatar que o seu autor, depois de enorme pesquisa que se estendeu a arquivos da Geórgia, somente há muito pouco tempo franqueados a pesquisadores, levantou informações inéditas importantes sobre a vida de Stálin.

É bom lembrar que não se trata de autor de esquerda, mas de alguém que, pondo de lado suas posições político-ideológicas, soube interpretar uma juventude diferente, marcada pela inquietação cultural, que levou Stálin à posição de revolucionário e líder supremo da resistência contra o nazismo. Muito animado, Renato me diz que, seguindo a linha política de sua editora, esse vai ser um dos livros que com o maior interesse irá publicar.

A tarde se estende lentamente. Em breve o povo estará nas ruas a cantar - alguns esquecidos de que a miséria em que tantos vivem não se justifica, outros, como nós, confiantes em que um dia o mundo será melhor."

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Peste & Sida na Festa do «Avante!»


Para descontrair, uma gravação do concerto de Peste & Sida na Festa do «Avante!» em que o João Sanpayo dedica a canção "Bule bule" ao Sócrates "que é uma grande merda!". Pela nossa parte, dedicamo-la aos camaradas do http://anti-trollurbano.blogspot.com que durante meses se dedicaram ao combate à social-democracia.

«Os capitalistas tremem. E não é de hipotermia.»

Em Portugal, nunca houve um governo eleito que, com ou sem Partido Popular (CDS/PP), não fosse dirigido pelo Partido Socialista (PS) ou pelo Partido Social-Democrata (PSD). Até hoje, ambos representam as cabeças de um mesmo monstro bicéfalo cuja função é destruir todas as conquistas da Revolução de Abril e consolidar o processo contra-revolucionário a favor do capitalismo mais selvagem. Em determinada época, o PS teve a missão de confundir a classe trabalhadora com o seu "socialismo democrático" enquanto o PSD assumia a sua face neoliberal e autoritária. Uma espécie de jogo entre o polícia "bom" e o polícia "mau" que serviam o mesmo objectivo sujo.

Mas o bipartidarismo não é um exclusivo do nosso país. Podemos observa-lo por toda a Europa, Estados Unidos e também na América Latina. Há várias décadas, em 1958, os dois principais partidos venezuelanos concluiram o pacto de Punto Fijo. Embora no início fosse para estabilizar o país saído das garras de Pérez Jimenez rapidamente se transformou numa desculpa para controlar as rédeas do país. A Acção Democrática e o COPEI (Partido Popular) concluíram que seria melhor partilhar o poder sob a fachada das eleições democráticas. E a história do chamado sistema puntofijista não foi mais que uma novela sem grandes argumentos. Aplicar a receita neoliberal e viver dos lucros do petróleo.

Até que uma grave crise decretou a morte do puntofijismo. Depois da subida dos preços do petróleo nos anos 70, a Venezuela viu-os descerem. Naturalmente, uma economia tão dependente do ouro negro havia de se ressentir. Começou o endividamento, a desvalorização da moeda e a inflação. Perante a calamidade, Carlos Andréz Pérez deixa-se cair nos braços do Fundo Monetário Internacional (FMI). A receita é o neoliberalismo absoluto. Os milhões de pessoas que tinham migrado para as cidades quando os ventos sopravam favoravelmente não aguentam. E dá-se a explosão social.

Na manhã do dia 27 de Fevereiro de 1988, a gente dos bairros pobres dão inicio a protestos violentos. Vários estabelecimentos são saqueados e alguns sectores de Caracas ficam sob o controlo dos manifestantes. A violência alastra a toda a Venezuela. E o governo decide decretar o recolher obrigatório. Activa o Plano Ávila e o exército toma as ruas. Centenas de pessoas são mortas. Em alguns bairros, a população resiste às forças armadas como pode. E no seio dos militares cresce o descontentamento. Dois anos depois, Hugo Chávez organiza um golpe de Estado que fracassa.

É então que Rafael Caldera rompe com a COPEI e se candidata em 1994 prometendo não só abandonar as orientações do FMI mas também libertar Hugo Chávez da prisão. O líder da revolução bolivariana era já famoso pela tentativa de derrubar o governo. As promessas de ruptura com as linhas económicas seguidas até então não foram cumpridas e o descontentamento não foi anulado. Mas libertou Hugo Chávez. Em 1999, ganha as eleições, destrói definitivamente o bipartidarismo e rompe com as políticas neoliberais.

Décadas e décadas de neoliberalismo conduzido pelas duas cabeças do mesmo monstro, resultaram em revoltas sociais graves. Infelizmente, o Partido Comunista da Venezuela, como o da Argentina, não teve a capacidade de organizar e de orientar a violência social. Mas esta é uma realidade comum por toda a Europa. A crise dos nossos dias não é uma crise qualquer. E a confirmar-se as piores expectativas, devemos estar preparados para derrotar este modelo neoliberal. Depois das manifestações na Grécia, espoletadas pela morte de um jovem, os protestos sociais alastram-se por todo Leste da Europa. Na Lituânia e na Letónia, os governos sofrem a pressão cada vez maior dos povos que juraram representar. Na Bulgária, a tensão aumenta. A Islândia, o país que liderava o ranking mundial da qualidade de vida, viu a queda do seu executivo governamental. Há 50 anos que a polícia islandesa não utilizava o gás lacrimogéneo. Em França, os sindicatos levaram a cabo uma greve geral. E em Inglaterra, crescem os protestos.

A verdade é que os capitalistas tremem. E não é de hipotermia. Apesar do Inverno rigoroso, não é isso que os preocupa. Se houver uma avalanche social de protestos, a situação pode tornar-se insustentável para vários governos e até para a própria União Europeia. E não somos nós que o dizemos. Foi na própria União Europeia onde recentemente se o afirmou. Mais do que ninguém, os dirigentes europeus sabem o perigo da revolta social. Segundo o diário basco Gara, os 27 aumentaram o grau de vigilância do risco de explosões sociais devido à crise económica. Os funcionários europeus reconhecem em privado que a preocupação em Bruxelas é muito grande e que todos os Estados-membro estão a adoptar novas medidas de controlo e seguimento do descontentamento popular. E pedem aos respectivos serviços secretos relatórios para se compreender se os protestos marcam já uma tendência ou se, pelo contrário, são casos isolados ou dinâmicas de oposição interna.

Todos sabemos que uma crise não é sinónimo de um processo revolucionário. Pode haver uma explosão social inconsequente. Como aconteceu na Argentina e na Venezuela. Pode ser capitalizado pela extrema-direita. Ou pode, se houver organizações revolucionárias, levar à ruptura com o sistema actual. Se é certo que em Portugal existe essa organização - Partido Comunista Português - o mesmo não se pode dizer de toda a Europa onde em vários países o movimento comunista se deixou encantar pela social-democracia. Vivemos num mundo no qual as consequências do fim da União Soviética ainda se fazem sentir. E muito. Mas a pouco e pouco, longe do "fim da História", os trabalhadores começam a levantar a cabeça. A correlação de forças não está a nosso favor mas está nas nossas mãos construir o peso que incline a balança no sentido contrário. Porque o socialismo é possível e porque a luta é o único caminho.

O Lido morreu

Antes do Partido Socialista a ter entregue aos empreiteiros, a Amadora foi uma cidade com vida. No Bairro Janeiro, construiu-se, em tempos, aquele que foi o primeiro centro comercial e o primeiro cinema. Esta noite, o Lido morreu. Mais de uma centena de bombeiros combateram o fogo. Mas não valia a pena. Já estava morto antes do incêndio. Por toda a cidade, falava-se há muito dos interesses imobiliários que cercavam o empreendimento. E, curiosamente, um incêndio mesmo a calhar.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Fuck Israel, por Dalaiama

"Fuck Israel"

"E se nos queixamos de que não temos voz porque não começamos por dar voz às paredes dos nossos bairros?" era a frase citada há alguns dias pela Rádio Moscovo. Pois, chegou ao e-mail do blogue uma fotografia de uma das obras de arte de Dalaiama. Este é o tipo de arte de combate que consideramos necessário para melhorar as nossas ruas e para consciencializar a população. Podemos observar no blogue de Dalaiama a preocupação constante de denunciar a natureza predadora do capitalismo. Provavelmente, qualquer um de nós já se deparou com o pacman gordo que de cartola capitalista persegue a pomba da paz. Este é um trabalho que deve merecer o nosso aplauso e estímulo. Porque as paredes devem protestar.

Todos com a Palestina!

sábado, 31 de janeiro de 2009

Jornalismo de qualidade

Segundo as Nações Unidas, a comunicação social tem um papel fundamental na educação da população. É por isso que abrindo o sítio do Sol na internet podemos ver em destaque as notícias mais lidas: "Toureiro de 11 anos mata seis touros numa só corrida", "Tailandesa passa 33 dias numa jaula com 55.000 escorpiões", "Ex-presidente do Lehman Brothers vende mansão à mulher por 10 dólares", "Mulher deu à luz oito bebés numa cesariana de cinco minutos" e, finalmente, "Carro voa 35 metros e aterra em telhado de igreja". Isto, sim, é educar a população!

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Sai Bush. Entra Obama.


Palavras para quê?