segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

José Saramago, o amigo dos media colombianos

El Espectador, um dos principais jornais colombianos, acaba de publicar uma entrevista com José Saramago. Mas não sobre a sua obra literária. A publicação quis saber a visão política do escritor português sobre o conflito colombiano e o autor do 'Ensaio sobre a cegueira' não desiludiu. Ou melhor, não os desiludiu. Porque, na verdade, há anos que Saramago se presta a este jogo sujo. Desde que, pela primeira vez, catalogou as FARC como uma organização de bandidos narcotraficantes, passou a entrar no grupo dos intelectuais queridos da comunicação social colombiana.

Talvez não saiba mas por estes dias há um novo escândalo que assola a Colômbia. Depois de várias denúncias de escutas e seguimentos sobre políticos, juízes e jornalistas, a Procuradoria-Geral decidiu enviar funcionários para que vasculhassem as sedes dos serviços secretos (DAS). Várias figuras da política daquele país indicam que o principal culpado é Alvaro Uribe, o Presidente da Colômbia. Ontem, o subdirector pediu a demissão e o caso ameaça provocar um terramoto político.

Portanto, a entrevista a um intelectual que é mundialmente conhecido e que repudia as FARC cai que nem ginjas. Para além de dizer que são "terroristas" e não guerrilheiros, José Saramago compara-os com os "exércitos medievais" que promoviam a política da "terra queimada". Contudo, o que mais choca no escritor português é a ausência de qualquer crítica ao Estado colombiano. Em momento algum da entrevista, denuncia os assassinatos de militantes comunistas, de sindicalistas ou de familiares de guerrilheiros. Não refere uma única vez que as prisões colombianas estão cheias de combatentes das FARC. E quando lhe perguntam qual a solução para a paz, responde que é a rejeição frontal de toda a violência "sem distinções jesuíticas de violência revolucionária ou de repressão capitalista".

2 comentários:

filipe disse...

Simplesmente lamentável, sobretudo vindo de quem escreveu "Levantado do Chão". Desejemos as melhoras políticas ao nosso Nobel e, não obstante este facto triste, vamos para diante.
Saudações fraternas.

Pedro disse...

Não me parece que dali venham quaisquer melhoras políticas.

Abraço