domingo, 13 de abril de 2008

Não há circo sem palhaço


Afinal de contas, não pode haver circo sem um palhaço. E assim foi. No dia 20 de Março, o circo foi a Roma com muitas surpresas. Entre elas, um milagre que devolveu a vida às pernas de um paraplégico. Mas não um paraplégico qualquer. Um paraplégico que que assassinou centenas de pessoas. Em Cuba.

Um circo preparado pelo Comité de Defesa da Revolução [cubana] de Roma. Importa ler um pouco da vida do nosso protagonista para compreendermos a importância da iniciativa desta organização contra a apresentação de Armando Valladares na capital italiana.

Armando Valladares foi polícia da ditadura de Fulgencio Baptista. Depois da revolução cubana, em 1959, protagoniza uma campanha de atentados contra o país. As vitimas foram numerosas e a maior parte era constituida por civis. No dia 4 de Março de 1960, faz explodir o navio belga 'La Coubre' e em resultado da acção terrorista morrem 101 pessoas. Nesse mesmo ano, Valladares é preso enquanto preparava um novo atentado. O tribunal condena-o a 30 anos de prisão.

Nos anos 80, com Reagan na presidência dos Estados Unidos, será utilizado para tentar descredibilizar a revolução cubana e inventa um passado de poeta. Armando Valladares finge-se paraplégico e lança-se uma campanha mundial pela sua libertação. As autoridades cubanas não cedem.

Depois da sua libertação, não há qualquer poesia recente que se lhe reconheça. A última produção literária data de há 20 anos e trata-se de um livro de memórias que foi reeditado pela editora italiana Spirale.

Actualmente, é um gestor de sucesso numa empresa imobiliária com sede em Miami e que tem desenvolvido uma profunda especulação através deste negócio no norte do Estado espanhol. Com a subvenção pública da União Europeia de 60 milhões de euros.

1 comentário:

Francisco disse...

ahahah! video absolutamente genial! :)

(é em referência ao assassino valladares que muitas vezes se diz "o governo cubano devia ser mais aberto e dialogar com a oposição". esse "eminente exilado político"! que ser monstruoso...)