Um filme histórico. Praticamente desconhecido em Portugal, foi produzido na República Democrática Alemã pelos estúdios da DEFA. Retrata a vida do dirigente comunista Ernst Thälmann. Deixo aqui uma pequena parte com legendas da Rádio Moscovo. Há coisas que são tão válidas hoje como há 80 anos. A luta é o único caminho.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Autoeuropa: solidariedade com os trabalhadores!
A Rádio Moscovo está solidária com os trabalhadores da Autoeuropa e com a sua luta pela defesa dos postos de trabalho com dignidade. Esta é uma situação que envolve mais de 3 mil trabalhadores directos, milhares de indirectos, mais as famílias de ambos. Ontem, como já aqui referimos, romperam com o pré-acordo que havia entre a Comissão de Trabalhadores (CT) e a direcção da empresa. Uma vez mais, a Autoeuropa apresenta a chantagem dos despedimentos e a deslocalização da produção como forma de aumentar a exploração. Conseguiram-no uma vez mas falharam a segunda. Mais de 1300 operários rejeitaram pagar a crise uma vez mais. Também foi a falência de uma forma de negociação muito acarinhada por António Chora (coordenador da CT e dirigente do Bloco de Esquerda). A anterior notícia que colocámos teve um número exponencial de visitas e foi bastante comentada.
Um trabalhador dizia: "o problema não é trabalhar, nunca foi. Nós ganhávamos 150 euros num sábado e passámos a ganhar menos de metade e agora querem nos obrigar a trabalhar num sábado por uma mão de quase nada. Dizem que vão reduzir os dias de trabalho este ano mas querem dois sábados este ano. Porquê? Pela primeira vez desde que estou nesta fábrica, e já são vários anos, os trabalhadores uniram-se contra os que no dia 12 de Junho ficaram em casa. É que se a votação tem sido nesse dia o não ganhava com 90% porque as pessoas que votaram sim nunca vão trabalhar um sábado de borla".
Logo a seguir, uma série de comentários a apelar à conciliação - repetindo a chantagem patronal - e irritados com a decisão dos trabalhadores. Este trabalhador, e muito bem, recordou as tiradas de Belmiro de Azevedo e insinuou que qualquer dia poderiam estar a "trabalhar sete dias por semana sem receber". No fundo, António Chora e o seu "novo sindicalismo" estão bem ao jeito de Belmiro de Azevedo quando diz que era "muito bom que houvesse cada vez mais discursos pró mobilidade" e que "os sindicatos também se habituem" à ideia de que é "indispensável que exista" mobilidade, uma vez que "sem actividade económica não pode haver emprego".
Do que toda esta gente gostaria, naturalmente, era que os trabalhadores portugueses aceitassem um aumento da exploração sob a desculpa da crise e da falta de trabalho. Como sempre, aproveitam os piores momentos para a chantagem. Quando os trabalhadores e as suas famílias sofrem, os empresários agitam o fantasma do desemprego porque sabem que é quando há menor poder de negociação. Contudo, repito, nunca os vi aumentar os salários quando não havia crise.
Um trabalhador dizia: "o problema não é trabalhar, nunca foi. Nós ganhávamos 150 euros num sábado e passámos a ganhar menos de metade e agora querem nos obrigar a trabalhar num sábado por uma mão de quase nada. Dizem que vão reduzir os dias de trabalho este ano mas querem dois sábados este ano. Porquê? Pela primeira vez desde que estou nesta fábrica, e já são vários anos, os trabalhadores uniram-se contra os que no dia 12 de Junho ficaram em casa. É que se a votação tem sido nesse dia o não ganhava com 90% porque as pessoas que votaram sim nunca vão trabalhar um sábado de borla".
Logo a seguir, uma série de comentários a apelar à conciliação - repetindo a chantagem patronal - e irritados com a decisão dos trabalhadores. Este trabalhador, e muito bem, recordou as tiradas de Belmiro de Azevedo e insinuou que qualquer dia poderiam estar a "trabalhar sete dias por semana sem receber". No fundo, António Chora e o seu "novo sindicalismo" estão bem ao jeito de Belmiro de Azevedo quando diz que era "muito bom que houvesse cada vez mais discursos pró mobilidade" e que "os sindicatos também se habituem" à ideia de que é "indispensável que exista" mobilidade, uma vez que "sem actividade económica não pode haver emprego".
Do que toda esta gente gostaria, naturalmente, era que os trabalhadores portugueses aceitassem um aumento da exploração sob a desculpa da crise e da falta de trabalho. Como sempre, aproveitam os piores momentos para a chantagem. Quando os trabalhadores e as suas famílias sofrem, os empresários agitam o fantasma do desemprego porque sabem que é quando há menor poder de negociação. Contudo, repito, nunca os vi aumentar os salários quando não havia crise.
Trabalhadores da Autoeuropa rejeitam mais flexibilização
Os trabalhadores da Autoeuropa acabam de rejeitar por maioria o pré-acordo laboral que previa maior flexibilidade e que fora aprovado pela Comissão de Trabalhadores coordenada por António Chora. Este dirigente e ex-deputado do Bloco de Esquerda tinha sido apresentado como um exemplo de sindicalista moderno. Moderado e capaz de conciliar os interesses dos operários e dos patrões. Por diversas vezes, atacou violentamente a CGTP e o seu papel na Autoeuropa. Agora, certamente, virá a chantagem patronal. Culpabilizarão os operários e dirão que não quiseram fazer mais sacrificios. Mas quando a empresa estava no auge, não me recordo de ver os patrões a partilharem os lucros com quem os produziu.
Leiam aqui as mentiras e as ilusões pequeno-burguesas de António Chora:
Leiam aqui as mentiras e as ilusões pequeno-burguesas de António Chora:
"Os trabalhadores podem fazer alguns sacrifícios. A seguir à tempestade virá a bonança. O problema da Delphi e de outras empresas é que nem sequer se preocuparam em ter uma bonança." (António Chora)
"Os trabalhadores da Autoeuropa atingiram um grau de maturidade que falta noutros casos?" (jornalista) Estão é mais bem informados. Não só por parte da empresa, mas também por parte da Comissão de Trabalhadores. Isso mostra aos trabalhadores que vale a pena fazer agora alguns sacrifícios, para manter o emprego amanhã" (António Chora)
Kepa Junkera vem a Lisboa
O músico e compositor basco Kepa Junkera vem a Lisboa no dia 6 de Junho. O mestre da trikitixa, acordeão diatónico tradicional do País Basco, traz o folclore daquele povo ao S. Jorge. Deixamos aqui uma canção que não é totalmente elucidativa dos trabalhos de Kepa Junkera mas que ilustra o espírito festivo com que vive o povo basco. Nos próximos meses, aldeias, vilas e cidades vão encher-se de música e, certamente, de luta. Este vídeo que apresentamos é do hino da grande festa que se realiza em Bilbau no fim de Agosto. Milhares e milhares de pessoas abarrotam o centro histórico da cidade. Há barracas decoradas com signos culturais e políticos de Euskal Herria. Ali, serve-se comida, bebida e vende-se material político como t-shirts, cd's, cartazes, bandeiras, etc. Em cada esquina, há um concerto a acontecer e a festa parece que nunca acaba. Às oito da manhã, quando vamos dormir um pouco, já as ruas se enchem para assistir aos desportos tradicionais. E como estas festas têm sempre um forte cunho independentista e de esquerda, a repressão do Estado espanhol não deixa de se fazer sentir.
quarta-feira, 17 de junho de 2009
A crise da esquerda em Itália
O primeiro-ministro Silvio Berlusconi esteve envolvido num caso escaldante com uma menor napolitana? Este é o grande escândalo que agita Itália. Provavelmente, nunca o saberemos, apesar das fotografias com dezenas de jovens em topless na sua casa na Sardenha. Mas temos factos de que algo muito mais grave e com piores consequências para os trabalhadores italianos se está a passar. Para além das perseguições, agressões e homicidios contra imigrantes, das recentes patrulhas que vigiam as ruas com a farda fascista, da saudação romana, comummente conhecida como saudação nazi, feita pela ministra italiana do Turismo numa cerimónia oficial, não há esquerda parlamentar. Nem sequer social-democracia.
Diz-se que ali houve um dia o Partido Comunista mais forte da Europa Ocidental. Um partido que teve na sua organização mais de dois milhões de membros e que atingiu várias vezes os 30 por cento em outras tantas eleições. Que assumiu um papel fundamental na luta armada dos partigiani contra o nazi-fascismo e que deu um contributo importante para a cultura neo-realista através de grandes intelectuais. No fundo, a história italiana dos nossos dias é a história da derrota daquele partido.
De forma sucinta e demasiado breve, o Partido Comunista Italiano (PCI) começou por fazer demasiadas concessões à democracia burguesa. Depois, abraçou a corrente social-democrata do eurocomunismo. Em 1991, depois do fim da União Soviética, abre o congresso do PCI. Quando terminam os trabalhos, é já um cadáver. Por maioria clara de 807 votos a favor, dava-se o último suspiro do gigante moribundo. Agora, passa a chamar-se Partido Democrático da Esquerda.
Entretanto, um grupo de membros não adere à nova formação política e lança o Movimento da Refundação Comunista. A seguir, funda o Partido da Redundação Comunista (PRC). Contudo, nunca deixaria de estar em crise e o máximo que consegue a nível eleitoral é 8,5 por cento dos votos nas eleições legislativas de 1996. Seguem-se as concessões e os pactos governamentais com o primeiro governo de Romano Prodi. De seguida, em 1998, dá-se uma cisão e surge o Partido dos Comunistas Italianos (PdCI).
Nenhum desses partidos rompeu com a linha do PCI. De uma ou de outra forma, prosseguiram as teses fundamentais do eurocomunismo, alimentaram as concessões à democracia burguesa e os pactos para participar em governos que em muitos casos atacavam direitos fundamentais dos trabalhadores e se lançavam nas guerras criadas pelo imperialismo. Não deixaram de acreditar que a União Europeia é uma estrutura reformável e humanizável. Provavelmente, como o capitalismo. Como consequência, a Refundação Comunista criou com outros partidos europeus o Partido da Esquerda Europeia. Uma estrutura onde participa não só o PCE e o PCF mas também organizações como o Bloco de Esquerda e o Synapismos grego.
Nas últimas eleições legislativas, depois de terem participado no governo de Romano Prodi, nenhum dos dois partidos conseguiu eleger qualquer deputado. Agrupados na coligação Esquerda Arco-Íris, onde até se discutiu a retirada da foice e do martelo da campanha, sofreram uma pesada derrota nas eleições em que Silvio Berlusconi foi eleito primeiro-ministro. Nestas eleições europeias, a coligação teve o nome de Lista Anticapitalista mas dos sete eurodeputados eleitos em 2004 não elegeu nenhum. Neste momento, para além de eleitos pontuais em certas autarquias, não existe esquerda em qualquer órgão de âmbito nacional.
Como se chegou a este ponto? No fundamental, parece-me, para além dos graves desvios em questões fundamentais que já aqui se descreveu de forma breve, a rejeição do leninismo foi, é e será sempre motivo para que a esquerda não compreenda como se deve e por que se deve organizar e lutar. Recordava algumas teses em que Jean Salem reuniu as ideias de Lénine acerca da revolução. Dizia que "os revolucionários não devem renunciar à luta pelas reformas" mas que "os grandes problemas dos povos nunca serão resolvidos senão pela força".
Certamente, há comunistas em Itália. Alguns estão organizados no PRC e no PdCI, muitos outros não estão organizados em qualquer partido. Uns acreditam ser possível reformar os existentes, os outros crêem necessário criar uma organização de raiz. Qualquer uma das soluções é difícil. Mas a classe trabalhadora italiana já deu no passado exemplos da sua coragem. Provavelmente, os tempos que aí vêm serão complicados. E nestas coisas há sempre mais dúvidas do que certezas. Mas há algo sempre certo: já falta menos um dia.
terça-feira, 16 de junho de 2009
Como está Álvaro Cunhal?
Qualquer um que tenha viajado já experimentou esta estranha sensação. Normalmente, o pouco que os autóctones sabem de Portugal é sobre futebol. Recordo-me de um episódio em Marrocos onde crianças e adultos gritavam o nome de Luís Figo quando perceberam que éramos portugueses. Na Turquia, consegui ter uma conversa de hora e meia com um desconhecido que me falou sobre a amada, odiada pela família por ser muito mais velha, sobre a sua profissão e, claro, sobre o Benfica. À entrada da Síria, na fronteira, recebeu-nos com indiferença um homem vestido à civil sentado numa cadeira de praia. Sobre as pernas, uma kalashnikov e, nas mãos, uma revista. Mas quando viu o meu passaporte deu um salto e gritou: Cristiano Ronaldo! Não muito diferente daquele rapaz na insuspeita Venezuela onde todos adoram baseball e pouca importância dão ao futebol. Durante um concerto punk, bêbedo com rum Santa Teresa, conseguiu enumerar todos os clubes da primeira e da segunda divisão. Depois, secou os lábios, pôs-me o braço por cima do ombro e começou a entoar um dos cânticos do Benfica.
Recordo todos estes episódios porque aconteceu algo diferente em Cuba. Convidámos o nosso taxista para beber qualquer coisa e sentámo-nos numa esplanada de um bar numa qualquer localidade perto de Santa Clara. Explicou-nos que devido ao bloqueio o acesso à internet não é universal. Era um ávido leitor de jornais mas queria estar mais dentro da situação global. Recordo-me que das primeiras coisas que me perguntou foi sobre notícias da frente de guerra entre as FARC e o Estado colombiano. Passado um pouco, quando soube que era português perguntou: como está Álvaro Cunhal?
Recordo todos estes episódios porque aconteceu algo diferente em Cuba. Convidámos o nosso taxista para beber qualquer coisa e sentámo-nos numa esplanada de um bar numa qualquer localidade perto de Santa Clara. Explicou-nos que devido ao bloqueio o acesso à internet não é universal. Era um ávido leitor de jornais mas queria estar mais dentro da situação global. Recordo-me que das primeiras coisas que me perguntou foi sobre notícias da frente de guerra entre as FARC e o Estado colombiano. Passado um pouco, quando soube que era português perguntou: como está Álvaro Cunhal?
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Herói da URSS eleito eurodeputado na Letónia
Compreende-se perfeitamente porque ninguém fala disto. Na Letónia, onde o Partido Comunista está proibido, Alfred Rubiks, herói da União Soviética, presidente da autarquia da capital em 1991 e secretário do Comité Central do PCL, foi eleito eurodeputado no passado dia 7 de Junho. Quando se deu o colapso dos países socialistas no Leste da Europa, Alfred Rubiks defendeu a URSS e a adesão livre e voluntária da República Letã contra os nacionalistas contra-revolucionários e fascistas. Foi, então, condenado a oito anos de prisão. Cumpriu seis enquanto o seu país era destruido pela contra-revolução apoiada pelo imperialismo europeu e norte-americano. Hoje, 21 por cento da população vive debaixo da linha de pobreza e a produção industrial caiu 22 por cento.
Alfred Rubiks é o actual presidente do Partido Socialista da Letónia já que o PCL foi ilegalizado. Encabeçou a coligação eleitoral "Centro de Unidade" que ficou em segundo lugar nas eleições para o Parlamento Europeu. Obteve 19, 53 por cento dos votos e em Riga 34 por cento. Estes resultados revelam a crescente rejeição das massas na Letónia, quer sejam russófonas, letãs ou de outras nacionalidades, contra a colonização do país pelo imperialismo. Pela sentença que recebeu, Alfred Rubiks não pode ser eleito no seu país - não pode exercer cargos públicos - mas à mínima abertura democrática o povo letão deu o exemplo.
Alfred Rubiks é o actual presidente do Partido Socialista da Letónia já que o PCL foi ilegalizado. Encabeçou a coligação eleitoral "Centro de Unidade" que ficou em segundo lugar nas eleições para o Parlamento Europeu. Obteve 19, 53 por cento dos votos e em Riga 34 por cento. Estes resultados revelam a crescente rejeição das massas na Letónia, quer sejam russófonas, letãs ou de outras nacionalidades, contra a colonização do país pelo imperialismo. Pela sentença que recebeu, Alfred Rubiks não pode ser eleito no seu país - não pode exercer cargos públicos - mas à mínima abertura democrática o povo letão deu o exemplo.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
