sexta-feira, 6 de março de 2009

88º aniversário do Partido

Ao meu Partido

Deste-me a fraternidade para com o que não conheço.
Acrescentaste à minha a força de todos os que vivem.
Deste-me outra vez a pátria como se nascesse de novo.
Deste-me a liberdade que o solitário não tem.
Ensinaste-me a acender a bondade, como um fogo.
Deste-me a rectidão de que a árvore necessita.
Ensinaste-me a ver a unidade e a diversidade dos homens.
Mostraste-me como a dor de um indivíduo morre com a vitória de todos.
Ensinaste-me a dormir nas camas duras dos meus irmãos.
Fizeste-me edificar sobre a realidade como sobre uma rocha.
Tornaste-me adversário do malvado e muro contra o frenético.
Fizeste-me ver a claridade do mundo e a possibilidade da alegria.
Tornaste-me indestrutível, porque, graças a ti, não termino em mim mesmo.

Pablo Neruda

4 comentários:

filipe disse...

Óptima escolha, Neruda e o (aniversário do) Partido.
Parabéns a todos nós, camarada.
Abraço.

Anónimo disse...

Comunistas???? dizem que comem meninos ao pequeno almoço!

Pedro Bala disse...

E às vezes, no lanche.

daniel disse...

Neruda, saudoso poeta. Foi perseguido pelo regime de Pinochet, já no fim da sua vida, e continuou a sê-lo mesmo depois da sua morte.

Bom recordar o poeta. Permita-me a ousadia de deixar um poema de Neruda ("Inicial"), apenas para recordar:

O dia não é hora por hora.
É dor por dor,
o tempo não se dobra,
não se gasta,
mar, diz o mar,
sem trégua,
terra, diz a terra,
o homem espera.
E só
seu sino
está ali entre os outros
guardando em seu vazio
um silêncio implacável
que se repartirá
quando levante sua língua de metal
onda após onda.

De tantas coisas que tive,
andando de joelhos pelo mundo,
aqui, despido,
não tenho mais que o duro meio-dia
do mar, e um sino.

Eles me dão sua voz para sofrer
e sua advertência para deter-me.
Isto acontece para todo o mundo,
continua o espaço.

E vive o mar.

Existem os sinos.