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terça-feira, 10 de junho de 2008

Cavaco: arraçado de fascizante


Cavaco Silva faz parte daquela raça única de políticos cuja existência facilmente dispensaríamos. Naturalmente, "enganou-se". Mas Freud explica muito bem essa história dos enganos.

Edit: Afinal, parece que não foi engano nenhum. Se virmos as imagens percebemos que não há qualquer indício nesse sentido. Naturalmente, a comunicação social preferiu interpretar como uma gaffe.

terça-feira, 3 de junho de 2008

Avanti il popolo!

O fascismo não morreu

Preocupa-me Itália. Depois da vitória da extrema-direita e do colapso da esquerda arco-íris, sucedem-se as demonstrações violentas contra todas as minorias. Há duas semanas, dois fascistas perseguiram e agrediram a um transsexual num bairro de Roma em frente a um carro-patrulha da polícia que não interveio. Dois dias depois, Hassan Nejl, tunisino de 38 anos, morreu no Centro de Detenção para Imigrantes de Turim. Os seus companheiros acusaram os médicos do centro de não o socorrer: "Disseram que era tarde e deixaram-no morrer". No dia seguinte, 24 de Maio, a Itália é sacudida por duas agressões fascistas. Vinte jovens destroem duas montras de lojas de imigrantes do Bangladesh gritando "estrangeiros porcos" e "bastardos" e Christian Floris, locutor do site DeeGay.it, é agredido e ameaçado por trabalhar com temas relacionados com a homossexualidade. Dias depois, na primeira reunião municipal da Câmara de Roma, o novo presidente revelou a sua intenção de dedicar uma praça à figura do fundador de uma organização fascista, implicado num atentado. Não passam dois dias e, durante a tarde, um grupo de nazis ataca estudantes de esquerda que arrancavam cartazes fascistas. Resultado: sete feridos. Entretanto, a polícia proibiu uma concentração gay, um bailarino albanês foi agredido sob insultos como "albanês de merda" e "vamos despachar-te para a Albânia" e uma secção da polícia municipal de Milão empreende uma "caça aos clandestinos" nos transportes públicos enfiando-os em camionetas blindadas. Tudo isto descrito por Gorka Larrabeiti.

Naturalmente, a ascensão da extrema-direita ao poder abriu caminho a esta caça às bruxas. Mas não podemos esquecer ou esconder a responsabilidade de partidos e políticos que, afirmando-se de centro ou de esquerda, legitimaram este ambiente hostil em torno, principalmente, dos estrangeiros. Como explica Asier Blas, professor na Universidade do País Basco, tudo começou com o executivo de Romano Prodi. "A reacção do governo italiano foi vergonhosa", explica. O antigo autarca de Roma, e actual secretário-geral do Partido Democrático, Walter Veltroni, pediu a Prodi medidas contra os imigrantes amontoados nos bairros de barracas. "Setenta e cinco por cento das detenções dão-se com romenos" e "não são imigrantes que vêm tentar melhorar a vida, têm como característica a criminalidade" são algumas das suas brilhantes afirmações. Evidentemente, o primeiro-ministro da altura, Romano Prodi, emitiu um decreto para alargar aos cidadãos comunitários leis que até então só permitiam a expulsão de cidadãos extra-comunitários e para dar à polícia mais poderes. Mas pior que isso foi ver a Refundação Comunista apresentar uma moção num bairro de Roma para a separação das crianças entre italianos e ciganos nos autocarros escolares.

Como não esperar, então, que, à boa maneira medieval, depois de uma suposta tentativa de rapto de uma criança por uma romena em Nápoles se seguissem linchamentos e bairros de barracas incendiados.

A falta que faz um Partido Comunista...

"Compagni dai campi e dalle officine
prendete la falce e portate il martello"

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Muitas vezes, deparamo-nos com todo o tipo de preconceitos em relação à forma como as pessoas se vestem. Numa sociedade que privilegia a imagem e que impôs o seu modelo de estética, é bastante comum que se confunda o exterior de cada um com o que verdadeiramente somos ou pensamos. Há, por exemplo, a tendência para se considerar que um skinhead [cabeça rapada] é um nazi.

Contudo, o estilo de vida fomentado pelos skinheads surgiu em Inglaterra através de operários ingleses que ouviam o ska trazido pelos operários oriundos da Jamaica. Naturalmente, a sua estética surge dessa adaptação. Eram trabalhadores que gostavam de ver futebol, de conviver nos bares e de ouvir aquele tipo de música. Não custa perceber, portanto, que esta comunidade fosse anti-racista e antifascista. A apropriação indevida deste tipo de estética pela Frente Nacional britânica não pode subverter a realidade. Os verdadeiros skinheads estão contra o fascismo e qualquer tipo de racismo.


http://www.youtube.com/watch?v=Nqu8YiJaNUU

segunda-feira, 5 de maio de 2008

O povo unido jamais será vencido!


O povo boliviano viveu ontem uma dura prova de resistência. Contra o referendo divisionista e racista promovido pelas elites, levantaram-se os trabalhadores das zonas plebiscitadas. Por exemplo, nos subúrbios de Santa Cruz, bloquearam o acesso às áreas de voto, incendiaram as urnas e os boletins - alguns já manipulados. Mas não foi caso único. Nas estradas, houve piquetes para impedir a distribuição do material de votação para o referendo, não reconhecido por ninguém senão pelos promotores. Não faltou, no entanto, a violência contra quem defendia a legalidade. O povo teve de derrotar quem andou a tentar obrigar gente a votar.

Contudo, jornais, rádios e televisões de todo o mundo destacam o sucesso do referendo e a vitória dos separatistas. Os resultados anunciados dão conta de 85,9 por cento dos votos na opção secessionista. Afinal, quem tem razão?

Na verdade, 85,9 por cento dos votos escrutinados correspondem à opção secessionista. Mas a comunicação social comprometida com a burguesia não refere a abstenção. Mais de 40 por cento da população correspondeu ao apelo do governo de Evo Morales e recusou-se a reconhecer a validade do refendo. Para além disso, houve mais de 10 por cento de votantes que recusaram a divisão da Bolívia. Ou seja, mais de 50 por cento da população voltou costas às intenções da burguesia.

O motivo da manipulação dos factos deve-se, como sempre, à tentativa de criação de condições para derrubar o governo progressista de Evo Morales, o índio que chegou à presidência da Bolívia com o apoio de grande parte dos trabalhadores. Desde então, já procedeu à nacionalização de diversas empresas e tem promovido políticas contra a discriminação sobre os indígenas que conformam a maior parte da população. Na linha da oposição encontram-se os latifundiários e os patrões das grandes empresas apoiados pelos dólares norte-americanos.