sábado, 19 de setembro de 2009

Feios, Porcos e Maus

Apesar de estarmos em tempo de vindimas, por estes dias, não se lavam cestos. Lava-se, sim, muita roupa suja e em público. Os partidos da burguesia batem-se na arena tentando conquistar os votos que lhes bastam para prosseguir o domínio nos próximos quatro anos. Como as diferenças no campo político são mínimas, a batalha tem de se travar com outro tipo de armas que não incluem o debate sobre temas essenciais.

Depois da questão de Manuela Moura Guedes - de que se suspeita que possa ser jornalista - e de José Sócrates - de que se suspeita que possa ser licenciado -, surgem novas peças de roupa para lavar. Desta vez, roupa interior bem suja. Saíram notícias de que o PSD paga a militantes para que votem no próprio partido. Outras, destacam que destacados dirigentes do Bloco de Esquerda investiram em PPR's e em acções. Mas a notícia que marca a actualidade informativa é a de que o Público tem lançado a suspeita de espionagem governamental sobre a Presidência da República com base numa encomenda feita por um assessor de Cavaco Silva.

Foi a este ponto que a campanha eleitoral chegou. Para gáudio da comunicação social, que é por este tipo de notícias que se orienta. Sobre o PCP, nicles, niente, rien, nada. Porquê? Porque não protagoniza escândalos. Como afirmava José Alberto Carvalho, director de informação da RTP, numa audiência parlamentar, o PCP tem um discurso mimético e pouco atractivo, sabe-se sempre o que vão dizer. Os diversos comentadores do PCP alinham todos pela mesma bitola. E como o que importa, nestas coisas, é a incoerência, a contradição e o espectáculo, o PCP fica de fora.

Mas esta versão politizada do Feios, Porcos e Maus, inteligente filme de Ettore Scola, tem um fundo de verdade. Na película italiana, o velho Giacinto, que recebeu uma indemnização por ter perdido um olho num acidente de trabalho, vê a fortuna cobiçada pela família que a quer roubar. Todos os estratagemas são válidos. E, no final, tentam envenenar Giacinto. Por cá, ainda não chegaram a tanto. Mas o nível dos ataques já desceu abaixo das tubagens de esgotos.

O caso das escutas configura um assunto muito grave. Num país normal, um dos dois demitir-se-ia. O Presidente da República ou o primeiro-ministro. Mas como vivemos em Portugal, tanto um como o outro adiaram a questão para depois do acto eleitoral. Contudo, há algo que me repugna. A ser verdade, o conteúdo do e-mail de Luciano Alvarez, dirigido a José Talentino Nóbrega, representa uma violação grave dos princípios mais básicos do Código Deontológico pelo qual se orienta - ou devia orientar-se - o jornalismo em Portugal. E indicia aquilo que muitos de nós sabemos, a comunicação social serve os interesses da classe que domina e este é um exemplo de como se pode orientar uma investigação jornalística a partir de fontes que estabelecem como deve ser a notícia (que as beneficia).

Neste aspecto, Belmiro de Azevedo, patrão da Sonae, e por sua vez do Público, foi esclarecedor. Não só se solidarizou com o jornal como exortou os trabalhadores a não se deixarem assustar pelos governantes. Mas, mais uma vez, trouxe para a ribalta um elemento que clarifica a posição dos comunistas sobre a comunicação social. O governo quer influenciar o jornal "sem pôr lá dinheiro nenhum", acusou. E devemos agradecer-lhe a honestidade. Afinal, assume que o Público serve os interesses de quem o financia e podemos, agora, compreender melhor porque vale a pena manter um jornal que dá prejuízo. A verdade, é que o Público, como ferramenta de propaganda do capital, vale cada euro de prejuízo. E vale cada pontapé de José Talentino Nóbrega na língua portuguesa. Não fosse este um caso sério e estariamos a discutir como pode um jornalista escrever pior que uma criança de doze anos.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

"Política do Medo"


Os grupos Violadores del Verso e Soziedad Alkoholika juntaram-se para lançar uma potente faixa que denuncia as mentiras e o medo usados como arma política pelos que dominam. Também isso está em jogo nas eleições legislativas no nosso país. Nas últimas eleições, como me dizia um amigo, os ricos foram eleitos com os votos dos pobres. É assim há mais de 30 anos. E só o voto na CDU, onde participa o Partido da classe operária e de todos os trabalhadores, pode mudar isso. É a batalha do momento. Depois, não vale a pena desarregaçar as mangas. A luta é o único caminho.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

CDU organiza debate sobre a Comunicação Social

A comunicação social vive dias difíceis. Os despedimentos, a precariedade, o Estatuto do Jornalista e a concentração dos meios de comunicação, contribuem não só para piores condições laborais mas também para um jornalismo menos democrático e de pior qualidade. Neste contexto, a CDU convida-te a debater a realidade do sector na próxima quinta-feira, 17 de Setembro, às 18h30, na Casa da Imprensa. Participa e divulga.

Participação:

Rosário Rato, Vice-Presidente do Sindicato dos Jornalistas
Alferes Gonçalves, Jornalista
Bruno Dias, Deputado do PCP à Assembleia da República

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Victor Jara, presente!


"Los que mueren por el pueblo no pueden llamarse muertos" (Ali Primera)

Nota: No mesmo dia em que se assinala o golpe de Estado no Chile, morreu um dos heróis da revolução cubana. O comandante Almeida faleceu aos 82 anos. Participou no assalto ao Quartel Moncada e foi um dos guerrilheiros que a partir da Sierra Maestra plantou a liberdade. Almeida era ainda o vice-presidente de Cuba. É dele a célebre resposta às ordens de rendição por parte das tropas de Batista: "Aqui no se rinde nadie, carajo!"

Obama igual a Bush

O governo dos Estados Unidos afirmou esta quinta-feira que o seu homólogo colombiano respeita os direitos humanos e que por isso o Congresso norte-americano pode autorizar as verbas destinadas às Forças Armadas da Colômbia. Penso que, com isto, está tudo dito sobre a seriedade e a suposta honestidade do presidente Barack Obama perante quem a social-democracia europeia se ajoelhou. Mas também está tudo dito sobre o seu carácter democrático. Depois de todas as contradições na avaliação dos Estados Unidos do golpe de Estado nas Honduras, o Comando Sul das Forças Armadas norte-americanas vai realizar manobras militares conjuntas com as sua congénere hondurenha, protagonista da acção fascista que derrubou o legítimo governo de Manuel Zelaya. Isto depois de Washington ter afirmado, no mês passado, que suspenderia toda a cooperação militar com o golpista Micheletti. Palavras para quê?

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Sobre emissão de hoje

Talvez tenham conseguido reparar, o programa 'Aló 23' começou e acabou uma hora mais cedo. Agora, emite a partir das 16 horas (21h30) e acaba às 18 horas (23h30). Infelizmente, não só não fui avisado em tempo útil como não pude informar-vos. Peço desculpa e deixo então a informação de que a minha participação passará a ser entre as 23h e as 23h30.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Todos à Festa do «Avante!»

"Tornaste-me indestrutível porque, graças a ti, não termino em mim mesmo".

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Sintoniza a emissora anti-imperialista!

A partir de agora, a participação de um dos editores da Rádio Moscovo no programa semanal Aló 23 da emissora venezuelana Al Son del 23 passa a estar disponível online. Todas as terças-feiras, entre as 23.30 e as 24, um resumo dos principais acontecimentos políticos internacionais sob a voz de Pedro Bala.

A rádio Al Son del 23 é uma das principais emissoras livres da Venezuela. Situa-se no bairro 23 de Enero, na Casa de Encuentro Freddy Parra. Ali, onde antes estava uma esquadra da polícia e das forças anti-guerrilheiras, a população ao lado de organizações revolucionárias, onde se destaca a Coordenadora Simón Bolívar, levantou-se a emissora do povo.

Esta semana, demos nota da campanha mediática na Europa e Estados Unidos contra a Venezuela e contra a Lei Orgânica da Educação. Referimos as eleições fraudulentas no Afeganistão e a queda de popularidade de Barack Obama por não avançar com reformas no sistema de saúde. Destacámos a presença de uma delegação do PCP no Fórum de São Paulo, o encontro do eurodeputado João Ferreira com o presidente hondurenho Manuel Zelaya e o seu périplo pela capital hondurenha, Tegucigalpa, para se encontrar com diversas organizações progressistas e democráticas. Inevitavelmente, descrevemos o que é a Festa do Avante! e como é construída, só possível por ser organizada por um Partido Comunista revolucionário e militante. Para terminar, a denúncia da prisão de uma cidadã basca de 60 anos que foi condenada a 7 anos por insultar uma autarca do PP que venceu na sua localidade porque o partido mais votado foi ilegalizado.

Na próxima semana, já sabem. Sintonizem a emissora Al Son del 23, que na Venezuela ocupa a frequência 94.7 FM, entre as 23.30 e as 24. Contudo, aproveitem para ouvir todo o programa que começa às 22.30 e acaba às 24.30 e que é conduzido por Gustavo Rodriguez, um dos fundadores da guerrilha tupamaro nas ruas e becos das favelas de Caracas.

domingo, 23 de agosto de 2009

"Quando o povo acorda é sempre cedo"


Antigos membros do já extinto grupo basco Skalariak criaram os Vendetta

Como os nossos leitores já devem ter reparado, a produção da Rádio Moscovo não só diminuiu como perdeu profundidade nos textos apresentados. A Festa do «Avante!» e as batalhas eleitorais que se avizinham merecem uma prioridade que, justamente, retiram a disponibilidade necessária para a actualização que se exigia. Contudo, procuraremos, dentro do possível, manter a emissão aberta sobre o que se passa em Portugal e no mundo.

Na América Latina, as contradições agudizam-se. A decisão de impor ao povos latino-americanos sete bases militares norte-americanas na Colômbia agravou as relações entre vários países daquela região do globo. O objectivo dos Estados Unidos não é outro que o de combater a influência da linha bolivariana e o de vietnamizar a Colômbia, onde combatem as heróicas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC-EP).

Na Venezuela, a oposição tenta uma vez mais provocar o caos. Desta vez, o propósito é o de derrotar a Lei Orgânica da Educação (LOE). Nas ruas da capital, organizaram uma manifestação violenta provocando vários estragos. Os confrontos não são uma novidade. Há mais de uma semana, jornalistas protestaram também contra esta lei. Nesse contexto, foram agredidos e não em trabalho como se tenta fazer passar em toda a imprensa europeia. A resposta às tentativas de destabilização não se fez esperar e centenas de milhares de venezuelanos encheram Caracas para apoiar a LOE. Mas há que estar atento. A tensão cresce e alguns opositores já afirmam que se vivem dias como os prévios ao golpe de Estado.

Nas Honduras, nada mudou. Como a Rádio Moscovo havia afirmado, apesar de bem intencionado, Manuel Zelaya não esteve à altura do que se lhe exigia. Deixou-se enredar pelos cantos de sereia da pseudo-neutralidade imperialista. Quando percebeu o logro era tarde. Depois deixou-se cair num pacifismo inexplicável perante a violência fascista. Apesar disso, o povo prossegue jornadas históricas de luta contra a ditadura de Micheletti e companhia. Porque "quando o povo acorda é sempre cedo".

Em Portugal, a comunicação social encaminha-se para continuar o que sempre tem feito. Bipolariza a campanha eleitoral, destaca o Bloco de Esquerda e censura o PCP. Devemos, portanto, através do melhor instrumento de luta que tem o povo português, o Partido, levar a luta da classe trabalhadora até ao voto na ruptura com as políticas de direita e numa verdadeira alternativa de esquerda. Com uma forte bancada parlamentar do PCP, estaremos em melhores condições de levar a voz da luta de massas aos órgãos da burguesia. Porque, perante o cenário político que se apresenta, inevitavelmente, teremos que reforçar e radicalizar a luta.

Nesse combate, não estará presente o actor comunista Morais e Castro. Mas estará a sua bandeira e a de tantos outros que não estando vivos nunca estarão mortos. Porque o Partido não é só os que estão, é também aqueles que estiveram.

sábado, 22 de agosto de 2009

Carolina Patrocínio: diz-me com quem andas...

A mandatária do PS para a juventude é perfeita. Carolina Patrocínio encarna o individualismo, a futilidade e o conservadorismo. Faz gala de ser filha de uma família rica, de que não gosta de passar despercebida e de que odeia os caroços da fruta. Só a come quando a empregada lhe tira as graínhas. O homem dos seus sonhos terá de pedir ao pai a sua mão em casamento. Vale a pena perder tempo a conhecer o retrato desta jovem apoiante do PS. Faz-nos ter mais a certeza de que estamos do lado certo da barricada. E de que eles estão do outro lado.

Entrevista a Carolina Patrocínio

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Zeca Afonso e os jovens

terça-feira, 11 de agosto de 2009

E quando a corja topa da janela...

Ontem, o blogue 31 da Armada içou a bandeira da monarquia portuguesa na Câmara Municipal de Lisboa. Muito próprio de um país que vive ventos muito diferentes daqueles que sopraram entre 1974 e 1975. Voltaram os empresários, os torturadores e os bombistas, que em muitos casos são as três coisas. As televisões promovem concursos e telenovelas que destacam ditadores de outros tempos. A extrema-direita ameaça e agride. Um ex-membro da União Nacional que é presidente da Região Autónoma da Madeira propõe a criminalização do comunismo e a direita parlamentar aplaude lado a lado com directores de importantes jornais e revistas. Caem cargas policiais sobre os trabalhadores, são detidos sindicalistas, julgam-se jovens comunistas e antifascistas por pintarem murais. Monta-se um gigantesco aparelho de vigilância sobre os cidadãos com a colaboração dos operadores de telecomunicações. Ameaça-se com a criminalização da apologia do "terrorismo". E que outra opção nos sobra senão a luta?

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Hip Hop de intervenção


Immortal Technique interpreta Golpe de Estado. Vê a letra aqui.

Ataque brutal contra democracia e liberdade

A partir de hoje, os registos das comunicações que produzimos através de telefone móvel e fixo e através da internet vão ficar armazenados nos operadores de telecomunicações à disposição da justiça durante um ano. Como podem ler na lei, as nossas chamadas, os nossos e-mails, os nossos sms, os endereços que visitamos na internet, tudo isso vai ser alvo de retenção. A data, a hora do inicio e do fim e a duração das comunicações, com quem comunicamos e a localização mas - dizem eles - não o conteúdo.

Esta é uma directiva europeia aplicada agora na nossa legislação e que foi implementada primeiro em Inglaterra depois dos atentados no metro de Londres. Não só é um ataque brutal à privacidade mas mais do que isso é um violento atentado à democracia. Desde o 11 de Setembro de 2001 que o "terrorismo" serviu de desculpa à vaga securitária que tanto a burguesia desejava. Impor uma legislação que permitisse a vigilância total sobre os cidadãos era um desejo antigo.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

ETA: 50 anos de luta

"A luta armada é desagradável. Não agrada a ninguém e é dura. Como consequência, vai-se para a prisão, para o exílio, é-se torturado. Como consequência, pode-se morrer, é-se obrigado a matar e a pessoa endurece-se. Isso dói. Mas a luta armada é imprescindível para avançar. O governo espanhol sustem-se através do apoio do Exército e das Forças Repressivas. Para lutar contra esta força é imprescindível a força armada do povo. É indispensável que o povo organize a luta armada, na clandestinidade, na ETA."

Foi assim que 'Argala' descreveu o drama de gerações e gerações de bascos. E, provavelmente, não esperava que, ainda em 2009, as prisões espanholas e francesas estivessem a abarrotar de presos políticos bascos. Uma cifra impressionante: mais de 800 homens e mulheres encarcerados em ambos os Estados. Em todo o mundo, centenas de bascos vivem no exílio, estão deportados ou, simplesmente, na clandestinidade. Há alguns meses, desapareceu, em estranhas circunstâncias, um militante da ETA no que parece ser um prenúncio de tempos que não desapareceram. Desde então, as ruas e avenidas do País Basco enchem-se de manifestações denunciando. Na década de 70 e de 80, grupos armados, treinados e financiados pelo Estado espanhol torturaram e assassinaram políticos da esquerda independentista. Membros das Forças Armadas e de Segurança, assim como políticos, foram julgados e condenados. Cinco anos depois estavam em liberdade e, em alguns casos, condecorados com direito a subida na carreira. Muito diferente das penas a que estão sujeitos os independentistas bascos. Por exemplo, 'Gatza' está há 29 anos na prisão, mais do que Nelson Mandela. Essas acções de terrorismo de Estado conduzidas pelo governo de Felipe González provocaram um grande escândalo e arredaram a violência para o âmbito policial e militar. E apesar de os governantes e os jornais espanhóis insistirem que é uma estratégia da ETA para descredibilizar o Estado, a verdade é que a própria ONU reconheceu várias vezes o recurso à tortura contra cidadãos bascos. Desde a simulação do afogamento em banheiras, choques eléctricos nas zonas genitais, corte da respiração através de sacos de plástico, penetração de pistola na vagina com ameaça de disparo, vapores alucinogénicos, gravações de gente a ser torturada ou o habitual espancamento, tudo é possível para tentar arrancar uma confissão mesmo que falsa. Isto durante os dias que dura a incomunicação, um período aprovado pelo parlamento nacional e no qual os detidos não têm qualquer acesso ao mundo exterior. Nem ao contacto com a família ou com o advogado.

No País Basco, sente-se a tensão. Quase todas as organizações são ilegais. Nas últimas eleições municipais, a esquerda independentista ganhou em muitas localidades mas como os votos foram considerados nulos a presidência da Câmara Municipal passou, como por exemplo em Lizartza, para as mãos do Partido Popular que obteve a minoria absoluta de 12 votos. As pessoas revoltam-se. Têm familiares presos, as casas da juventude, antigos espaços abandonados ocupados, desalojadas pela força, manifestações proibidas e reprimidas a tiro. A sociedade basca vive num regime fascista em que uma boa parte da cidadania não pode expressar democraticamente a sua vontade. Há poucos dias, duas raparigas foram detidas porque levavam autocolantes independentistas. Um exemplo caricato desta democracia de fachada que há poucos meses decidiu arrancar as placas toponímicas que existiam há décadas nas ruas e avenidas do País Basco. O delito? Terem nomes de homens e mulheres que haviam sido combatentes da ETA. Das placas passaram para os cartazes. Em cada localidade, os familiares e amigos dos presos expõem publicamente as suas fotografias como forma de denúncia. Nas ruas, nos bares, nas fachadas das casas, qualquer lugar é bom para protestar. Mas agora, o Estado espanhol decidiu arrancar todas esses cartazes, faixas e pichagens e prender todos aqueles que participem nessa forma de protesto.

Agora tudo é pior. O PSOE está no governo do País Basco. Numa manobra inteligente, a ilegalização da esquerda independentista desequilibrou a balança de votantes que pendeu para o lado espanhol. Os partidos espanholistas como o PSOE, o PP e a UPD receberam mais votos que o PNV, a EA, a Aralar e a IU. Contudo, a maioria da população votou a favor da opção soberanista. Ou seja, aproximam-se anos muito duros para a esquerda independentista. Depois da proibição de jornais, rádios, organizações juvenis, associações humanitárias e de partidos políticos a situação ainda pode piorar. Os últimos redutos legais encontram-se no sindicato LAB, na organização de solidariedade internacionalista Askapena e em associações culturais. Tudo o resto move-se na clandestinidade. Há dias, incendiaram parte da casa dos pais de dois jovens independentistas bascos. Semanas depois, um grupo de homens combinou um trabalho com um independentista basco, operário da construção civil, e ao chegarem ao encontro raptaram-no e torturaram-no.

Há quem culpe a ETA pela actual situação. Mas a organização já afirmou estar disposta a negociar. Em troca de um referendo pela autodeterminação baixam as armas, incondicionalmente. Ou seja, é a única condição que apresentam para abandonar a luta armada. O receio de que ganhe a opção independentista e o efeito-dominó sobre a Catalunha e a Galiza assustam o Estado espanhol. Para além disso, a ETA assume-se como marxista-leninista e o socialismo mantém-se no seu discurso. Nas últimas negociações, ambos acordaram baixar as armas. A ETA não atacava e o Estado espanhol suspendia a repressão. Durante mais de um ano, durante a trégua, dezenas e dezenas de militantes independentistas foram presos e torturados. O Estado espanhol nunca cumpriu o acordado. A ETA cumpriu-o até que se fartou e fez explodir o estacionamento do Aeroporto de Barajas. Desde que surgiu, há 50 anos, a ETA tem estabelecido vários processos de negociação. Todos abortados pela intransigência dos representantes espanhóis que chegaram ao cúmulo de mandar prender os negociadores bascos.

Portugal teve e tem grandes amigos bascos. Vários dirigentes históricos da esquerda independentista viram na revolução de Abril uma mensagem de esperança para a luta que se vivia contra o franquismo. Por isso, muitos deles marcaram ao longo dos anos presença nas comemorações do 25 de Abril. Um deles, Joseba Alvarez, responsável pelas relações internacionais do Batasuna, encontra-se preso há mais de dois anos. Outro, que sempre teve um grande carinho pelo povo português morreu há poucos meses. Bernardo Arregi 'Tito' foi um dos que perdeu a juventude nas prisões espanholas. Depois de ter rebentado com um tanque militar espanhol, esteve cerca de 15 anos preso. Se lhe perguntassem se perderia outra vez a juventude por lutar por um País Basco livre e socialista, ele responderia que sim.

Podemos ser a favor ou contra a ETA. Isso não importa. O que importa é compreender que é um fenómeno com raízes políticas, económicas e culturais e que enquanto se derem as razões que a sustentam ela terá condições para existir. Por muito que o Estado espanhol diga, semanalmente, que está derrotada, há-de haver sempre jovens dispostos a sacrificar-se já não só pela independência e o socialismo mas também pela própria democracia. Amanhã, a ETA comemora 50 anos. Ontem e hoje, provaram que estão operacionais. Está na hora de acabar com a violência. A solução para o conflito é uma: que os bascos possam decidir o seu próprio futuro.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

FARC, a desculpa para tudo

Depois da decisão do governo colombiano de aceitar a transferência da maior base norte-americana na América Latina, a Base de Manta, no Equador, para o seu território, Álvaro Uribe dispara em todas as direcções. O repúdio geral que recebeu a sua decisão, tanto a nível interno como a nível externo, não só o enfraqueceu como o fez resgatar o já velho truque do computador de Raúl Reyes. Mas com novos artigos ilusionistas.

Um vídeo, supostamente enviado por uma guerrilheira ao governo, mostrava o heróico comandante Mono Jojoy a declarar aos combatentes das FARC que a organização comunista havia apoiado financeiramente a campanha eleitoral de Rafael Correa no Equador. Como se um assunto tão delicado como este pudesse ser referido com esta ligeireza. Para além disso, sabe-se que a operação militar, apoiada pelos Estados Unidos e por Israel, que levou à libertação de Ingrid Betancourt e de outros soldados, teve sucesso devido à infiltração nas comunicações da guerrilha. A imitação perfeita das vozes de comandantes levou ao engano e à execução de uma falsa ordem de libertação dos presos. Sabe-se que a capacidade da inteligência dos Estados Unidos e de Israel é quase infinita face aos movimentos de resistência. Agora, é a vez de Álvaro Uribe acusar Hugo Chávez de armar as FARC com material anti-tanque e com lança-foguetes de fabricação sueca.

De qualquer forma, não se tratam de assuntos melindrosos. A Rádio Moscovo apoia as FARC-EP e, nesse sentido, aplaude aqueles que rompam a parede de silêncio e ajudem o povo colombiano a resistir ao fascismo e ao imperialismo. Mas não acreditamos que Hugo Chávez e Rafael Correa tenham relações com as FARC. Assim como não acreditamos na mentira que circula agora nas Honduras. Os militares dizem que o povo que resiste nas ruas ao golpe de Estado são financiados pelas FARC...

domingo, 26 de julho de 2009

Viva Cuba socialista!


Hoje, é dia 26 de Julho. As ruas e avenidas de Cuba vão encher-se de festa. Recorda-se o ataque ao Quartel Moncada, em Santiago, pelas forças rebeldes dirigidas por Fidel Castro. Apesar da derrota, do assassinato, da tortura e da prisão, os sobreviventes daquela acção não demoraram a retomar a luta contra ditadura e a conquistar o apoio de toda a população. Seis anos depois, os guerrilheiros da Sierra Maestra, com Camilo Cienfuegos e Che Guevara, entravam em Havana. E apesar de todas as décadas de bloqueio por parte do imperialismo a pátria de José Martí resiste.

sábado, 25 de julho de 2009

25 de Julho: dia da pátria galega

Ao 25 de Julho deste ano, não vão faltar Giana e Ugio, presos políticos galegos libertados em Novembro do ano passado.

Nota: Membros da organização juvenil independentista galega Briga enviaram este vídeo à Rádio Moscovo que foi projectado no passado dia 24 durante as comemorações do dia da pátria.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

CGTP apela à solidariedade internacionalista!

Solidariedade com os trabalhadores e o povo das Honduras

Dia 28 de Julho, pelas 19H00
frente ao Consulado das Honduras
em Lisboa (Praça do Rossio, Nº 45)

A CGTP-IN, solidária com os trabalhadores, sindicatos e povo hondurenhos, considera que os trabalhadores e o povo português não podem ficar indiferentes face às inaceitáveis violações dos direitos humanos e da soberania do povo das Honduras.

A acção da CGTP-IN, no plano internacional, rege-se por um conjunto de princípios e valores fundamentais, onde se inscreve a solidariedade com os trabalhadores e povos que, pelo mundo, lutam contra a exploração e a opressão ou a agressão imperialista, pela justiça e pelo progresso, pela democracia, pela independência, pela paz.

Razão porque, desde a primeira hora, a CGTP-IN tomou posição pública de firme repúdio do criminoso golpe militar que, no passado dia 28 de Junho, ocorreu nas Honduras, sequestrando e expulsando do país o presidente democraticamente eleito, Manuel Zelaya.

Um golpe perpetrado com o apoio da extrema-direita e dos sectores mais reaccionários das Honduras, receosos dos resultados da consulta popular convocada pelo presidente Zelaya para decidir sobre a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte, que viesse a plasmar, na Constituição, as mudanças democráticas que têm vindo a ter lugar.

Seguiu-se o decretar do Estado de Sítio, a militarização e o controlo das principais cidades, a investida violenta face à resposta popular, a censura mediática, a repressão sobre os trabalhadores, os sindicatos e movimentos sociais e populares, tendo já havido numerosas detenções e mortes que têm sido denunciadas por entidades de defesa dos direitos humanos.

Para travar este brutal esmagamento da esperança do povo hondurenho, está a consolidar-se uma grande resistência popular neste país centro americano, apesar da forte vigilância e repressão dos golpistas. Diariamente, as manifestações populares sucedem-se por todo o país, tendo sido convocada uma greve geral e lançado um apelo à comunidade internacional para se solidarizar com o povo das Honduras e mostrar com veemência o seu repúdio da ditadura e da brutal repressão iniciada desde o golpe militar.

A CGTP-IN, solidária com os trabalhadores, sindicatos e povo hondurenhos, considera que os trabalhadores e o povo português não podem ficar indiferentes face a estas inaceitáveis violações dos direitos humanos e da soberania do povo das Honduras.

Assim, apelamos às estruturas sindicais, em particular dos Distritos de Lisboa e Setúbal, para que mobilizem os trabalhadores e participem neste acto de protesto que a CGTP-IN promove, em conjunto com um amplo grupo de pessoas e entidades, no próximo dia 28 de Julho, pelas 19H00, frente ao Consulado das Honduras em Lisboa (Praça do Rossio, Nº 45).

Pelo restabelecimento da democracia, sem derramamento de sangue!

Pelo fim da repressão contra o povo das Honduras!

Pelo direito dos povos a decidirem o seu destino!

Graciete Cruz

Comissão Executiva da CGTP-IN
http://cgtp.pt//index.php?option=com_content&task=view&id=1397&Itemid=1