segunda-feira, 15 de junho de 2009

Iñaki e Arturo: não à extradição!

Sabias que há mais de 700 presos políticos bascos em prisões espanholas e francesas? Sabias que há centenas de exilados e dezenas de deportados? Sabias que há desaparecidos como Jon Anza? Sabias que a ONU acusa anualmente o Estado espanhol de praticar a tortura para obter informações e reprimir? Sabias que Joxe Mari Sagardui está preso há mais de 28 anos, mais do que Nelson Mandela? Sabias que o Estado espanhol ilegalizou partidos, organizações juvenis, movimentos cívicos, jornais e rádios só porque apoiam a independência do País Basco?

Iñaki de Juana Chaos esteve preso durante 21 anos. Foi libertado em Agosto do ano passado. Depois de ter partido de férias com a família para a Irlanda, o Estado espanhol acusou-o de incitar ao terrorismo por uma carta que escreveu e que foi lida numa manifestação no País Basco.

Arturo 'Beñat' Villanueva, jovem independentista basco, foi detido em Março de 2001. Foi acusado de pertencer à organização juvenil Jarrai que havia, entretanto, sido ilegalizada pelo Estado espanhol. Dez meses depois, foi libertado esperando julgamento nessa condição. Provavelmente, seria condenado a 14 anos de prisão. Decidiu não participar na farsa judicial e procurou refúgio na Irlanda.

Nenhum dos dois cometeu outro crime que o de expressar as suas ideias. Ambos lutam contra a extradição pedida pelo Estado espanhol. Entre as leis internacionais, conta-se aquela que refere a não extradição para países onde haja o risco de tortura. Esperamos que seja cumprida.

Abaixo-assinado

* Nós, abaixo-assinados, exigimos que o governo espanhol respeite os direitos humanos, cívicos e políticos do povo basco como estão expressos na Declaração dos Direitos Humanos da ONU.

* Nós exigimos que o governo espanhol acabe a sua campanha de criminalização e de perseguição política contra organizações e indivíduos que são a favor da independência basca.

* Nós apoiamos o direito de Iñaki de Juana e de Arturo 'Beñat' Villanueva de não serem perseguidos pelo governo espanhola pelas suas ideias políticas.

* Nós apelamos ao governo britânico para rejeitar imediatamente os pedidos de extradição e para recusar colaborar com a perseguição política do governo espanhol a Iñaki de Juana e a Arturo 'Beñat' Villanueva.

* Nós apoiamos o direito de Iñaki de Juana e de Arturo 'Beñat' Villanueva de viverem livremente na Irlanda.

Assina a petição aqui!

7 comentários:

lp16 disse...

Viva a Solidariedade Internacionalista!

Luís Rocha disse...

Eu já assinei.

Um abraço,
Luís Rocha

ComRevDe disse...

Há já demasiado tempo que Castela aprisiona o povo basco.

Eu assinei.

filipe disse...

Também já subscrevi, obrigado.
Cada dia nos é mais necessário estreitarmos os laços de solidariedade fraternal com todos os que defrontam governos e práticas repressivas e ditatoriais, que violam os direitos políticos, as liberdades, a dignidade humana. E, assim, derrotaremos as manobras neo-fascistas em desenvolvimento.
Um abraço.

Pedro Bala disse...

a solidariedade internacionalista é a ternura dos povos!

miguel disse...

Olá,

Comecei a ler o blog há pouco tempo e gosto bastante dele. Mas em relação a esta questão do país basco é algo que não concordo e apoio! Acho que os povos devem ter direito a uma escolha, mas não acho que uma minoria, que assassina quem pensa contrário a eles, represente a vontade de um povo. Se o povo basco vive subjugado à vontade do estado espanhol, vive muito mais subjugado à vontade da eta que assassina barbaramente quem mija fora do penico.
Um abraço
miguel

Pedro Bala disse...

Olá, Miguel. Antes de mais, obrigado por nos visitares.

Naturalmente, há quem apoie a luta do povo basco pela independência e pelo socialismo mas de forma pacífica. Essa é uma outra discussão que nada tem a ver com este abaixo-assinado. Aqui, exigimos que estes dois cidadãos bascos não sejam extraditados para o Estado espanhol, onde se prende e tortura pelo simples facto de se pensar e lutar de forma pacífica pela independência e pelo socialismo. Nenhum dos dois cometeu qualquer dos chamados crimes de sangue. Um é acusado de incitar ao terrorismo por ter escrito uma carta em que apelava a que a luta continuasse. O outro é acusado de ser activista de uma organização juvenil ilegal.

Isto passa-se com milhares de pessoas. Como expliquei no artigo, o que se vive no País Basco não é uma situação democrática mas antes uma ditadura em que todas as formas de luta pela independência são proibidas. Mesmo as que são feitas de forma pacífica.

Quanto à luta armada, este blogue não condena nem deixa de condenar as acções da ETA. Elas são fruto de um determinado contexto histórico que nunca acabou. Nunca deixou de haver assassinatos, tortura, prisões, exilados, deportados, extraditados, ilegalizações, etc. E é impressionante como 50 anos depois da fundação da ETA há milhares de jovens que a apoiam e arriscam as suas vidas para lutar pela independência e pelo socialismo. Muitos ficam quase 30 anos na prisão. Outros morrem. E ainda assim, a ETA tenta a todo o custo evitar a morte de civis inocentes. Para além disso, é a organização armada que mais altas patentes das forças armadas eliminou. Ou seja, o seu alvo é, normalmente, a polícia e o exército. Também é impressionante que as forças políticas que representam o ideário político da esquerda independentista tenham entre 10 e 18 por cento dos votos. Para além disso, a ETA já afirmou que no dia em que o Estado espanhol aceitar que o povo basco decida o seu próprio destino, independentemente da escolha, que baixa as armas.

Parece-me, contudo, que o importante é exigirmos que o Estado espanhol pratique a democracia e reconheça o direito do povo basco a decidir o seu próprio futuro. E que não ilegalize as formas de luta pacífica.