A música sempre foi uma das expressões políticas mais importantes das organizações e movimentos de luta um pouco por todo o mundo. Para este domingo, seguem algumas propostas de música de países onde os povos foram obrigados a levantar-se em armas:
Deixo um vídeo, especialmente ao Dalaiama e ao Carquistan, sobre a pintura de um mural em Milão dedicado a dois comunistas. A Giovanni Pesce, partigiano que não só combateu o fascismo italiano como também participou nas Brigadas Internacionais na Guerra Civil de 1936-39, e que se manteve comunista até à sua morte. E a Dax Cesare, que em 2003 caiu morto na cidade de Milão depois de ser esfaqueado por fascistas. O mural tem as caras dos dois heróis que viviam naquela cidade e diz: "sem memória não há futuro".
Nota: Como devem ter reparado, desapareceu a coluna que continha as ligações dos blogues. Acidentalmente, apaguei-os e tentarei repô-los nos próximos dias.
Fidel Castro, numa entrevista a Ignacio Ramonet, revela que entre os principais conselheiros de Mikhail Gorbachov estavam membros do PSOE. Entretanto, Helmut Kohl publicou um livro em que diz que dos aliados europeus, só um esteve desde o princípio ao lado dos que defendiam a reunificação: "o presidente do governo espanhol, Felipe González, que nem um só minuto permitiu que houvesse dúvidas de qual era a sua posição". Há poucos dias, li que as autoridades cubanas rejeitavam a mediação espanhola entre Havana e Washington. Percebe-se porquê.
Ganhavam entre seis e sete euros por dia com o trabalho no mar. Hoje, os pescadores conseguem entre 180 a 450 euros, como afirma um dos pescadores. A razão? Simples: os "piratas" somalis afastam os navios estrangeiros da costa. Durante anos, as grandes empresas de pescado roubaram o mar do Leste Africano. Mas não aparecem em nenhum jornal como piratas. Por isso, não posso senão estar solidário com aqueles que na costa africana lutam pela sua sobrevivência.
Foi há 92 anos. Operários, soldados e camponeses tomaram o céu de assalto. Depois da experiência de Paris, a Revolução de Outubro levantar-se-ia como um farol para todos os povos do mundo. A expressão deste acontecimento foi de um impacto tão profundo que não deixaria de influenciar todo o século XX. Em Portugal, anarco-sindicalistas seguiram o exemplo e construíram as bases para a formação do Partido Comunista Português.
Noventa e dois anos depois, a ofensiva ideológica é devastadora. Não se relembra os heróis que levantaram o primeiro Estado de operários e camponeses. Relembra-se com pompa e circunstância aqueles que o destruíram. Não é por acaso que é o 20º aniversário da queda do Muro de Berlim e não o 92º aniversário da Revolução de Outubro que enche os ecrãs das televisões, as capas dos jornais e os noticiários das emissoras de rádio.
Contudo, a queda do Muro de Berlim representa um acontecimento de importância colossal na história da humanidade. O fim da experiência socialista no Leste da Europa teve um impacto tão profundo que o movimento operário internacional ainda, com dificuldades, se tenta reerguer. Caiu a influência de partidos comunistas e de sindicatos que se deixaram levar pela linha social-democrata. A correlação de forças entre o trabalho e o capital teve uma variação tão significativa que arrastou consigo direitos fundamentais que a classe trabalhadora havia conquistado na primeira metade do século XX.
Não nos pode, pois, surpreender que ao lado da campanha anti-comunista esteja um conjunto de social-democratas que celebra o 20º aniversário da queda do Muro de Berlim e o fim da União Soviética. As colunas de opinião e a blogosfera estão cheias de exemplos. São os mesmos que defendem o "socialismo democrático", o "sindicalismo moderno", a "cidadania" e a "paz social". Serão derrotados como Fukuyama. E a bandeira vermelha voltará a ser desfraldada. Só depende de nós.
Viva Lénine! Vivam os bolcheviques! Viva a Revolução de Outubro!