sábado, 6 de fevereiro de 2010

Lixo

Acabo de ver um anúncio do Pingo Doce que se aproveita da destruição na região do Oeste provocada pelo mau tempo. Noutro, a Ana Bola diz que se temos saudades do escudo é porque ainda não vimos os preços do Pingo Doce.

Por sua vez, abro a página d'A Bola e leio que o Exército Irlandês de Libertação Nacional (INLA) abandonou a luta armada. Mas qual não é o meu espanto quando vejo que a fotografia que ilustra a notícia é a de um grupo de pessoas a fazer campanha pelo 'sim' ao Tratado de Lisboa.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

'Piratas' somalis com o povo hatiano

Quem leia a Rádio Moscovo com regularidade sabe que não temos quaisquer pruridos em atacar a legalidade burguesa e o colaboracionismo pacifista. Hoje, trazemos a notícia de um grupo que está na mira do capitalismo e que foi, há muito, demonizado pela imprensa de reverência. Depois de verem as suas costas devastadas pelas transnacionais pesqueiras, os vulgarmente chamados 'piratas' somalis passaram a atacar os navios estrangeiros. Com o afastamento da pesca abusiva, a população local conseguiu aceder aos seus próprios recursos naturais.

Denunciámos essa situação há vários meses. Hoje, os 'piratas' somalis dirigiram-se à imprensa mundial para afirmar que pretendem enviar para o povo haitiano parte do capturado aos navios capitalistas. Acrescentam ainda que "a ajuda humanitária ao Haiti não pode ser dirigida pelos Estados Unidos e países europeus, não têm autoridade moral para isso. São eles quem pirateiam a humanidade desde há muitos anos".

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Não à extradição dos dois independentistas bascos!

Porque somos contra a tortura, rejeitamos a extradição de Iratxe e Garikoitz, os dois independentistas bascos presos em Portugal.


Excerto do relato de Amaia Urizar, torturada pela Guardia Civil:

Então senti o metal entre as minhas pernas e um guarda civil sussurrou-me que não me mexesse. Eu chorava e comecei a gritar como uma louca, enquanto fazia forças para juntar as minhas pernas, mas não podia porque tinha os tornozelos atados aos pés da cadeira... Pôs-me a pistola entre as pernas e com a mão apalpou-me as cuecas; eu gritava-lhe que me deixasse em paz, mas ele começou-me a bater-me nos ouvidos com estalos e gritava-me que estivesse quieta ou que se ia escapar um tiro porque a pistola estava carregada. Ouvia as gargalhadas dos restantes dizendo coisas do estilo "vaca, puta, vais gostar..". Introduziu-me o canhão da pistola na vagina enquanto me gritava ao ouvido uma e outra vez "que te digo quando te foder, gora ETA?" Não podia parar de chorar e já não tinha forças para gritar. Começou-me a introduzir e a tirar a pistola de forma mais violenta, o que me provocava dor, enquanto que o que me sussurrava "sim, tu gostas, puta", "não vais ter um filho porque te vou dar dois tiros"...O seu odor metia-se dentro de mim, enojava-me, não sei se alguma vez me sairá este cheiro da cabeça...Estavam-se todos a rir (...) metia-me e tirava o canhão da pistola na vagina e sovava-me o peito de forma brusca, apertando-me o peito com as mãos. Notava dentro de mim o frio do metal, eles repetiam que a pistola estava carregada e que se disparassem a culpa seria minha...Não sei quanto tempo se prolongou a violação mas fiquei muda, estava como perdida; naquela habitação estavam a violar o meu corpo, mas por momentos consegui fugir dali em pensamentos, entre soluços, mas consegui fugir dali; dava-me conta da minha gente, estava com eles e elas, estava protegida... De repente sacou o canhão bruscamente de dentro de mim, enquanto lhes dizia (...) "temos de repetir, que ela gostou"... Voltei à realidade, encontrava-me dorida... De novo mostraram-me as fotografias, de uma em uma, e diziam-me a respeito de cada pessoa o que lhes tinha dito (de que local eram...) mais o que eles lhes queriam imputar; diziam-me que tinha de aprender tudo de memória para repetir quando tivesse de declarar... Repetiram-no muitas vezes e eu tinha que o repetir tudo uma e outra vez e se confundia começavam a bater-me e dar-me estaladas, e a ameaçar-me dizendo que me iam violar de novo".

domingo, 10 de janeiro de 2010

Paredes que falam

Este trabalho encontra-se na Pontinha e foi produzido pelo Hel, a quem enviamos um abraço. Mais um artista que se põe do nosso lado da barricada. As ruas das nossas cidades não devem ficar em silêncio perante a censura da imprensa capitalista. Somos e seremos comunistas. Somos e seremos marxistas-leninistas.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Falta menos um ano para a revolução!


A Rádio Moscovo deixa-vos um forte abraço e o desejo de que 2010 seja inscrito na história como um importante ano para cada um de nós e para todos nós. Cada ano que passa, é menos um ano que falta para o fim da exploração e da opressão. Cabe a nós tomar o lugar que nos cabe nas trincheiras de cada batalha necessária. E não esqueçamos todos aqueles que dedicaram a sua vida a esta luta. Eles vivem nos combates que travamos. Também não esqueçamos todos aqueles que passarão a passagem de ano nas prisões do capitalismo e do imperialismo. Brindemos por todos. E que a burguesia e o seu governo se engasguem com as espinhas do bacalhau!

Saúde e Revolução!
Venceremos!

Nota: A Rádio Moscovo não emitirá nos próximos dez dias. Partimos para outras frequências mas sem abandonar a luta.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Governador colombiano sequestrado e degolado

Na segunda-feira, Luis Francisco Cuéllar, governador colombiano do Departamento de Caquetá foi sequestrado por homens que envergavam uniformes do Exército da Colômbia. De seguida, o presidente Álvaro Uribe acusou as FARC de estarem por trás do sequestro. Um dia depois, o corpo de Cuéllar era encontrado degolado numa zona rural.

A comunicação social portuguesa faz eco da notícia repetindo à letra as informações difundidas pela imprensa colombiana. Em nenhum lado se põe em dúvida a autoria deste sequestro e assassinato. Todos orientam as suas baterias contra as FARC e nunca questionam as palavras do governo colombiano. Até ao momento, nenhuma organização reivindicou o acto.

A família denunciou que Luis Francisco Cuéllar tinha pouca protecção, apesar de já ter sido sequestrado quatro vezes. Por norma, três polícias garantiam a segurança do governador. Na noite do sequestro, apenas um polícia vigiava a casa mesmo havendo rumores sobre um iminente atentado contra Cuéllar.

Na Colômbia, são vários os actores no cenário de guerra. Para além do Estado colombiano e das forças repressivas, para além das FARC e do ELN, existem vários grupos paramilitares relacionados com o tráfico de droga e com a oligarquia que semeiam a violência de forma indiscriminada. Surpreende-nos, pois, que a imprensa portuguesa não se dê ao trabalho de fazer um juízo minimamente crítico sobre o que se passa na Colômbia.

domingo, 20 de dezembro de 2009

"À guerra dos pobres chama-se terrorismo, ao terrorismo dos ricos chama-se guerra"

Pese as grandes diferenças entre a Rádio Moscovo e o blogue Cinco Dias, destacamos o debate encetado nos últimos dias a propósito do ataque ao primeiro-ministro italiano. A acção de Massimo Tartaglia contra Silvio Berlusconi teve um grande impacto. Para além da fractura nasal e dos dentes perdidos, há duas ilações que se podem tirar. Em primeiro lugar que o responsável pelo ambiente crispado em Itália é dele, do seu governo e da oligarquia italiana. Em segundo lugar que esta acção lhe permitirá lançar uma ofensiva contra o que resta da esquerda italiana. Essa campanha já foi iniciada e pretende colar a imagem de violentos e terroristas a todos aqueles que se opõem às políticas governamentais.

Mas o debate levantado pelo blogue Cinco Dias, independentemente das opiniões sobre o ataque a Berlusconi, teve o mérito de pôr o foco sobre a legitimidade da violência como forma de luta. Como sabemos, os comunistas não renunciam a qualquer forma de luta. Em cada momento, há que saber adaptar-se à etapa que se vive. Mas há por aí muito social-democrata encartado que entende que a violência não faz sentido porque o Estado deixou de ser violento. Nada mais falso. O Estado detém o monopólio da violência. E, hoje, com a mercenarização das Forças Armadas, as novas gerações deixaram de ter qualquer formação militar. Este é um dado importante e perigoso. Um povo que não se sabe defender é um povo ainda mais submetido à força do Estado e da burguesia.

A Rádio Moscovo, desde o seu inicio, com um forte pendor internacionalista, tem-se preocupado com dar a conhecer a luta de povos que foram obrigados a levantar-se em armas contra o capitalismo e o imperialismo: Colômbia, Sara Ocidental, Palestina, País Basco, Curdistão, Nepal, Iraque e Afeganistão. Com objectivos diferentes, com maior ou menor magnitude, com maior ou menor correcção político-militar, estes são os países onde a luta armada mantém o apoio popular mínimo para a manutenção de uma violência a longo-prazo.

Contudo, na maioria destes casos, com a excepção do País Basco, é fácil compreender-se, a partir de fora, a legitimidade do recurso à violência. Já discutir a violência nos países desenvolvidos assume um grau de dificuldade tremendo. Também daí a excepção basca. Aqui, não temos qualquer dúvida de que a violência existe e está presente nestes países. Que o digam os operários da Sorefame, da MB Pereira da Costa, da Valorsul, da Sisaqua, os jovens do Grémio Lisbonense e os excluídos dos guetos suburbanos.

Naturalmente, discordamos de actos violentos isolados que não correspondam à vontade da maioria do movimento operário. Mas o facto de nem sempre utilizarmos a violência não significa que ela esteja excluída. Porque sabemos que no dia em que a classe trabalhadora puser o poder em causa, os militares e a polícia tomarão as ruas. E seria um risco enorme se só nesse dia ganhássemos consciência disso e da necessidade da violência organizada.

Pese o fascínio pela violência de alguns elementos isolados da classe trabalhadora, influenciados por teses pequeno-burguesas, ninguém gosta de combater. Isso implica pesados sacrifícios e acontece como resposta a uma série de actos violentos por parte da burguesia. Como disse o padre guerrilheiro Camilo Torres, "se a burguesia ceder o poder de forma pacífica, nós toma-lo-emos de forma pacífica. Se resistir de forma violenta, então seremos obrigados a toma-lo de forma violenta".

Para as futuras respostas a este artigo deixo-vos, desde já, para reflexão, a opinião de Malcolm X: "A imprensa conhece tão bem o ofício de criar reputações que pode fazer passar o assassino por vítima e a vítima por assassino. Essa é a função da imprensa, desta imprensa irresponsável. Se não andarem prevenidos, os meios de comunicação leva-los-ão a odiar os oprimidos e a amar os opressores".