quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Venezuela de Verdade

O Público mente sobre a Venezuela. Poucas foram as vezes que li notícias no Público que correspondessem em absoluto à verdade do que ali se passa. Mas este não é um facto excepcional. Numa sociedade como a nossa é, infelizmente, normal que os meios de comunicação social divulguem o pensamento dominante. Eles servem de arma ideológica do capital. São armas tóxicas de destruição em massa. Porque o seu objectivo é a destruição da razão e da verdade. E foi nesse sentido que o governo bolivariano da Venezuela criou um site dedicado a combater as mentiras que por aí se agitam. O espaço http://www.venezueladeverdad.gob.ve dedica-se precisamente a enunciar as conquistas do processo dirigido por Hugo Chávez. Vale a pena lê-lo para estarmos mais e melhor preparados para a luta contra a mentira.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Morte ao capitalismo! Viva o socialismo!


Garotos Podres - Subúrbio Operário

Há poucos dias, a União Europeia alertava para o perigo de uma explosão social nos seus 27 membros. Isso podia pôr em perigo os governos e, inclusive, a própria União. Foi por esse motivo que pediram o auxilio dos serviços secretos no sentido de sentirem o pulso às massas. Hoje, Mário Soares para alerta isso mesmo. Pela segunda vez, deixa o aviso de que se pode gerar um ambiente de revolta no nosso país.

Contudo, todos eles o fazem por medo. Sabem que isso pode pôr em perigo não só os interesses do grande capital mas também da própria sociedade capitalista. Mário Soares quer o regresso à social-democracia porque sabe que à mínima possibilidade de subversão do sistema dominante há que abanar a bandeira do capitalismo "humanizado". Fizeram-no depois da Crise de 1929. Fizeram-no depois da II Guerra Mundial quando havia a ameaça da influência comunista na Europa Ocidental. E aqui estão eles a tentar acalmar a população.

Independentemente das consequências - imprevisíveis neste momento - que a crise venha a gerar. O que é facto é que devemos potenciar e organizar essa revolta. Em momento algum, Lénine teve medo das crises económicas e sociais. Elas devem ser a sepultura do sistema capitalista. E nós o coveiro. Não devemos ter medo ou tentar arranjar formas de aliviar a sua gravidade.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Ninguém tem culpa

"Sem mercado não há cidadãos livres: há funcionários e escravos de um outro tipo (...) Uma economia de mercado, mas com regras éticas e políticas estritas. Estados de direito capazes de controlar os mercados e de assegurar sociedades de cidadãos livres, pluralistas e participantes, democracias não oligárquicas como era o caso, mas sociais, preocupadas com o bem-estar de todos, com uma justiça independente, acima dos media, e com a defesa do ambiente, indispensável à sobrevivência da humanidade e da biodiversidade. Claro que isso, nas suas grandes linhas, é o que, durante décadas, se chamou na Europa social-democracia ou socialismo democrático. Ou, se quiserem, um capitalismo avançado ou progressista onde o superior valor são as pessoas e não o dinheiro ou a pura especulação financeira..."

Mário Soares, in Diário de Notícias

A desfaçatez da burguesia ainda espanta o meu tão ingénuo intelecto. Durante anos, estimularam a desregulação absoluta do mercado e agora fingem-se inocentes. O Cavaco Silva apelava ontem a que se defendesse o aparelho produtivo nacional para que se promovesse as exportações. Mas quem é que, principalmente, destruiu a produção do nosso país? Cheira-me que terá sido ele.

Por sua vez, o Mário Soares, qual velha que tira da gaveta a lingerie que usava para seduzir em tempos áureos, vem explicar-nos o que deve ser o socialismo. "Um capitalismo avançado ou progressista onde o valor superior são as pessoas" como se o capitalismo pudesse existir sem o lucro como peça fulcral. Depois de assumir o papel de principal carrasco do socialismo em Portugal, Mário Soares repete a brincadeira e veste a lingerie do "socialismo democrático".

Depois é José Sócrates, que defende agora o investimento público. "Todos aqueles que se opõem ao investimento público estão a cometer um erro", disse. Eis que já não é José Sócrates, o que fechou centros de saúde, o que aprovou a entrada do mercado nas universidades públicas, o que aumentou as taxas moderadoras, o que ataca os funcionários públicos.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

O País Basco não caminha só


Concentração - Exposição Viva e Homenagem
7 de Fevereiro - 13h00
Frente à Embaixada de Espanha
(Lisboa - Avª da Liberdade - esquina com Rua do Salitre)

Debate - O Conflito no País Basco
7 de Fevereiro - 16h00
Associação Loucos&Sonhadores
(Lisboa - Travessa do Conde de Soure 2 - Bairro Alto)

Acções de Esclarecimento (Distribuições de Documentos e Banca)
6 a 15 de Fevereiro
Faculdades e Cantinas da cidade universitária,
Baixa e Bairro Alto

Exibição do Documentário “A Janela Partida” e Debate
14 de Fevereiro - 17h00
Baco Bar
(Setúbal - Praça Marquês de Pombal, nº8)

Festa com DJ FAMEL + GUNS OF SETUBALONE
14 de Fevereiro - 22h00
Baco Bar
(Setúbal - Praça Marquês de Pombal, nº8)

Porque devemos estar solidários com a luta do povo basco?

O povo mais antigo da Europa, com uma das línguas mais antigas do mundo. Um povo que vive ocupado há cerca de três séculos pelo Estado espanhol e pelo Estado francês mas que nunca se rendeu nem deixou de resistir. O retrato actual é um retrato manchado de sangue: o fim do franquismo não acabou com a repressão fascista, nem deu ao povo basco o direito de escolher a independência ou a dependência e, acima de tudo, não lhe deu razões para parar a luta. Nas prisões espanholas e francesas estão confinados aproximadamente mil presos políticos bascos, todos eles a milhares de km de casa. Fora os cidadãos presos todas as semanas que, após dias de incomunicação, vexações, humilhações e bárbaras torturas físicas e psicológicas, são soltos por nada se comprovar contra eles. O Estado espanhol ilegalizou um partido político que costuma ter entre os 10% e os 30%, o Batasuna, partido da esquerda independentista basca; ilegalizou jornais e rádios pela expressão de determinados ideais políticos; ilegalizou organizações juvenis, sociais e humanitárias; ilegaliza diariamente um povo por querer romper as amarras da opressão, por exigir paz e liberdade. Cabe a todos nós denunciar a verdade, cabe a todos nós encetar a luta solidária e internacionalista.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Quando a verdade se impõe

Jovem Stáline

Um camarada que chegou há poucos dias do Brasil contou-me, entusiasmado, que a Folha de São Paulo havia publicado um artigo de opinião de Oscar Niemeyer sobre Stáline. Em oposição à imprensa portuguesa, amordaçada pela censura dos patrões, a brasileira não deixa de dar voz aos intelectuais de esquerda. E num assunto que se transformou quase em tabu, o arquitecto comunista pôde dar uma visão absolutamente oposta àquela que é veiculada pela ideologia dominante. Deixamos o artigo para que o apreciem.

Quando a verdade se impõe, Folha de São Paulo, 9 de Janeiro de 2009

Por Oscar Niemeyer

"Estou no Rio, em meu apartamento em Ipanema, alheio à agitação que hoje, 31 de dezembro, afeta toda a cidade. Recebo, pelo telefone, o abraço de fim de ano de meu amigo Renato Guimarães, lembrando-me, com entusiasmo, do livro sobre Stálin que, meses atrás, lhe emprestei. Uma obra fantástica do historiador inglês Simon Sebag Montefiore, sobre a juventude de Stálin, que tem alcançado enorme sucesso na Europa, reabilitando a figura do grande líder soviético, tão deturpada e injustamente combatida pelo mundo capitalista.

E fico a pensar como essa publicação me chegou às mãos por um amigo, o arquiteto argelino Emile Schecroun, que hoje reside na capital francesa. E vale a pena comentar um pouco da vida desse querido companheiro, que, ao ter início a luta entre a França e a Argélia, deixou o PCF em Paris, onde vivia, para filiar-se ao partido comunista argelino e combater no seu país de origem, ao lado de seus irmãos, por sua libertação. E contar como sua mulher foi torturada e ele, um dia, preso e enviado sob algemas para a França.

Duas ou três vezes por ano Emile vem ao Rio me ver. Quer falar de política, lembrar dos velhos camaradas de Paris. Às vezes eufórico, contente com o que vai acontecendo pela Europa; outras, como na última ocasião em que me visitou, preocupado com a crise que envolve o PCF, na iminência de ter que alugar um andar da sede que projetei. Tentei intervir, propondo uma entrada independente que servisse de acesso aos que vão utilizar aquele pavimento... Mas logo meu amigo reage, certo de que a situação política tende a melhorar, de que os jovens da França continuam atentos ao que passa pelo mundo, prontos a protestar contra tudo o que ofende a dignidade humana.

E volto a lembrar daquele livro, a figura de Stálin ainda muito jovem, sua paixão pela leitura, o seu interesse nos problemas da cultura, das artes e da filosofia, sempre a cantar e dançar alegremente com seus amigos.

É claro que a juventude russa já sofria a influência de escritores como Dostoiévski, Tolstói e Tchecov, a protestar contra a miséria existente, revoltados com a violência do regime czarista. Muitos, a exemplo de Dostoiévski, enviados para a prisão na Sibéria, onde durante anos ficaram detidos. Depois, como tantas vezes ocorre, a vida a levar o jovem Stálin à luta política, que, apaixonado, o ocupou até a morte.

E o livro relata as prisões sucessivas que ocorreram em plena juventude, as torturas que presenciou, enfim, tudo que marcou a sua atuação heroica na luta contra o capitalismo. Ponho-me a folhear a obra, surpreso em constatar que o seu autor, depois de enorme pesquisa que se estendeu a arquivos da Geórgia, somente há muito pouco tempo franqueados a pesquisadores, levantou informações inéditas importantes sobre a vida de Stálin.

É bom lembrar que não se trata de autor de esquerda, mas de alguém que, pondo de lado suas posições político-ideológicas, soube interpretar uma juventude diferente, marcada pela inquietação cultural, que levou Stálin à posição de revolucionário e líder supremo da resistência contra o nazismo. Muito animado, Renato me diz que, seguindo a linha política de sua editora, esse vai ser um dos livros que com o maior interesse irá publicar.

A tarde se estende lentamente. Em breve o povo estará nas ruas a cantar - alguns esquecidos de que a miséria em que tantos vivem não se justifica, outros, como nós, confiantes em que um dia o mundo será melhor."

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Peste & Sida na Festa do «Avante!»


Para descontrair, uma gravação do concerto de Peste & Sida na Festa do «Avante!» em que o João Sanpayo dedica a canção "Bule bule" ao Sócrates "que é uma grande merda!". Pela nossa parte, dedicamo-la aos camaradas do http://anti-trollurbano.blogspot.com que durante meses se dedicaram ao combate à social-democracia.

«Os capitalistas tremem. E não é de hipotermia.»

Em Portugal, nunca houve um governo eleito que, com ou sem Partido Popular (CDS/PP), não fosse dirigido pelo Partido Socialista (PS) ou pelo Partido Social-Democrata (PSD). Até hoje, ambos representam as cabeças de um mesmo monstro bicéfalo cuja função é destruir todas as conquistas da Revolução de Abril e consolidar o processo contra-revolucionário a favor do capitalismo mais selvagem. Em determinada época, o PS teve a missão de confundir a classe trabalhadora com o seu "socialismo democrático" enquanto o PSD assumia a sua face neoliberal e autoritária. Uma espécie de jogo entre o polícia "bom" e o polícia "mau" que serviam o mesmo objectivo sujo.

Mas o bipartidarismo não é um exclusivo do nosso país. Podemos observa-lo por toda a Europa, Estados Unidos e também na América Latina. Há várias décadas, em 1958, os dois principais partidos venezuelanos concluiram o pacto de Punto Fijo. Embora no início fosse para estabilizar o país saído das garras de Pérez Jimenez rapidamente se transformou numa desculpa para controlar as rédeas do país. A Acção Democrática e o COPEI (Partido Popular) concluíram que seria melhor partilhar o poder sob a fachada das eleições democráticas. E a história do chamado sistema puntofijista não foi mais que uma novela sem grandes argumentos. Aplicar a receita neoliberal e viver dos lucros do petróleo.

Até que uma grave crise decretou a morte do puntofijismo. Depois da subida dos preços do petróleo nos anos 70, a Venezuela viu-os descerem. Naturalmente, uma economia tão dependente do ouro negro havia de se ressentir. Começou o endividamento, a desvalorização da moeda e a inflação. Perante a calamidade, Carlos Andréz Pérez deixa-se cair nos braços do Fundo Monetário Internacional (FMI). A receita é o neoliberalismo absoluto. Os milhões de pessoas que tinham migrado para as cidades quando os ventos sopravam favoravelmente não aguentam. E dá-se a explosão social.

Na manhã do dia 27 de Fevereiro de 1988, a gente dos bairros pobres dão inicio a protestos violentos. Vários estabelecimentos são saqueados e alguns sectores de Caracas ficam sob o controlo dos manifestantes. A violência alastra a toda a Venezuela. E o governo decide decretar o recolher obrigatório. Activa o Plano Ávila e o exército toma as ruas. Centenas de pessoas são mortas. Em alguns bairros, a população resiste às forças armadas como pode. E no seio dos militares cresce o descontentamento. Dois anos depois, Hugo Chávez organiza um golpe de Estado que fracassa.

É então que Rafael Caldera rompe com a COPEI e se candidata em 1994 prometendo não só abandonar as orientações do FMI mas também libertar Hugo Chávez da prisão. O líder da revolução bolivariana era já famoso pela tentativa de derrubar o governo. As promessas de ruptura com as linhas económicas seguidas até então não foram cumpridas e o descontentamento não foi anulado. Mas libertou Hugo Chávez. Em 1999, ganha as eleições, destrói definitivamente o bipartidarismo e rompe com as políticas neoliberais.

Décadas e décadas de neoliberalismo conduzido pelas duas cabeças do mesmo monstro, resultaram em revoltas sociais graves. Infelizmente, o Partido Comunista da Venezuela, como o da Argentina, não teve a capacidade de organizar e de orientar a violência social. Mas esta é uma realidade comum por toda a Europa. A crise dos nossos dias não é uma crise qualquer. E a confirmar-se as piores expectativas, devemos estar preparados para derrotar este modelo neoliberal. Depois das manifestações na Grécia, espoletadas pela morte de um jovem, os protestos sociais alastram-se por todo Leste da Europa. Na Lituânia e na Letónia, os governos sofrem a pressão cada vez maior dos povos que juraram representar. Na Bulgária, a tensão aumenta. A Islândia, o país que liderava o ranking mundial da qualidade de vida, viu a queda do seu executivo governamental. Há 50 anos que a polícia islandesa não utilizava o gás lacrimogéneo. Em França, os sindicatos levaram a cabo uma greve geral. E em Inglaterra, crescem os protestos.

A verdade é que os capitalistas tremem. E não é de hipotermia. Apesar do Inverno rigoroso, não é isso que os preocupa. Se houver uma avalanche social de protestos, a situação pode tornar-se insustentável para vários governos e até para a própria União Europeia. E não somos nós que o dizemos. Foi na própria União Europeia onde recentemente se o afirmou. Mais do que ninguém, os dirigentes europeus sabem o perigo da revolta social. Segundo o diário basco Gara, os 27 aumentaram o grau de vigilância do risco de explosões sociais devido à crise económica. Os funcionários europeus reconhecem em privado que a preocupação em Bruxelas é muito grande e que todos os Estados-membro estão a adoptar novas medidas de controlo e seguimento do descontentamento popular. E pedem aos respectivos serviços secretos relatórios para se compreender se os protestos marcam já uma tendência ou se, pelo contrário, são casos isolados ou dinâmicas de oposição interna.

Todos sabemos que uma crise não é sinónimo de um processo revolucionário. Pode haver uma explosão social inconsequente. Como aconteceu na Argentina e na Venezuela. Pode ser capitalizado pela extrema-direita. Ou pode, se houver organizações revolucionárias, levar à ruptura com o sistema actual. Se é certo que em Portugal existe essa organização - Partido Comunista Português - o mesmo não se pode dizer de toda a Europa onde em vários países o movimento comunista se deixou encantar pela social-democracia. Vivemos num mundo no qual as consequências do fim da União Soviética ainda se fazem sentir. E muito. Mas a pouco e pouco, longe do "fim da História", os trabalhadores começam a levantar a cabeça. A correlação de forças não está a nosso favor mas está nas nossas mãos construir o peso que incline a balança no sentido contrário. Porque o socialismo é possível e porque a luta é o único caminho.