quinta-feira, 12 de março de 2009
Todos à manifestação!
segunda-feira, 9 de março de 2009
Agitar e mobilizar para a luta: tarefa fundamental dos comunistas
Há quem tenha dificuldade para contactar quem não conhece. Mas devemos, antes de tudo, pensar que não estamos a cometer qualquer ofensa. O trabalho de informar e de agitar está intimamente conectado com os valores da verdade e da justiça. A esmagadora maioria das pessoas que nos rodeia partilha as mesmas dificuldades provocadas pela exploração capitalista. Há quem aproveite o telejornal no café para denunciar o governo e os empresários, há quem converse com o colega no comboio num tom mais elevado sobre o desemprego e o custo da vida e há quem deixe o «Avante!» - já lido, obviamente - no assento do autocarro. Estas, e muitas outras, são formas simples de se combater a desinformação e a propaganda capitalista.
Agitemos, pois!
sexta-feira, 6 de março de 2009
88º aniversário do Partido
Ao meu Partido
Deste-me a fraternidade para com o que não conheço.
Acrescentaste à minha a força de todos os que vivem.
Deste-me outra vez a pátria como se nascesse de novo.
Deste-me a liberdade que o solitário não tem.
Ensinaste-me a acender a bondade, como um fogo.
Deste-me a rectidão de que a árvore necessita.
Ensinaste-me a ver a unidade e a diversidade dos homens.
Mostraste-me como a dor de um indivíduo morre com a vitória de todos.
Ensinaste-me a dormir nas camas duras dos meus irmãos.
Fizeste-me edificar sobre a realidade como sobre uma rocha.
Tornaste-me adversário do malvado e muro contra o frenético.
Fizeste-me ver a claridade do mundo e a possibilidade da alegria.
Tornaste-me indestrutível, porque, graças a ti, não termino em mim mesmo.
quarta-feira, 4 de março de 2009
Sobre as mudanças em Cuba
Reflexiones del compañero Fidel
Cambios sanos en el Consejo de Ministros
Con motivo de los cambios en el seno del Ejecutivo, algunas agencias cablegráficas se rasgan las vestiduras.
Varias de ellas hablan o se hacen eco de rumores "populares" sobre la sustitución de los "hombres de Fidel" por los "hombres de Raúl".
La mayoría de los que fueron reemplazados nunca los propuse yo. Casi sin excepción llegaron a sus cargos propuestos por otros compañeros de la dirección del Partido o del Estado. No me dediqué nunca a ese oficio.
Jamás subestimé la inteligencia humana, ni la vanidad de los hombres.
Los nuevos ministros que acaban de nombrarse fueron consultados conmigo, a pesar de que ninguna norma obligaba a los que los propusieron, a esa conducta, ya que renuncié hace rato a las prerrogativas del poder. Actuaron sencillamente como revolucionarios auténticos que llevan en sí mismos la lealtad a los principios.
No se ha cometido injusticia alguna con determinados cuadros.
Ninguno de los dos mencionados por los cables como más afectados, pronunció una palabra para expresar inconformidad alguna. No era en absoluto ausencia de valor personal. La razón era otra. La miel del poder por el cual no conocieron sacrificio alguno, despertó en ellos ambiciones que los condujeron a un papel indigno. El enemigo externo se llenó de ilusiones con ellos.
No acepto que se mezcle ahora la chismografía con el Clásico de Pelota que está próximo a comenzar. Dije bien claro que nuestros atletas de béisbol eran jóvenes de primera línea y hombres de patria o muerte.
Como ya expresé otras veces regresaremos con el escudo o sobre el escudo.
Venceremos porque sabemos y podemos combinar algo que solo pueden hacer hombres libres, y sin dueños, no los jugadores profesionales.
Leonel Fernández me contaba ayer por la tarde que los excelentes peloteros profesionales dominicanos no deseaban participar en esas competencias, estarían ausentes con dolor para el pueblo que los vio nacer.
Chávez, ignora todavía por qué sus magníficos pitchers y bateadores serán derrotados por nuestros atletas.
El equipo cubano que este año medirá sus fuerzas con los mejores profesionales de Estados Unidos y Japón en las Grandes ligas, es mucho más fuerte y está mejor entrenado que el de hace tres años.
Muchos de ellos son ya veteranos a pesar de su juventud. Ninguno de los hombres que hicieron el equipo quedó en casa, excepto por razones de salud.
Asumo la total responsabilidad por el éxito o el revés. Las victorias serán de todos; la derrota no será jamás huérfana.
i Patria o Muerte! iVenceremos!
Fidel Castrosegunda-feira, 2 de março de 2009
Raúl Reyes: presente!
domingo, 1 de março de 2009
Só "quem tem lucros não pode despedir"?
Com "inimigos" destes para que precisa o capital de amigos?
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Sérgio Moreira: a vitória de um resistente
Sérgio Moreira (primeiro à direita), em Caracas, à frente da sua livraria, ao lado de antigos resistentes antifascistas em Dezembro de 2008O Sérgio travou ontem o seu último combate. E caiu. Mas apesar de ter caído, venceu. Porque a vitória não é só dos que derrotam a morte. Na maioria das vezes, a vitória é de quem derrota a indiferença. Dizia Antonio Gramsci que "a indiferença é abulia, é parasitismo, é cobardia, não é vida. (...) O que acontece não acontece tanto porque alguns o queiram, mas porque as massas de homens abdicam da sua vontade, deixam de fazer, deixam enrolar os nós que, depois, só a espada poderá cortar; deixam promulgar leis que, depois, só a revolta fará anular; deixam subir ao poder homens que, depois, só uma sublevação poderá derrubar". O Sérgio venceu.
Quando partiu de Espinho, na década de 50, já levava a consciência política de quem conheceu de perto a realidade da classe trabalhadora. Como jornalista, teve a oportunidade de contactar com os pescadores e com as varinas da zona. E nunca esqueceu os outros heróis de um tempo em que a morte tampouco derrotava. António Ferreira Soares - conhecido como doutor Prata - foi um deles. O assassinato do "médico dos pobres" por parte da polícia fascista marcou várias gerações de antifascistas espinhenses.
Longe da pátria e do fascismo português, o Sérgio esteve sempre na linha-da-frente. Participou no movimento cívico-militar que derrubou o ditador Marcos Pérez Jiménez. Ajudou a fundar a Junta Patriótica Portuguesa. Coordenou o estágio militar dos membros do Directório Revolucionário Ibérico de Libertação que realizaram o primeiro sequestro político de um navio contra o fascismo de Salazar e de Franco. E chegou a ser detido numa manifestação contra uma outra de emigrantes portugueses solidários com o regime fascista.
Desde cedo, esteve ao lado da revolução cubana. Que provocou uma tempestade em todo o mundo e, principalmente, na América Latina. No ano em que Fidel Castro entrou triunfante em Havana, juntou-se a Rúben Moreira e decidiram, com humor, atacar a recepção ao então ministro português dos Negócios Estrangeiros Paulo Cunha com bombinhas de mau cheiro.
Três anos depois, a 26 de Julho de 1961, no ano em que se declara o carácter socialista daquela revolução, Sérgio escreve: "Dia 26 pela tarde.../chove./fulgura o sol de cuba/e ilumina o mundo". Esse poema, intitulado como "sol de cuba", figura no seu livro "Vem como a gente" dedicado a Livia Gouverner. A jovem comunista venezuelana havia sido assassinada por fascistas cubanos numa concentração de estudantes universitários em solidariedade com a revolução cubana.
É assim Sérgio. Sempre solidário com a luta dos povos. Sempre em actividade contra o fascismo português. Mantém contactos com o Partido Comunista da Venezuela e com guerrilheiros. À chegada a Caracas, Amália Rodrigues e Simone de Oliveira revelam-lhe a solidariedade com os que lutam contra Salazar. Poucos meses antes de cair assassinado, Humberto Delgado convida-o para ser seu secretário. Coordena um programa de rádio, escreve em revistas, dá conferências, publica livros de poesia. Não pára.
Nos últimos anos, dedicou a sua vida à Livraria Divulgación que abrira em 1980. Ali, entre o mar de livros, Sérgio sabia escolher o livro adequado para cada pedido. Citava passagens de memória e estimulava o prazer da leitura. Não raramente, entravam universitários, professores e políticos à procura de uma determinada obra. Também ali se recusou a fechar a loja quando a oposição ao processo bolivariano decretou o 'paro petrolero' e perseguiu aqueles que não colaboravam. De resto, as paredes de vidro da livraria estavam forradas com cartazes políticos que denunciavam o carácter resistente do proprietário.
Na memória de todos os que o conheceram ficará a imagem de um ser humano extraordinário. Um ser humano que em tempo algum se deixou levar pela indiferença. Nos últimos anos, passou grandes dificuldades financeiras, sem nunca ter recebido qualquer reconhecimento ou apoio do Estado português. Ainda assim, esteve sempre lá, do lado certo da barricada. E todos nós ganhámos ao conhece-lo. Ao conhecer a limpidez de um homem cujos princípios éticos eram a antítese do mundo em que vivemos. Ele, como muitos outros resistentes antifascistas, é o mundo em que queremos viver.
Quem pode, afinal, dizer que o Sérgio perdeu?