Três alunos de Penacova cumprem 20 horas de serviço comunitário por terem tentado encerrar a escola a cadeado contra o Estatuto do Aluno. Este caso é tanto mais grave quando é conhecido a três dias das comemorações do 35º aniversário da Revolução de Abril. Não só me solidarizo com o Fábio, o Gonçalo e o Eduardo como aproveito para tornar público que encerrei várias vezes da mesma forma a escola em que estudei. Está na hora de dar a volta a isto. Abril de novo!
quinta-feira, 23 de abril de 2009
terça-feira, 21 de abril de 2009
Abril de novo!
Juramento de Bandeira durante o Processo Revolucionário
"Dois dias depois, quando o chefe da Polícia e dois agentes, munidos de chicotes, entraram na sala, Paulo amparava-se às paredes para se suster de pé. As pernas, inchadas, eram como dois trambolhos, as pisaduras negras em volta dos olhos mostravam a febre que o atormentava.
- Olá, tens passado bem? - casquinou o chefe. - Decerto já queres fazer declarações.
- Sim, quero.
- Ora, ainda bem - continuou aquele, esfregando as mãos. - À Gestapo portuguesa ninguém resiste...
O jovem desencostou-se da parede; oscilou um pouco, mas susteve-se.
- Sim, quero fazer declarações definitivas - repetiu, e tomou fôlego. Da cara tinham-se-lhe esbatido os vincos de sofrimento; só os olhos dominavam. - Sou comunista. Amo o meu partido e amo a minha pátria, que só poderá ser grande se o seu povo for livre. Eu luto e lutarei por essa liberdade...
A um sinal do chefe, os dois agentes não o deixaram continuar. Deitado no chão por uma chicotada, com a cara cortada de lado a lado, ficou a escabujar sob os golpes ininterruptos dos agentes, a resguardar a cabeça no casaco, como se este pudesse couraçá-lo. Já o sangue escorria das roupas para o chão e os agentes pareciam enojados, ainda o chefe gozava a cena, com sádica expressão. Por fim, quando Paulo quase não reagia às chicotadas, aquele levantou-lhe a cabeça e gritou:
- Fala, sacana!
- Não trairei...nem que... - começou Paulo a dizer.
Mas o polícia atirou-lhe um soco à boca, que lhe fez saltar os dentes da frente, de mistura com sangue e gemidos de dor.
O jovem caiu para trás. Dos seus lábios já não podiam soltar-se mais palavras. Mas os olhos, muito abertos, e os punhos cerrados, diziam por ele:
- Nem que me matem!"
excerto de Conto Vermelho 'Mais um herói', de Soeiro Pereira Gomes.
- Olá, tens passado bem? - casquinou o chefe. - Decerto já queres fazer declarações.
- Sim, quero.
- Ora, ainda bem - continuou aquele, esfregando as mãos. - À Gestapo portuguesa ninguém resiste...
O jovem desencostou-se da parede; oscilou um pouco, mas susteve-se.
- Sim, quero fazer declarações definitivas - repetiu, e tomou fôlego. Da cara tinham-se-lhe esbatido os vincos de sofrimento; só os olhos dominavam. - Sou comunista. Amo o meu partido e amo a minha pátria, que só poderá ser grande se o seu povo for livre. Eu luto e lutarei por essa liberdade...
A um sinal do chefe, os dois agentes não o deixaram continuar. Deitado no chão por uma chicotada, com a cara cortada de lado a lado, ficou a escabujar sob os golpes ininterruptos dos agentes, a resguardar a cabeça no casaco, como se este pudesse couraçá-lo. Já o sangue escorria das roupas para o chão e os agentes pareciam enojados, ainda o chefe gozava a cena, com sádica expressão. Por fim, quando Paulo quase não reagia às chicotadas, aquele levantou-lhe a cabeça e gritou:
- Fala, sacana!
- Não trairei...nem que... - começou Paulo a dizer.
Mas o polícia atirou-lhe um soco à boca, que lhe fez saltar os dentes da frente, de mistura com sangue e gemidos de dor.
O jovem caiu para trás. Dos seus lábios já não podiam soltar-se mais palavras. Mas os olhos, muito abertos, e os punhos cerrados, diziam por ele:
- Nem que me matem!"
excerto de Conto Vermelho 'Mais um herói', de Soeiro Pereira Gomes.
segunda-feira, 20 de abril de 2009
Um ano de Rádio Moscovo
A Rádio Moscovo atingiu as 10 mil visitas e as 18 mil visualizações. Depois de um ano de emissão, a média diária situa-se entre as 30 e as 40 visitas. Fundamentalmente, a maioria dos nossos leitores são portugueses e brasileiros. Mas também os há bascos, galegos, catalães, castelhanos, franceses, italianos, venezuelanos, chilenos e argentinos. Até agora não conseguimos uma grande participação dos leitores. Por norma, os comentários não excedem a unidade. E quando isso acontece deve-se ao facto de haver alguma opinião mais polémica que conduz ao debate.
Este blogue é linkado por muitos outros. Mas não se submete à lógica da reciprocidade. A Rádio Moscovo não entra na lógica amiguista dos blogues ditos de esquerda que linkam blogues de direita só porque estes também o fizeram. Somos um blogue de combate. Isso evidencia-se pela quantidade de ligações a organizações e a meios de comunicação que raramente estão à disposição na internet. Destacando-se, entre elas, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia - Exército do Povo, alvo de uma brutal campanha de desinformação. E esta é provavelmente a página portuguesa que mais destaque dá à luta dos camaradas colombianos.
A maioria dos artigos produzidos pelo blogue referem-se à América Latina e a Portugal. Contudo, no ano que passou, também se publicaram textos sobre o Curdistão, a Palestina, a Síria, a Turquia, a Ossétia, a União Soviética, o Nepal, a China, os Estados Unidos, o País Basco, o Sara Ocidental e a União Europeia. Para além dos artigos de opinião, recorreu-se à crónica e à entrevista. Esta última - com destaque para a conversa com Jorge Alvarado, embaixador da Bolívia - foi pouco usada devido à sua incompatibilidade com o formato blogue.
Politicamente, a Rádio Moscovo debruça-se mais sobre a reconstituição e o reforço do movimento operário internacional. Em quase todos os artigos, ficou patente a necessidade de se combater o reformismo e a social-democracia. As graves consequências do fim da União Soviética abriram caminho a tendências que já se vinham solidificando desde o pós-guerra. A Rádio Moscovo promoveu a memória histórica sobre a pátria de Lénine mas sem qualquer pendor saudosista. Os povos nunca compreenderão os caminho que devem seguir senão souberem analisar historicamente as razões que o levaram a esta etapa.
A Rádio Moscovo procura destruir mistificações. Naturalmente, este blogue não é mais do que um grão de areia. E não pretende ser o que não é. Mas tenta-se, também aqui, dar um contributo à luta contra a propaganda veiculada pelos media dominantes. A batalha ideológica trava-se contra um gigantesco aparelho numa correlação de forças profundamente desigual. E cada pessoa que conseguirmos trazer para o nosso lado da barricada é já uma vitória. Sabendo sempre que a principal batalha se trava nos locais de trabalho e nos nossos bairros.
Este blogue também tenta reflectir um pensamento e uma cultura suburbanas. Procura dar voz à dissidência dos novos muralistas e dos novos músicos de intervenção. Porque é nos bairros onde os filhos da classe trabalhadora usam o que têm ao seu alcance para contornar a escassez de tudo. Entre o betão e as estrelas, como diria Keny Arkana, as paredes são telas e os passeios são palcos. Não admira, pois, que entre um subúrbio como a Amadora e o Cacém e um outro como Almada ou o Seixal haja diferenças substanciais. É que nestes últimos as autarquias põem ferramentas à disposição dos jovens.
Perante a crise do sistema capitalista e com um ano de importantes batalhas eleitorais, urge reforçar a luta de massas e a mobilização geral pelo transporte desse combate até ao voto. Não vivemos uma situação revolucionária mas o descrédito no capitalismo cresce e com ele tem de crescer a consciência da necessidade de uma alternativa. O blogue Rádio Moscovo continuará a dar o seu contributo e estará na linha-da-frente por um salto qualitativo na consciência e na luta. Um pequeno contributo porque um blogue não é mais do que um blogue.
Obrigado a todos os que nos lêem.
A luta é o único caminho!
Este blogue é linkado por muitos outros. Mas não se submete à lógica da reciprocidade. A Rádio Moscovo não entra na lógica amiguista dos blogues ditos de esquerda que linkam blogues de direita só porque estes também o fizeram. Somos um blogue de combate. Isso evidencia-se pela quantidade de ligações a organizações e a meios de comunicação que raramente estão à disposição na internet. Destacando-se, entre elas, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia - Exército do Povo, alvo de uma brutal campanha de desinformação. E esta é provavelmente a página portuguesa que mais destaque dá à luta dos camaradas colombianos.
A maioria dos artigos produzidos pelo blogue referem-se à América Latina e a Portugal. Contudo, no ano que passou, também se publicaram textos sobre o Curdistão, a Palestina, a Síria, a Turquia, a Ossétia, a União Soviética, o Nepal, a China, os Estados Unidos, o País Basco, o Sara Ocidental e a União Europeia. Para além dos artigos de opinião, recorreu-se à crónica e à entrevista. Esta última - com destaque para a conversa com Jorge Alvarado, embaixador da Bolívia - foi pouco usada devido à sua incompatibilidade com o formato blogue.
Politicamente, a Rádio Moscovo debruça-se mais sobre a reconstituição e o reforço do movimento operário internacional. Em quase todos os artigos, ficou patente a necessidade de se combater o reformismo e a social-democracia. As graves consequências do fim da União Soviética abriram caminho a tendências que já se vinham solidificando desde o pós-guerra. A Rádio Moscovo promoveu a memória histórica sobre a pátria de Lénine mas sem qualquer pendor saudosista. Os povos nunca compreenderão os caminho que devem seguir senão souberem analisar historicamente as razões que o levaram a esta etapa.
A Rádio Moscovo procura destruir mistificações. Naturalmente, este blogue não é mais do que um grão de areia. E não pretende ser o que não é. Mas tenta-se, também aqui, dar um contributo à luta contra a propaganda veiculada pelos media dominantes. A batalha ideológica trava-se contra um gigantesco aparelho numa correlação de forças profundamente desigual. E cada pessoa que conseguirmos trazer para o nosso lado da barricada é já uma vitória. Sabendo sempre que a principal batalha se trava nos locais de trabalho e nos nossos bairros.
Este blogue também tenta reflectir um pensamento e uma cultura suburbanas. Procura dar voz à dissidência dos novos muralistas e dos novos músicos de intervenção. Porque é nos bairros onde os filhos da classe trabalhadora usam o que têm ao seu alcance para contornar a escassez de tudo. Entre o betão e as estrelas, como diria Keny Arkana, as paredes são telas e os passeios são palcos. Não admira, pois, que entre um subúrbio como a Amadora e o Cacém e um outro como Almada ou o Seixal haja diferenças substanciais. É que nestes últimos as autarquias põem ferramentas à disposição dos jovens.
Perante a crise do sistema capitalista e com um ano de importantes batalhas eleitorais, urge reforçar a luta de massas e a mobilização geral pelo transporte desse combate até ao voto. Não vivemos uma situação revolucionária mas o descrédito no capitalismo cresce e com ele tem de crescer a consciência da necessidade de uma alternativa. O blogue Rádio Moscovo continuará a dar o seu contributo e estará na linha-da-frente por um salto qualitativo na consciência e na luta. Um pequeno contributo porque um blogue não é mais do que um blogue.
Obrigado a todos os que nos lêem.
A luta é o único caminho!
sexta-feira, 17 de abril de 2009
A revolta é saudável!
La Rage, por Keny Arkana
A revolta é saudável porque demonstra que somos moral e eticamente sãos. A revolta é saudável porque ninguém pode ficar indiferente à tragédia humana que provoca o capitalismo. A revolta é saudável porque nasce do desejo de enterrar a injustiça e de semear um mundo melhor. E foi dessa revolta, desse sentimento de fúria e de raiva que nasceu em Marselha o colectivo musical urbano La Rage du Peuple a que pertence Keny Arkana.
"ONU é ditadura" e Evo Morales afirma-se "marxista-leninista"
Há certas declarações que deviam chocar pelo que se é dito. Mas também por quem as diz. Ontem, na Venezuela, o presidente da Assembleia-Geral da ONU afirmava que aquela organização "é uma ditadura". Miguel d'Escoto destacou que o "grande professor" Fidel Castro há muito que vem falando da necessidade de se "democratizar as Nações Unidas". Depois acrescentou que quem "sempre anda com a cançoneta da democracia e que põe a democracia como condição para os seus propósitos, esses que estão dispostos a assassinar milhares de seres humanos pela democracia, põem todos os obstáculos imagináveis para impedir a democratização da ONU".
O presidente da Assembleia-Geral das Nações Unidas felicitou ainda Evo Morales por se encontrar bem depois de "heroicamente realizar uma greve de fome pelo seu país". Isto no mesmo dia em que o presidente da Bolívia recordou a expulsão de Cuba por parte da Organização de Estados Americanos. "Cuba foi expulsa por ser leninista, marxista, comunista. Eu quero dizer aos membros da OEA que me declaro marxista, leninista, comunista, socialista e agora que me expulsem da OEA. Não se pode acreditar que por se ser marxista-leninista se seja expulso da OEA", exclamou Evo.
O presidente da Assembleia-Geral das Nações Unidas felicitou ainda Evo Morales por se encontrar bem depois de "heroicamente realizar uma greve de fome pelo seu país". Isto no mesmo dia em que o presidente da Bolívia recordou a expulsão de Cuba por parte da Organização de Estados Americanos. "Cuba foi expulsa por ser leninista, marxista, comunista. Eu quero dizer aos membros da OEA que me declaro marxista, leninista, comunista, socialista e agora que me expulsem da OEA. Não se pode acreditar que por se ser marxista-leninista se seja expulso da OEA", exclamou Evo.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
Mais força p'ra lutar!
Os Xutos & Pontapés dizem muito na sua nova faixa "Sem eira nem beira". E repetimos como eles cantam: "Eu quero acreditar que esta merda vai mudar. E espero vir a ter uma vida bem melhor. Mas se eu nada fizer isto nunca vai mudar. Conseguir encontrar mais força p'ra lutar! Mais força p'ra lutar!"
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Uma voz portuguesa na Casa Branca
Finalmente, foi revelado o nome do cão da família Obama. Chama-se Bo e é um cão-de-água. A Rádio Moscovo soube que entre as razões que levaram o actual presidente norte-americano a escolher um canídeo português estão não só o facto de o pêlo ser hipoalergénico mas também a boa experiência com o actual presidente da Comissão Europeia. Segundo Barack Obama, se Bo tiver as mesmas características que Durão Barroso será, certamente, um cão fiel e adaptável a todas as mudanças. Para além disso, a experiência com uma longa linhagem de governantes portugueses demonstra que todos sabem lamber e seguir qualquer ordem. Mário Soares, Sá-Carneiro, Cavaco Silva, Guterres, Santana Lopes, José Sócrates e tantos outros demonstraram estar à altura do que se pede ao melhor amigo do homem. E dos Estados Unidos da América.
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