quarta-feira, 25 de março de 2009

Entrevista com Mariana Páez


Legendado pela Rádio Moscovo

A comandante Mariana Páez caiu em combate há poucas semanas. Entrou nas FARC-EP em 1989 depois de militar na Juventude Comunista da Colômbia (JUCO). Formou parte das milicias bolivarianas em Bogotá e fez parte do comité temático e da Cadena Radial Bolivariana, Voz da Resistência, emissora da organização guerrilheira.

Entretanto, os combates prosseguem no Sul da Colômbia. Uma ofensiva combinada entre as FARC e o Exército de Libertação Nacional (ELN) provocou vários mortos e feridos entre o exército e a polícia. O Estado-Maior Central apelou a um reforço da luta em homenagem a Manuel Marulanda.

Emitiu também um comunicado em que destaca os princípios que Manuel Marulanda exprimiu desde sempre junto dos combatentes: "A luta pela paz com justiça social e soberania, a dignidade de sermos guerrilheiros onde reina a fraternidade, a solidariedade, a persistência, a lealdade, a austeridade, a verdade, a honradez, a simplicidade, a modéstia, a capacidade física e moral para enfrentar todas as dificuldades da vida guerrilheira sem vacilação. Nem a dor mais intensa, a fome, o sono e o cansaço nos dobra, assim foi a intensa vida do nosso comandante Marulanda. Com firmeza enfrentou, à frente dos seus camaradas, poderosos inimigos, políticos e militares e sempre saiu triunfante. O seu pensamento é o das FARC-EP, por essa razão, o Estado-Maior Central, o Secretariado e todos os guerrilheiros estamos unidos, coesos, actuando sobre o já foi elaborado, que é a nossa linha política-militar, e vamo-la actualizando à luz do marxismo-leninismo de acordo com a realidade colombiana".

terça-feira, 24 de março de 2009

Fez-se justiça. Faro foi libertado!


Komintern 43

Chegam boas notícias da Colômbia. Dizem-me que Faro foi libertado. Há mais de um ano encarcerado numa prisão em Bogotá, o dirigente redskin enfrentava uma acusação de homicídio contra um nazi. Felizmente, a sentença foi revogada e já se encontra na rua. Freddy, mais conhecido como Faro, é um jovem gráfico e vocalista de um dos grupos de punk mais conhecidos da Colômbia, os Komintern 43. Para além de ser dirigente da RASH Bogotá, é também militante do Pólo Democrático Alternativo.

Na Colômbia, os redskins não são uma tribo urbana sectária que se limita aos campos de futebol e aos balcões dos bares. A RASH Bogotá, por exemplo, tem a capacidade de organizar manifestações e festivais de música alternativa com milhares de jovens. Com uma estrutura construída com características do centralismo democrático, esta organização antifascista intervém junto de qualquer jovem, seja ou não ele um skinhead. Para a RASH Bogotá, o fundamental está no carácter antifascista e na intervenção por uma sociedade mais justa.

Entre os pré-requisitos que se pedem a quem deseje integrar a organização exige-se: "que seja uma pessoa afastada das drogas e de vícios fomentados pelo capitalismo", "que seja uma pessoa afastada da violência sem sentido e do alcoolismo", "que seja consequente politicamente", "que não tenha ligações a grupos ambíguos, apolíticos ou dogmáticos da sociedade". E, apesar de ter organização autónoma para a juventude, assumem de forma correcta que não são um partido político. Por isso, muitos dos seus membros militam no Partido Comunista Colombiano e no Pólo Democrático Alternativo.

Bem-vindo, Faro.

domingo, 22 de março de 2009

Homenagem a Manuel Marulanda

Paralisação no Sul da Colômbia

O diário colombiano El Espectador acaba de publicar uma notícia terrível. Terrível para a oligarquia que assassina e oprime a classe trabalhadora e os camponeses da Colômbia. As FARC-EP decretaram a paralisação nas regiões de Meta e de Caquetá. Num território maior do que Portugal, a organização guerrilheira lançou uma greve geral. A principal ligação ao Equador, a via panamericana, foi dinamitada. Uma cratera com mais de 20 metros na estrada que demorará mais de duas semanas a ser reparada impede a circulação normal de veículos.

Na semana em que se assinala o primeiro aniversário da morte de Manuel Marulanda Vélez, as FARC-EP mostram que não foram derrotadas como tanto se gosta de afirmar. A Rádio Moscovo dará, nos próximos dias, um destaque especial às comemorações do primeiro Dia Internacional da Insurreição Armada e às homenagens a Manuel Marulanda.

sábado, 21 de março de 2009

26 de Março: dia da insurreição armada!

As organizações que compõem o Capítulo Venezuela da Coordenadora Continental Bolivariana (CCB) reivindicaram o direito dos povos ao uso de todas as formas de luta para alcançar a libertação dos nossos povos.

As organizações que fazem parte da Coordenadora Continental Bolivariana (CCB) convocaram a celebração do "Dia Internacional do Direito dos Povos à Insurreição Armada" que terá lugar no dia 26 de Março de 2009, data em que se recorda o primeiro aniversário da morte do "Comandante dos Povos", Manuel Marulanda Vélez.

Assim manifestou na conferência de imprensa Carlos Casanueva, secretário-geral do Capítulo Venezuela da CCB - que está em processo de conversão em Movimento Continental -, que destacou que é uma jornada internacional que se realizará em vários países daquele continente e na Europa.

Entre os países que confirmaram a realização de jornadas nacionais estão o Brasil, Uruguai, Chile, Argentina, Peru, Equador, Porto Rico, República Dominicana, México, Venezuela, na América Latina, e a Galiza, País Basco, Itália, Alemanha e Dinamarca, na Europa.

Escolheu-se esta data em solidariedade com a insurgência colombiana, que utiliza o legítimo direito à insurreição perante um Estado terrorista, criminoso, narco-paramilitar, e com a luta do povo colombiano.

A luta armada não é um crime. Esse foi o exemplo que nos deixaram os libertadores nas guerras da independência no século XIX quando os povos se levantaram em armas para libertar-nos do colonialismo espanhol. Esse foi o exemplo que nos deixaram a China, o Vietname e, hoje, a Colômbia.

Destacaram ainda que se, na Venezuela, ocorre ao imperialismo tentar acabar com o processo bolivariano, encontrará no povo o direito legítimo à insurreição, consagrado na Carta das Nações Unidas, para defender as conquistas alcançadas.

em Kaosenlared.net

sexta-feira, 20 de março de 2009

Eduarda Maio: diz que é uma espécie de jornalista

Há dias que vários amigos me falavam num anúncio da Antena 1. Agora que o vi não posso deixar de mostrar a minha indignação. Primeiro porque se trata de um anúncio publicitário que ataca o direito à manifestação. Segundo porque é pago pelo Estado e divulgado pelo serviço público de rádio e de televisão. Terceiro porque é protagonizado por uma jornalista.

Creio que não só se deve exigir a retirada imediata do anúncio como também se deve processar a jornalista Eduarda Maio. Utilizar os valores que normalmente estão associados à profissão - rigor, objectividade e imparcialidade - para promover uma marca institucional desta forma é execrável. Uma prática que, aliás, vem sendo comum entre os jornalistas-vedeta.

A jornalista Eduarda Maio tem um historial lamentável. Prestou-se a colaborar com a vulgarização da justiça através do programa da SIC 'Juiz decide'. Ali, numa matiné de faca e alguidar, entretinha as tardes dos nossos pais e avós. Entretanto, abandona a sua experiência como entertainer e regressa ao jornalismo. Passou a integrar a redacção da Antena 1. Até que, no ano passado, surpreende com a publicação de uma biografia de José Sócrates. A então já subdirectora de informação da emissora pública apresenta «O menino de ouro do PS» ao lado de Dias Loureiro. Na plateia, encontravam-se secretários de Estado, deputados e dirigentes daquele partido. Nesse dia, o ex-ministro e ex-secretário-geral do PSD - também conhecido pelos seus problemas de memória - considerou José Sócrates um "homem trabalhador" e um "homem de detalhes". "Só quem está atento aos detalhes pode fazer grandes coisas. Essa é uma característica dos grandes homens", acrescentou.

terça-feira, 17 de março de 2009

A Idade Média ainda não acabou

O papa acaba de afirmar que a sida não se combate com preservativos. Estas declarações são tão mais graves quando se deram a caminho de África. Neste continente, milhões de pessoas estão infectadas e em alguns países a esperança média de vida vem baixando precisamente pela proliferação brutal do vírus. O Vaticano tem as mãos sujas de sangue. E, pelos vistos, vai continuar a ter.

Felizmente, há católicos que combatem esta e outras realidades. Algures, no interior da Venezuela, conheci vários combatentes do Exército de Libertação Nacional (ELN). Esta organização guerrilheira colombiana de inspiração cubana agrupou, desde sempre, nas suas fileiras, católicos adeptos da Teologia da Libertação. Vem-me à memória a figura de Camilo Torres que inspirou milhões de colombianos e que caiu em combate em 1966. Mas foram eles que me deram a conhecer "el cura Pérez". Manuel Pérez Martínez foi um sacerdote espanhol que tendo uma grande admiração por Camilo Torres decidiu aderir ao ELN. Em meados da década de 80, assumiu a direcção daquela organização guerrilheira. Acabou por falecer em 1998, de forma natural.

Em geral, o Vaticano travou uma grande luta contra a Teologia da Libertação. Por exemplo, quando João Paulo II visitou a Nicarágua sandinista foi vaiado pelo povo nicaraguense por criticar as opções do governo da Frente Sandinista de Libertação Nacional, onde vários sacerdotes e bispos participavam. Também em El Salvador - onde acaba de ganhar a FMLN - teve muita projecção o papel do Monsenhor Romero que de forma activa apelou à acção popular contra a oligarquia. Acabou por ser assassinado. O próprio Manuel Pérez Martínez foi excomungado em 1986.

Independentemente das divergências que nós, comunistas, tenhamos com qualquer tipo de credo religioso, devemos estimular todos aqueles que de forma genuína estão ao lado dos seus povos e reconhecem que a única forma de conquistarmos a liberdade é através da destruição do capitalismo e da construção do socialismo.