quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

A "esquerda" moderna

"O projecto de lei do PCP visa revogar todas as taxas moderadoras, os projectos do PSD e do BE propõem o fim das taxas nos internamentos e cirurgias ambulatórias, enquanto que o diploma do CDS-PP propõe a revogação apenas das taxas cobradas nas cirurgias de ambulatório."

in Agência Lusa

O Bloco de "Esquerda" não era a favor da gratuitidade da Saúde? Ou será que é a favor da lógica do utilizador-pagador? E, entretanto, Manuel Alegre já admitiu poder apoiar os projectos do BE e do CDS-PP. Viva a "esquerda" moderna!

As asneiras de Herman José

"A minha posição em relação a José Sócrates é a mesma que tinha Winton Churchill em relação à democracia. Não digo que ele seja óptimo, mas é a melhor hipótese que temos a trabalhar ao serviço do País. Sócrates, para ser perfeito, teria de ser ainda mais corajoso", referiu Herman. E Manuela Ferreira Leite [líder do PSD, partido da oposição]? "Concordo com ela quando diz que era preciso seis meses de ditadura para meter o País em ordem. Se isso acontecesse e fosse eu a mandar, teria uma lista enorme de pessoas que mandaria para Guantánamo. Em Portugal há muitos que deveriam ir lá parar... (risos)".

Herman José, in Diário de Notícias

Sim, Herman José tem razão. Há muitos que deveriam estar presos. Incluindo o próprio.

Música da Resistência

Infelizmente, devido ao cerco mediático, temos pouco acesso à realidade das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. Na montanha e na cidade, milhares de guerrilheiros combatem por uma Colômbia livre e socialista. Dessa luta, sobram muitos aspectos que nos são desconhecidos. Entre os quais, a produção musical guerrilheira.

Há poucos meses, a Rádio Moscovo informava que o sítio digital das FARC-EP estava on-line depois de vários anos de sabotagem contra os espaços da organização comunista na internet. Hoje, deixamos uma série de ligações a álbuns de vários músicos farianos. Façam download, ouçam-nos e divulguem-nos. Porque nunca se sabe quando é que a CIA volta a atacar aquelas páginas.

Vivam as FARC - Exército do Povo!


Antologia da música fariana

Álbuns de Lucas Iguarán:
Mensaje Fariano
Para todo mi pueblo
A la luz de una vela
Métase al cuento 1
Métase al cuento 2
Canto a Venezuela

Álbuns de Julian Conrado:
Arando la paz
Quinientos años después
Sueño bolivariano
Bolivariando
Versos bolivarianos
Respirando dignidad
Canto de los Pobres 1
Canto de los Pobres 2

Álbuns de Cristián Perez:
El brete 1
El brete 2
Cauca 1
Cauca 2

Álbum de Mosaico Insurreccional:
Mosaico Insurrecional

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Vitória do "Sim" na Venezuela


Como a Rádio Moscovo tinha conseguido apurar o povo venezuelano apostou claramente na continuação do processo bolivariano. Foi uma vitória contundente do "sim". Milhões de pessoas desceram dos bairros pobres para invadir as principais avenidas das cidades venezuelanas. Antes da saída dos resultados oficiais já rebentavam foguetes em Caracas. Depois do comunicado oficial da Comissão Nacional de Eleições, houve uma explosão de alegria e todos se dirigiram para a frente do palácio presidencial.

Esta foi uma vitória fundamental. Nesta etapa do processo político é fundamental que Chávez se mantenha na direcção. Mas foi mais do que uma vitória do povo venezuelano. Foi uma vitória de todos aqueles países que se levantam contra o imperialismo e pela libertação nacional. Esperemos agora que a Venezuela aprofunde o processo bolivariano.

Viva o povo venezuelano!

Ao proletariado de Portugal

78 anos a levar a voz dos que não têm voz

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Nenhuma agressão sem resposta!

Dois dirigente regionais do PCP foram hoje agredidos depois de terem distribuido um comunicado aos trabalhadores da Santa Marta-Indústria de Vestuário. Duas horas depois da distribuição, três individuos invadiram o Centro de Trabalho de Penafiel e agrediram-nos. Uma das denúncias que o Partido fazia sobre a empresa era precisamente a de agressão física contra os trabalhadores. Amanhã, pelas 13 horas, o Partido volta à empresa para denunciar as ilegalidades. Também vai estar presente Honório Novo, deputado à Assembleia da República.

A Rádio Moscovo está solidária com os seus camaradas. Certamente que muito se poderá discutir sobre a natureza destas agressões mas a verdade é só uma: o patronato sabe bem quem está ao lado da classe trabalhadora. A burguesia devia saber que cometer tais actos nos tempos que correm é esticar demasiado a corda. Porque não há agressões sem resposta, amanhã o Partido voltará a agitar e a denunciar os crimes desta empresa.

Memórias do Curdistão

Mais de uma dúzia de jovens juntaram-se para nos receber. O extraordinário, parece, é o facto de termos afirmado ser comunistas e, em determinado momento, termos participado em campanhas de solidariedade com Abdullah Ocalan. Fizemo-lo num ambiente de confidência a três amigos antes da nossa viagem à Síria. E com isso fizeram-nos prometer voltar. Não podiamos partir para a Europa sem desfrutar de um jantar e de um baile curdo.

O prometido é devido. E naquela tarde abafada de Agosto, largámos as mochilas no Yunus Hotel e esperamo-los na rua. Os nossos três amigos chegaram com o batalhão de gente desconhecida. Com uma alegria contagiante levaram-nos pelas ruas de Gaziantep. Metade deles não sabia uma palavra de inglês. E nós pouco sabíamos de curdo ou de turco.

Primeiro, levaram-nos à casa de chá arménia. Provavelmente, a visita não teve qualquer significado político mas a verdade é que havíamos conhecido na Síria vários arménios que apontavam o dedo acusador à Turquia pelo genocídio contra o seu povo. Aquela visita terá sido casual ou terá sido propositada? Nunca saberemos.

Mas depois de nos conduzirem pelo mercado levaram-nos a casa. À porta, recebe-nos a mãe. Não sabe quem somos mas ainda assim abraça-nos. Somos amigos das suas filhas e isso basta-lhe. Convida-nos a descalçar e puxa-nos para uma sala acolhedora. Senta-se num cadeirão e observa-nos sorridente. Não participa na conversa porque não sabe falar outra língua que não o curdo e o turco. São as filhas quem lhe vai explicando o tema.

Saltam-lhe lágrimas quando lhe dizem que falamos sobre o problema curdo. Só nesta família, houve quem tivesse que fugir para a Alemanha e houve quem tivesse optado por pegar em armas, ao lado do PKK. Algures, lutavam nas montanhas pela dignidade do seu povo. Mas não deixavam de ser sangue do seu sangue e isso fazia-a sofrer. Na guerrilha, o combate é de vida ou de morte.

Entretanto, os jovens estendem uma toalha no chão da sala. Há pão, salada, sopa de grão e pimentos recheados com carne e arroz. Nós, cumprindo as costumeiras regras, trouxemos a típica baklava para a sobremesa. Querem saber o que se come nos nossos países. Falo-lhes do famoso peixe que vive no Norte do Atlântico e que é o protagonista da gastronomia portuguesa. Sentamo-nos de pernas cruzadas e num ambiente jovial, enquanto se come, conversa-se, discute-se e brinca-se.

Não sei quando começaram mas num determinado momento todos dançavam. Também nós. Fui arrastado por uma rapariga que me obrigou a acompanhar os passos de forma disciplinada. Demos as mãos, fizemos um circulo e deixamo-nos levar pela guitarra curda de um dos jovens. Eles cantavam em coro enquanto eu lutava para manter os passos no ritmo acertado.

Mas a noite quase que acabava de forma trágica. Levados pelo entusiasmo, dedicamo-nos a entoar canções revolucionárias. Houve tempo para o Hino de Caxias e para a Bella Ciao. A mãe, sempre alerta, mandou-nos baixar o tom quando cantámos a Internacional. Alguém nos podia denunciar. Mas era um momento solene. Todos eles, em curdo ou em turco, e nós, em português e em italiano, cerrámos os punhos.

Não sei como estarão. Não sei se estarão a preparar o próximo Newroz. Não sei se algum terá sido morto, preso ou partido para o exílio. Não sei se a mãe teve de derramar mais lágrimas. Tudo indica que sim. A Turquia lançou uma ofensiva sobre os guerrilheiros curdos. O próprio PKK - que depois da autonomia curda no Norte do Iraque havia tolerado, de forma vergonhosa, a intervenção norte-americana - encontra-se encurralado. Mas sempre que penso naquela noite recordo-me da voz de Manuel Freire: "Não há machado que corte a raiz ao pensamento".