domingo, 5 de julho de 2009

Todos esperam Manuel Zelaya

A qualquer momento, chegará Manuel Zelaya ao aeroporto de Tegucigalpa, capital das Honduras. Um momento histórico que pode ser acompanhado através da Telesur. Chegam com ele o secretário-geral das Nações Unidas. Milhares de pessoas concentram-se junto ao aeroporto que os militares e a polícia têm ocupado. Sabe-se que não há autorização para a aterragem. O desfecho é imprevisível mas a justiça está do lado do povo hondurenho e do seu presidente.

sábado, 4 de julho de 2009

A ofensiva diplomática da OEA nas Honduras

Ontem à noite, o golpista Roberto Micheletti anunciou a retirada das Honduras da Organização dos Estados Americanos [OEA]. Esta foi a resposta ao ultimato apresentado pelo secretário-geral dessa estrutura que viajou àquele país da América Central. Nas ruas, concentram-se milhares de pessoas. Desta vez, com a mobilização da direita hondurenha para mostrar algum apoio interno à actual situação política. Contudo, por todo o país, há uma grande expectativa sobre a chegada do legítimo presidente Manuel Zelaya, o que pode acontecer entre hoje e amanhã.

Nos últimos dias, algumas forças políticas latino-americanas de esquerda alertavam para a "armadilha da OEA". Mostravam-se preocupadas pelo adiamento da chegada de Manuel Zelaya a Tegucigalpa e para o reforço do apoio dos golpistas. Na verdade, o tempo joga a favor dos que usurparam o poder através do golpe de Estado. E ter-se adiado a viagem do presidente constitucional por causa da ofensiva diplomática da OEA, pode ter sido um erro.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Pick me! Pick me!


O Bloco de Esquerda queria ficar na fotografia e não sabia como. Primeiro, escreveram um comunicado a exigir um pedido de desculpa a Manuel Pinho pelo gesto que dirigiu à sua bancada. Depois, escreveram a notícia sobre o acontecimento apagando Bernardino Soares e o PCP da fotografia. E não daria qualquer importância ao caso, não fosse o Bloco de Esquerda estar sempre a acusar outros de apagar gente das fotografias. É que atirar pedras ao ar quando se tem telhados de vidro...

Manuel Pinho no seu melhor


Manuel Pinho teve de se demitir do governo mas a Rádio Moscovo sabe que já arranjou trabalho. E não é numa empresa favorecida pelo executivo de José Sócrates mas numa corrida de touros em Barrancos.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Honduras: o cerco aperta-se

A ofensiva golpista prossegue. Agora, os deputados que apoiam o governo fascista de Micheletti aprovaram o Estado de Sítio. Naturalmente, não o denominam assim. Sob a mesma fachada democrática com que tentaram mascarar o golpe de Estado tentam agora justificar a restrição de direitos e liberdades. Para além do ataque ao direito de reunião, associação, manifestação e circulação, a polícia pode agora violar o domicílio sem qualquer aprovação judicial. É suspensão das garantias constitucionais por um governo que diz não ter cometido qualquer golpe.

Nas ruas, o povo desafia os golpistas. Com grande coragem, podemos vê-los manifestar-se por todo o país através da Telesur porque a comunicação social hondurenha continua sob a censura apertada dos gorilas de Micheletti. Enfrentam a repressão e a brutalidade porque sabem que o governo de Manuel Zelaya foi o único que teve preocupações com as aspirações da classe trabalhadora. O legítimo presidente das Honduras não é comunista, nem sequer socialista, mas tomou corajosas decisões que provocaram a fúria de uma oligarquia habituada a concentrar em si todo o poder político e económico.

Entretanto, o mundo aperta o cerco. Não há um só Estado que apoie o golpe de Estado. E se isso acontece muito se deve à unidade e ao reforço da esquerda na América Latina. Noutras circunstâncias, provavelmente, os Estados Unidos e a União Europeia não condenariam o golpe como não fizeram há sete anos com a Venezuela. Contudo, isto não quer dizer que a CIA não esteja envolvida no que se passa nas Honduras. Mesmo dentro do governo norte-americano já ouvimos declarações ambíguas como as que proferiu Hillary Clinton apelando à conciliação entre golpistas e constitucionais. E entre os neo-conservadores há um claro apoio à acção da oligarquia hondurenha. Um apoio que na Europa é protagonizado por José Maria Aznar.

Em Portugal, há um silêncio ensurdecedor sobre o assunto. Sinceramente, não sei se o Bloco de Esquerda tomou alguma posição mas até agora só assistimos à condenação clara do golpe de Estado por parte do PCP. Do governo, naturalmente, nem uma palavra. O ministro português dos Negócios Estrangeiros mais ocupado em bajular os Estados Unidos e em apoiar a ofensiva contra o povo afegão não se referiu uma única vez às Honduras e José Sócrates nem aproveitou o seu novo perfil de comiseração para condenar o golpe e solidarizar-se com a democracia.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Palavras Resistentes

"[...] Creio que foi por essa altura que resolveram dar uma existência organizada à luta contra a injustiça. Quando imprimiram o meu nome nos jornais produzidos na velha tipografia escondida dos olhos da polícia, a realidade endureceu. Vieram as greves e as manifestações. Vieram as prisões e as torturas. As mães dos operários encheram os cemitérios ao Domingo. Como um grito vermelho na noite escura, os cravos resistiam nos seus fatos enlutados. Muitos tombaram por não revelarem o meu nome. “Filho da puta comunista!”, saía dos peitos encharcados de ódio dos carcereiros. Depois a tortura do sono até à exaustão. O cavalo-marinho. As beatas apagadas nos mamilos. Os eléctrodos nos genitais. A asfixia por afogamento na banheira. [...]"

no novo blogue Palavras Resistentes

Lê e divulga. Passa a outro e não ao mesmo.

PCP condena golpe de Estado nas Honduras

Sobre o golpe de estado nas Honduras

O PCP condena firmemente o golpe de estado consumado nas Honduras no domingo, 28 de Junho, visando impedir a livre expressão política do povo hondurenho e liquidar o processo democrático em curso no país. Expressa a sua solidariedade com a resistência e a crescente mobilização dos trabalhadores, das massas populares e das forças democráticas e progressistas hondurenhas pelo imediato restabelecimento da legalidade democrática naquele país da América Central.

Do mesmo modo, o PCP expressa o mais profundo repúdio e inquietação perante as medidas de repressão empregues contra o movimento popular que se manifesta nas ruas e a instauração pelo poder golpista de um regime de bloqueio informativo e cerceamento das liberdades, que trazem à memória um negro passado recente de golpes militares fascistas nas Honduras e na América Central e Latina em geral.

O PCP, valorizando a generalizada condenação internacional do golpe e as vastas acções de solidariedade com o povo hondurenho, muito especialmente por parte das forças revolucionárias e progressistas latino-americanas, alerta para eventuais manobras que, a coberto da condenação formal do golpe de Estado que afastou o presidente das Honduras, Manuel Zelaya, pretendam na realidade legitimar os objectivos deste acto anti-constitucional perpetrado pela oligarquia e as forças mais retrógradas hondurenhas, dando continuidade às tentativas do imperialismo para travar e fazer reverter os processos de emancipação e cooperação entre os povos que hoje se afirmam na América Latina e Caraíbas.

01.7.2009

O Gabinete de Imprensa do PCP