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domingo, 27 de julho de 2008

A resistência não é terrorismo!

A Frente Popular para a Libertação da Palestina [FPLP] lançou uma campanha contra a utilização do termo terrorismo. Segundo a organização palestiniana - que integra a lista da União Europeia de organizações e personalidades conotadas com esse estatuto - essa utilização serve para criminalizar a resistência popular e os movimentos de libertação nacional. Acrescenta ainda que a conotação destas organizações com o "terrorismo" tem o objectivo de amedrontar e silenciar o apoio das comunidades à luta pela liberdade. No caso especifico do povo palestiniano essa realidade é bem evidente.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Claridade na sombra do Sara

"É difícil encontrar claridade na sombra quando o sol que nos ilumina descolora a verdade" Victor Jara

A União Europeia propôs o abastecimento de electricidade a toda a Europa com energia solar do Sara. Segundo o El Mundo e o The Guardian, "um diminuto rectângulo sobre os extensos terrenos do Sara podia ser a solução mais eficaz para pôr em marcha um plano audaz de redução das emissões de dióxido de carbono na Europa, fazendo uso do poder feroz do sol desértico". Os dois jornais acrescentam ainda que apesar de "mais pequena que qualquer país do Norte de África e de representar um espaço ligeiramente mais pequeno que o País de Gales, os cientistas afirmam que esta área podia conseguir gerar energia solar suficiente para abastecer toda a Europa de electricidade limpa".

A proposta pouco mais pode provocar do que a revolta se pensarmos que a diminuição da poluição europeia se fará à custa da riqueza natural de povos que são constantemente explorados e humilhados pela Europa. Pode parecer uma reacção excessiva mas este é apenas um exemplo dos muitos que se passam por todo o continente africano. Porque uma União Europeia que nunca se preocupou com a sorte do povo sarauí, que nunca se preocupou com a sorte das centenas de africanos que morrem ao largo das costas europeias, que aprova leis restritivas em relação aos extra-comunitários que querem trabalhar dentro das nossas fronteiras não pode ser vista senão como uma entidade colonialista.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Ganhou o 'não'! Viva o povo irlandês!

O governo irlandês acaba de reconhecer a vitória do 'não' no referendo para o Tratado de Lisboa. Ou seja, os executivos burgueses da União Europeia sofreram uma pesada derrota no único país onde foram obrigados a ouvir a voz do povo. Através de uma campanha mediática controlada pelos apoiantes do 'sim', os 'democratas' europeus tentaram impor a Constituição que antes havia sido chumbada pelos povos da Holanda e da França. Há que recordar que só havia um partido irlandês com assento parlamentar a apelar ao 'não', o Sinn Féin. Para além disso, quando alguns sectores católicos começaram a seguir esta opção, a hierarquia da Igreja Católica veio defender o Tratado de Lisboa.

A grande preocupação, agora, é a de que a União Europeia possa avançar com um plano alternativo para salvar um acordo que foi reprovado pelos povos. Não seria nada de pouco comum tendo em conta que este Tratado de Lisboa já constituiu uma solução alternativa à anterior Constituição Europeia. Para além disso, não podemos deixar de ver as sucessivas declarações dos governantes a dizer que não há um plano b como bluff para pressionar o povo e o governo irlandês a facilitar o triunfo do 'sim'.

De qualquer forma, é um grande dia. Uma bela sexta-feira, dia 13, para os povos da União Europeia. Viva o povo irlandês!

terça-feira, 10 de junho de 2008

Ofensiva contra os direitos cívicos e democráticos chega aos blogues

Imagem que brinca com a propaganda capitalista sobre o software livre

Com o 11 de Setembro criaram-se as condições ideais para a imposição de medidas securitárias com o objectivo de controlar o que quer que pudesse pôr em causa o sistema capitalista e os seus valores. Naturalmente, daí à criminalização das organizações da classe trabalhadora foi um pequeno passo. Mas um grande salto para a burguesia.

Ainda há poucas semanas, um camarada da União da Juventude Comunista Checa [KSM] foi preso durante uma manifestação por levar uma bandeira da sua organização, considerada ilegal no país por defender a nacionalização dos meios de produção e a luta contra o sistema capitalista. Mas há outros sinais que anunciam um futuro que nos deve preocupar. Na edição digital do El País, surge uma reportagem que retrata a intenção do Parlamento Europeu de regulamentar os blogues. A ideia é criar-se uma espécie de bilhete de identidade para os bloggers que contenham os seus dados pessoais.

Em Itália, o governo de Berlusconi teve de recuar na sua proposta de registar todos os blogues como empresas editoriais, obrigadas a pagar imposto ao Estado. Obviamente, a União Europeia argumenta com a necessidade de se acabar com o anonimato na internet e, principalmente, com o descontrolo em que todos podem dizer o que lhes apetecer ou, inclusive, mentir. Mas do que se trata, a meu ver, é da verdade. A grande preocupação dos Estados e da burguesia é a possibilidade de, na internet, dizermos a verdade perante audiências cada vez maiores. A tal verdade que tanto os incomoda. Porque essa está, há muito, alheada dos meios de comunicação social tradicionais.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Europeíces

Num interessante artigo, publicado hoje pelo El Mundo na sua edição digital, ficamos a saber que os ministros da União Europeia debatem o aumento do horário de trabalho para as 65 horas semanais. Obviamente, coisa pouca para ser destacada pela comunicação social portuguesa. O El Mundo explica ainda que a delegação espanhola tem conseguido bloquear a alteração dessa directiva com o apoio de França, Itália, Grécia e Chipre. Contudo, explica que com a vitória da direita em Itália e em França o Estado espanhol ficou em minoria e que o governo 'socialista' português se encontra do lado da aprovação da directiva que vai regulamentar o aumento do horário de trabalho semanal. Dá para avaliar o quão de esquerda é o nosso governo.

Também sobre a União Europeia chegam-nos notícias - poucas, mais uma vez - sobre o avanço do 'não' nas sondagens sobre o referendo para o Tratado de Lisboa que será votado na próxima quinta-feira. Parece que o 'não' passou para os 35 por cento e que o 'sim' caiu para os 30 por cento. Naturalmente, as sondagens valem o que valem mas são boas notícias tendo em conta que quem as produz é cúmplice da burguesia europeísta.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Pescadores conduzem luta até Bruxelas

Pescadores bloqueiam ruas de Bruxelas e queimam bandeira da UE

sexta-feira, 9 de maio de 2008

"Democracia" burguesa e o "autoritarismo" popular

O Presidente da República, Cavaco Silva, acaba de promulgar o Tratado de Lisboa. É assim que funciona a democracia burguesa, só se deve perguntar ao povo se ele aceitar responder o que nós queremos. Aliás, foi isso que aconteceu aquando da vitória do Hamas nas eleições legislativas palestinianas. Em vez de a União Europeia respeitar os resultados preferiu dizer que foi uma má resposta do povo e cortou-lhe as ajudas financeiras.

Mas é interessante ver países como a Venezuela, cujo governo é considerado autoritário pelo União Europeia e Estados Unidos, referendarem a sua Constituição e aceitarem democraticamente o resultado negativo. Também é interessante o exemplo dado hoje pelo senado boliviano de agendar um referendo revogatório para ouvir a vontade do povo. Naturalmente, foi uma proposta dos representantes do capital mas foi aprovada pelos representantes do governo. Tanto Hugo Chávez como Evo Morales não pertencem à estirpe da canalha que nos governa. Não têm medo do povo.

Valha-nos a Irlanda.