quinta-feira, 18 de junho de 2009

Trabalhadores da Autoeuropa rejeitam mais flexibilização

Os trabalhadores da Autoeuropa acabam de rejeitar por maioria o pré-acordo laboral que previa maior flexibilidade e que fora aprovado pela Comissão de Trabalhadores coordenada por António Chora. Este dirigente e ex-deputado do Bloco de Esquerda tinha sido apresentado como um exemplo de sindicalista moderno. Moderado e capaz de conciliar os interesses dos operários e dos patrões. Por diversas vezes, atacou violentamente a CGTP e o seu papel na Autoeuropa. Agora, certamente, virá a chantagem patronal. Culpabilizarão os operários e dirão que não quiseram fazer mais sacrificios. Mas quando a empresa estava no auge, não me recordo de ver os patrões a partilharem os lucros com quem os produziu.

Leiam aqui as mentiras e as ilusões pequeno-burguesas de António Chora:

"Os trabalhadores podem fazer alguns sacrifícios. A seguir à tempestade virá a bonança. O problema da Delphi e de outras empresas é que nem sequer se preocuparam em ter uma bonança." (António Chora)

"Os trabalhadores da Autoeuropa atingiram um grau de maturidade que falta noutros casos?" (jornalista) Estão é mais bem informados. Não só por parte da empresa, mas também por parte da Comissão de Trabalhadores. Isso mostra aos trabalhadores que vale a pena fazer agora alguns sacrifícios, para manter o emprego amanhã" (António Chora)

13 comentários:

lp16 disse...

«Isso mostra aos trabalhadores que vale a pena fazer agora alguns sacrifícios, para manter o emprego amanhã" (António Chora) »

Nota-se.
Dar o cú ao patronato em alturas de crise é mesmo o melhorzinho a fazer..
A culpa é da cabrona da "Crise" mesmo. O que é que se pode fazer?

Anónimo disse...

O camarada do PCP não deve saber o que é um plenário. Não foi o Chora que decidiu foram 2000 mil trabalhadores q votaram contra o acordo. A vosso centralismo burocrático nao vos permite ver para lá disso, abram os olhos

Anónimo disse...

A comissão de trabalhadores da Auto Europa democraticamente eleita, apresentou no plenário, uma proposta que tinha negociado com a administração.

Os trabalhadores votaram e venceu por uma margem de 129 votos , o não acordo á proposta.

Seguem-se como é óbvio, novas negociações, e outra proposta terá de ser apresentada, que tenha em conta esta tomada de posição dos trabalhadores, mas sem nunca esquecer que a defesa dos postos de trabalho, é o principal objectivo desta negociação.

O Antonio Chora é um dos elementos da Comissão de Trabalhadores, não é nenhum controleiro, nem tenta impõr aos trabalhadores nenhuma decisão tomada em qualquer celula partidária.

È por isso que os trabalhadores lhe têm sucessivamente dado a sua confiança, em eleições largamente participadas.

É por isso abjecto , que certos militantes do PCP , utilizem como se lê aqui , adjectivos para qualificarem o Antonio Chora, que nada tèm de critica politica.

Da Auto Europa dependem MILHARES de familias não só dos prprios trabalhadores, mas de dezenas de empresas que trabalham para a Fabrica, se a esta fechasse, seriam mais umas dezenas de milhar de desempregados , a somar ás centenas de milhar que neste momento já não têm trabalho.

Não penso que o PCP defenda um aumento do desemprego, nem pretenda tirar dividendos politicos, de uma situação que tem se ser tratada com a máxima responsabilidade.

È bom não esquercer, que resultado deu o radicalismo na Opel da Azambuja....

Pedro Bala disse...

Nunca disse que foi o António Chora que decidiu. Mas o António Chora coordena a Comissão de Trabalhadores e apresentou um pré-acordo que foi derrotado.

A verdade é que tem tudo a ver com crítica política classificar o António Chora como alguém que defende a conciliação. Tanto que o fez que defendeu o sacrifício dos trabalhadores perante a chantagem patronal de encerramento da empresa. E como é óbvio, quando se vê que os trabalhadores estão dispostos a vergar tenta-se ir ainda mais longe e retirar mais direitos. António Chora pactuou com essa estratégia que foi derrotada pela evidência de que a empresa usou de novo o método da chantagem do encerramento. Felizmente, os trabalhadores não são parvos e recusaram baixa de novo as calças.

Aqui, não represento a opinião do PCP. Isto é um blogue individual. Portanto, as opiniões aqui expressas são da inteira responsabilidade de quem as escreve. Contudo, apesar de defender o trabalho não faço a qualquer custa. Porque por essa ordem de ideias, cedendo a todas as chantagens patronais, voltaríamos ao tempo do trabalho a troco de comida.

A irresponsabilidade é dos senhores que iludem os trabalhadores e submetem-nos aos interesses do capital.

Anónimo disse...

O problema não é trabalhar nunca foi nós ganhavamos 150 euros num sabado passamos a ganhar menos de metade e agora querem nos obrigar a trabalhar num sábado por uma mão de quase nada.
dizem que vão reduzir os dias de trabalho este ano mas querem 2 SÀBADOS ESTE ANO PORQUE.
pela primeira vez desde que estou nesta fabrica e já são vários anos os trabalhadores uniram-se contra os que no dia 12 de junho ficaram em casa é que se a votação tem sido nesse dia o não ganhava com 90% porque as pessoas que votaram SIM nunca vão trabalhar um sábado de borla

António Alves disse...

meu filho a situação é a seguinte: a wolkswagen, como todas as empresas globais, tem sempre excesso de capacidade produtiva instalada. se fecharem amanhã a autoeuropa no dia seguinte continuam a produzir o mesmo número de automóveis sem qualquer esforço. agora é só escolher entre o desemprego e o emprego.vontade aos alemães para se pirarem não lhes falta.

Anónimo disse...

Ok tens razão mas amanhã se fores obrigado a trabalhar 7 dias por semana sem receber não nos podem culpar por isso ou pensas que o belmiro se meteu no assunto pelos nossos lindos olhos ou por ter interesse em que isto seja aprovado para ele usar nas empresas dele

Pedro Bala disse...

Deixo claro que se as coisas são como conta o anónimo estou de acordo com ele. Não se trata só de defender o posto de trabalho. Eles já cederam para aguentar a produção em Portugal. Mas tudo tem um limite. Se eles conseguirem aumentar a exploração vão repetir esse método por Portugal fora.

Para além dessa questão há uma outra que revela a importância de investimento público na produção nacional. Têm destruído o aparelho produtivo nacional para deixar o país à mercê dos grandes grupos internacionais. Por exemplo, destruíram a Bombardier/Sorefame e agora precisamos de comprar material ferroviário. Enquanto não se defender que o Estado deve ter uma forte presença na economia as empresas vão andar a dançar entre os países onde os trabalhadores vendam mais barato a sua força de trabalho.

Membro do Povo disse...

Assim se vê a posição de classe do BE!

Tanto pelas acções de António Chora, como pelo texto (muito bem redigido sem duvida) deste(s) anonimo(s).

Primeiro existe intenção politica nas acções de António Chora - a acção sindical é por si mesma uma acção política. E essa acção política é obviamente partidária, ou não fosse Chora membro de um partido político que tem uma opinião partidária relativamente aos trabalhadores! Será Chora capaz de defender uma ideia política como bloquista, defender outra ideia política como sindicalista e ainda assim fazer parte de uma força política dita séria?

Mais, foram os trabalhadores que rejeitaram maioritariamente o acordo proposto pela comissão eleita democraticamente pelos próprios. Dá que pensar "o que é que falhou? Foi uma má escolha? Falhou a democracia na eleição? Ou falhou a honestidade dos eleitos?"

Já agora, António Chora não é DIRIGENTE SINDICAL? Um DIRIGENTE SINDICAL não é só mais um numa comissão de trabalhadores, é uma ligação directa dos trabalhadores ao sindicato, e portanto tem responsabilidades acrescidas na comissão e na negociação.

Por favor: PAREM DE TENTAR ATIRAR AREIA PARA OS OLHOS DOS TRABALHADPRES!!!!!!!

Anónimo disse...

Um pouco por todo o mundo, a chantagem repete-se:

O presidente da British Airways pede aos trabalhadores que sacrifiquem um mês de salário.


O dono do Boston Globe reclama um corte de 30% dos vencimentos dos seus funcionários.


Aqui, nos EUA, em Inglaterra ou em Nova Deli, a coacção também é a mesma: ou o desemprego ou a miséria.
O mesmo de sempre, é a velhinha máxima da primazia do lucro em perfeito funcionamento: Ou 450 euros ou o súbsidio de desemprego; Ou 12 horas por dia ou a renda; ou os teus direitos ou nenhuns direitos; ou 1 dólar por dia ou a fome.

Até aqui, a ocidente nada de novo... é da própria essência do capital fazer a apropriação privada dos lucros e a socialização dos prejuízos. Esta última tampouco lhe resulta difícil, pois joga em posição de vantagem ideológica, económica e social, ao passo que já os trabalhadores estão condicionados pela satisfação de necessidades básicas de procura completamente rígidas, o que tantas vezes os leva a adoptar esta aparentemente contraditória decisão: mesmo sabendo que não são responsáveis pela crise e mesmo sabendo, por experiência própria, que o inverso da crise não corresponde necessariamente a um aumento do seu vencimento, aceitarão ser eles a pagá-la a custos humanos incalculáveis em detrimento de quem a poderia e deveria pagar.
Mais, a história ensinou-nos que tantas vezes, os trabalhadores fizeram os sacrifícios pedidos e cumpriram a sua parte do contracto para ultrapassar a crise criada pelo patrão. E no final, superada a mal afamada crise, aos trabalhadores, como recompensa pela sua "responsabilidade" e capacidade de sacrifício em nome de uma economia que não lhes pertence, foram-lhes pedidos mais sacrifícios, novas chantagens, novas ameaças, novos despedimentos...
O objectivo do capitalista é fazer lucro e reduzir despesas, não é cumprir promessas nem ajudar os trabalhadores. Quem pensar doutra forma, confunde caridade com economia.

Nesta velha história, só me surpreende um elemento: a falta de memória histórica. como é que é possível, tantas vezes repetida a mesma fábula, que alguns trabalhadores ainda se deixem iludir pela promessa de um oásis depois da crise?
Milan Kundera uma vez escreveu que a luta dos povos é a luta contra o esquecimento. Não nos esqueçamos agora da fábula que já tiveram que aprender os nossos pais e avós:
"A raposa dizia às galinhas: -- Basta de conflitualidade! Os tempos são difíceis e o reino animal passa fome! Enquanto as nossas espécies não conseguirem um entendimento, teremos ambas o mesmo destino! Por isso, irmãs galinhas, busquemos um acordo, saiam do vosso galinheiro e apertemos as mãos, em nome da superação da crise que vive a nossa floresta -- As galinhas, convenceram-se que os tempos tinham mudado e efectivamente, a crise era comum a todas as criaturas da floresta. Então, saíram sorridentes do galinheiro, dispostas a um entendimento. E foram fazê-lo dentro da barriga da raposa."

António dos Santos

Hugo disse...

Já não estamos nos anos 60 ou 70; passámos o ano 2000.

Já vi sindicalistas a defenderem o seu sindicato e os seus colegas de forma férrea durante vários anos de existência de uma empresa. Na hora de ela fechar e querendo antes defender os interesses dos trabalhadores em vez de partir para uma luta de protagonismo e espectáculo televisivo sem fim. Consequentemente foi caluniado pelos seus colegas do sindicato, que não faziam parte da empresa alegando que ele havia cedido de forma corrupta.

Os sindicatos têm um papel importante mas não o cumprem. Parecem mais preocupados com o protagonismo do que que com a defesa dos verdadeiros interesses da generalidade dos trabalhadores e continuam a gritar as mesmas palavras de ordem dos anos 60/70 quando a realidade é diferente, os patrões são diferentes, os trabalhadores também são diferentes e em muitas empresas até são difíceis de os distinguir uns dos outros de tal forma estão no mesmo barco.

É por isso é que as comissões de trabalhadores começam a surgir no espaço vazio deixado pelos sindicatos e são vistos pelos sindicatos e por quem os controla como uma ameaça.

Pedro Bala disse...

"os patrões são diferentes, os trabalhadores também são diferentes"

Parece-me que isto diz tudo do que pensa esta gente que defende o "novo sindicalismo". Os patrões são diferentes? Então? Já não exploram? Já não são eles que detêm os meios de produção? Já não acumulam a mais-valia produzida pelos operários? Já não usam a chantagem dos despedimentos para aumentar a exploração? Já não usam a desculpa da crise para de forma mais desigual não partilharem os lucros quando fora da crise sempre se estiveram a borrifar para os trabalhadores?

"e em muitas empresas até são difíceis de os distinguir uns dos outros de tal forma estão no mesmo barco"

O cúmulo da conciliação que roça a quase traição. Então operários da Autoeuropa são difíceis de distinguir dos seus patrões? E estão no mesmo barco? Parece-me primeiro que o seu lugar na produção é um pouco diferente. Produzir e explorar são coisas diferentes. Os salários são diferentes. O esforço dispensado é diferente. Enquanto com a crise o trabalhador se calhar já não vai para o Algarve e continua individado com o apartamento, a alimentação, o carro e a escola dos putos, o patrão tem a sua vivenda paga em Lisboa e outra no Algarve, os seus mercedes, as suas férias na Polinésia, os putos num colégio privado. Comparar trabalhadores e patrões não é só vergonhoso. É também criminoso.

E se a Autoeuropa fechar, provavelmente os patrões terão outras empresas onde viver à custa da mais-valia. Continuarão indiferentemente com as suas vivendas, os seus mercedes, as suas férias e os putos num colégio privado.

Basta de mandar areia para os olhos dos trabalhadores. Este "novo sindicalismo" não é novo. Sempre houve "sindicalismo" amarelo. A UGT existe há mais de 30 anos e sempre defendeu a conciliação entre trabalhadores e patrões.

Anónimo disse...

Como mera mortal que sou, surpreendo-me a pensar num futuro mais longinquo do que o fim da crise. Isto ao mesmo tempo que recordo histórias contadas pelos meus pais. Ouvi, vezes sem conta, os meus pais contarem como trabalhavam de sol a sol, sem condições, sem poderem falar... Isto leva-me a pensar o que irei eu contar á minha filha. Será: Ainda me lembro da altura em que trabalhava um sábado quando queria e recebia a 200%?!?! Ou será: ainda me lembro de como cada um trabalhava em equipa sem pensarem em lixar o colega ao lado?!?!?
Vejo, com muita pena, os trabalhadores serem julgados e punidos pela opinião pública. Essa máquina poderosa que dança ao sabor da musica dos "poderosos" e que movimenta montanhas. Ninguém mais se lembra ou fala do flextime? De quando os trabalhadores da Autoeuropa trabalhavam mais duas horas por noite para acumular um dia de paragem, sem verem a familia, dia-a-dia cada vez mais extenuados e sempre a darem um pouco mais de si...
Custa ver que a crise serve de desculpa a muita coisa... só não consigo ver crise na autoeuropa. Mas consigo ver os quase 500 carros que saiem diariamente daquela fábrica...
Consigo ver as linhas cada vez mais rápidas e com falta de pessoal...
Consigo ver os trabalhadores a esforçarem-se ao máximo, apesar das dores das tendinites em diversos sitios, para que um novo objectivo de produção seja alcançado...
Agora digam-me, perante este cenário, será justo pedir-lhes que trabalhem mais um dia, obrigados a deixar as familias, obrigados a deixar o descanso necessário para enfrentar mais uma semana de trabalho??
Se ele votaram NÃO, algumas razões tiveram para isso... não acredito em birras quando as dores no corpo e a falta de dinheiro na carteira estão sempre presentes|