domingo, 6 de junho de 2010

Oportunismo de Fernando Nobre

Numa entrevista a vários órgãos de comunicação social, Fernando Nobre diz que se distingue dos outros candidatos por não fazer parte do sistema. O candidato à Presidência da República é de um oportunismo atroz. Típico de quem tenta passar entre as gotas da chuva para não se molhar, Fernando Nobre já havia sustentado a tese de que é o melhor candidato por não ser de nenhum partido. Entende que não é de esquerda nem de direita.

Mas Fernando Nobre é do sistema. Não só é do sistema como sempre pactuou com ele. Já participou em convenções do PSD, já foi membro da Comissão de Honra da candidatura de Mário Soares à Presidência da República, já foi mandatário da candidatura do BE ao Parlamento Europeu, apoiou a candidatura do PSD à Câmara Municipal de Cascais e faz parte de uma associação monárquica. Só se deixa enganar quem é parvo.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Colômbia, Israel da América Latina

Apesar do destaque que sempre damos ao que se passa na América Latina, não nos tem sido possível analisar o período eleitoral na Colômbia. Em primeiro lugar, pela grande luta que se trava em Portugal contra as medidas do governo, com o apoio do PSD, e, em segundo lugar, pelo ataque terrorista das forças israelitas contra o comboio marítimo solidário com a Faixa de Gaza.

A Colômbia é comparada por muitos com Israel. Tem o beneplácito dos Estados Unidos. É o ponta-de-lança do imperialismo na América Latina. Ali, persegue-se e assassina-se todo aquele que tenha o desejo de um sistema alternativo ao capitalismo. A proximidade e as relações com a Venezuela são um ponto delicado que está na boca de todos os candidatos às presidenciais. Isso e as bases norte-americanas.

Em modo de resumo, a primeira volta, realizada no passado fim-de-semana, deu um importante resultado a Juan Manuel Santos e desmoralizou os apoiantes de Antanas Mockus que, ainda assim, passou à segunda volta.

Juan Manuel Santos é o ex-ministro da Defesa do actual presidente Álvaro Uribe. Acusado de vínculos ao paramilitarismo, Juan Manuel Santos foi o principal responsável pelo bombardeamento em território equatoriano que levou à morte de dezenas de civis e guerrilheiros das FARC, entre os quais o comandante Raul Reyes. É o herdeiro de Álvaro Uribe e obteve 46,56 por cento dos votos.

Antanas Mockus teve 21,49 por cento dos votos. O candidato do Partido Verde era indicado, por alguma imprensa, como possível vencedor. Foi com surpresa que se recebeu a notícia deste resultado na sede de campanha do candidato verde. Antanas Mockus foi presidente da Câmara Municipal de Bogotá, a capital do país. A sua campanha tentou seguir a linha de Obama com grande ênfase nas redes sociais e na comunicação social. Não põe em causa o capitalismo e recusou o apoio, na segunda volta, do candidato social-democrata do Pólo Democrático Alternativo. Para além disso, segue a linha de Juan Manuel Santos ao dizer que só negoceia com as FARC quando estas libertarem todos os "reféns".

Gustavo Petro era o candidato do Pólo Democrático Alternativo. Quando era jovem, fez parte do movimento guerrilheiro M-19. Nas primárias do PDA, venceu contra Carlos Gaviria Díaz, então presidente do PDA, um histórico que havia alcançado um resultado inesquecível em 2006, nas eleições presidenciais (ficou em segundo lugar). Entre as divergências, Gustavo Petro insinuava que o PDA, sob a direcção de Carlos Gaviria Díaz, era muito brando nos comunicados sobre as FARC.

Contudo, na Colômbia, as eleições são uma fachada para a ditadura paramilitar. Através da compra, da manipulação, do medo e do assassinato, a oligarquia colombiana impõe a sua vontade. Não se pode entender o sistema político colombiano como uma democracia burguesa. Ou pelo menos como as que conhecemos na Europa Ocidental. Os milhares de assassinados, de desaparecidos, de exilados, de extraditados e de presos políticos atestam bem a impossibilidade de alcançar uma verdadeira mudança através da via eleitoral ou da via pacífica. Nos anos 80, a tragédia que se abateu sobre o partido União Patriótica demonstrou a falsidade da democracia na Colômbia.

Não é, pois, por acaso que as FARC, que acabam de cumprir 46 anos, apelaram à abstenção. No fundo, já se sabe o resultado: Juan Manuel Santos será o vencedor para gáudio da oligarquia que poderá manter o seu império da droga e deixar o imperialismo servir-se da Colômbia para assediar o resto do Continente.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Israel, Estado terrorista

Lembram-se disto?

Israel voltou a cometer um crime hediondo. Não há dia em que não os cometa. Seja através dos seus postos de controlo, do muro, dos milhares de presos, dos bombardeamentos, do bloqueio à Faixa de Gaza, dos colonatos, da recusa em aceitar o regresso dos milhões de refugiados palestinianos, da recusa em aceitar um Estado palestiniano, tudo serve para manter a Palestina submetida a um terror diário. Hoje, foi um episódio brutal, mas, infelizmente, mais um episódio brutal que fica para a história das condenações vazias da dita Comunidade Internacional.

Esta madrugada, uma frota humanitária encaminhava-se, em águas internacionais, para a costa da Faixa de Gaza quando foi assaltada por tropas israelitas. A sangue-frio, foram assassinadas dezenas de activistas cujo crime era levar alimentos, roupa e medicamentos para a população de Gaza. Agora, vem o primeiro-ministro israelita dizer que os soldados se sentiram em perigo e que agiram em legítima defesa. Este é o discurso sionista. O mesmo discurso vitimista desde que levantaram o Estado de Israel através do recurso à violência terrorista contra a maioria árabe.

Na próxima quarta-feira, às 18 horas, temos o dever de estar presentes em frente à embaixada deste Estado criminoso, em Lisboa, correspondendo à convocatória do CPPC. Desde a Rádio Moscovo, toda a solidariedade com a luta do povo palestiniano. Resistir não é um crime.

domingo, 30 de maio de 2010

Mentiras sobre os 300 mil na manifestação

Lembram-se disto?

A manifestação de ontem, organizada pela CGTP, foi uma das maiores de sempre. Mais de 300 mil pessoas abarrotaram as principais avenidas de Lisboa. Vindos de todo o país, os trabalhadores quiseram dar uma resposta contundente à violenta ofensiva do bloco central de interesses. Ainda assim, houve espaço para a manipulação da comunicação social. A TSF, a Lusa, o Diário Económico e o Sapo indicavam centenas de pessoas. O Público, por sua vez, dedicou-se a descredibilizar os números fornecidos pela CGTP através das declarações de uma ex-sindicalista, da qual o jornal diz ter sido "antiga responsável pela contagem de pessoas nos protestos", que indicava estarem apenas "entre 130 mil a 150 mil". Já o Expresso teve muita dificuldade em encontrar outra fotografia para ilustrar a notícia da manifestação unitária da CGTP que não fosse a da delegação do Bloco de Esquerda que seguia na cauda do protesto. Da mesma forma, a TVI colou a manifestação à palavra de ordem do BE: "O cinto deles nunca aperta".

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Amanhã? Pois, claro!

Amanhã? Sim, amanhã. Depois de amanhã, tudo será diferente se não fores, amanhã. Ou melhor, tudo será igual. Se não fores, amanhã, claro. Porque como dizia Gramsci, "o que acontece, não acontece tanto porque alguns querem que aconteça mas porque a massa dos homens abdica da sua vontade. Deixa fazer, deixa enrolar os nós que, depois, só a espada pode desfazer, deixa promulgar leis que depois só a revolta fará anular, deixa subir ao poder homens que, depois, só uma sublevação poderá derrubar". Percebeste?

Amanhã.
15h, Marquês de Pombal.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Solidariedade com Garzón? Não!

Unai Romano. Antes e depois de ter sido torturado pela polícia espanhola.

Tenho recebido diversos e-mails e mensagens a pedirem a assinatura de um abaixo-assinado em solidariedade com o juiz Baltasar Garzón. Este juiz espanhol foi suspenso das suas funções por, entre outros motivos, tentar investigar os crimes do franquismo sobre os republicanos. Não tendo qualquer dúvida sobre a importância de se condenar o fascismo e os fascistas, não sou capaz de me sentir solidário com Baltasar Garzón.

Baltasar Garzón é um dos principais responsáveis pela ilegalização do Herri Batasuna e de vários partidos da esquerda independentista basca. É também responsável pela ilegalização do PCE(r). Baltasar Garzón é um dos principais responsáveis pelas centenas de cidadãos bascos inocentes que passaram pelos calabouços. É também responsável por silenciar e não investigar a tortura de que foram e são alvos milhares de cidadãos bascos. Baltasar Garzón é um dos principais responsáveis pela proibição de vários jornais e rádios bascos. É também responsável pela proibição de várias manifestações e acções de protesto, posteriormente alvos de violentas cargas policiais.

A Rádio Moscovo não apoia o juiz Garzón. Daqui, toda a solidariedade com as vítimas do franquismo e todo o apoio à abertura de uma investigação que é urgente.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Eina (ex-Inadaptats) em Lisboa

Em 1992, criaram os Inadaptats. Até 2005, marcaram o panorama musical na Catalunha e no restante Estado espanhol. Com letras combativas, arrastaram, uma parte significativa dos jovens de esquerda. Tocaram duas vezes em Portugal, numa delas, em 2003, perante milhares de pessoas no Palco 25 de Abril, na Festa do «Avante!». Amanhã, às 22 horas, regressam com o novo grupo Eina para tocar no Largo Camões, no âmbito do Congresso da JCP, com os Peste & Sida. O último álbum é uma adaptação da "Arte da Guerra" de Sun Tzu à actualidade, à luz do marxismo-leninismo.