quinta-feira, 9 de abril de 2009

O desafio da Moldávia

As tensões no Leste da Europa prosseguem. Para o alargamento da NATO naquela zona do globo, há que fomentar governos pró-Estados Unidos e pró-União Europeia. Mas quando os povos votam, segundo as regras da democracia burguesa, em forças políticas que contradizem a necessidade político-militar do imperialismo de ali intervir, acontece o inesperado. Ou o esperado. Geram-se protestos arquitectados a partir do Pentágono e de Bruxelas com o apoio de toda a máquina de propaganda dos media dominantes. É o que está a acontecer na Moldávia.

Dias antes do Partido Comunista da Moldávia (PCM) conquistar a vitória nas urnas de voto, a comunicação social portuguesa referia a situação política de um país cujo nome raramente ouvimos nos telejornais. Dizia-se então que havia uma forte possibilidade de viragem naquele país. Havia uma forte coligação pró-União Europeia com capacidade de derrotar as forças pró-russas.

Isso não aconteceu. O PCM venceu as eleições. A oposição reclamou fraude e milhares de pessoas invadiram o parlamento. No meio da destruição e do caos, saíam, a plenos pulmões, vivas à Roménia. Vários manifestantes levantavam bandeiras do país vizinho. Pouco depois, os governos da Moldávia e da Rússia acusavam a Roménia de ingerência nos assuntos internos de Chisinau.

A ser verdade, seria a repetição de um filme já vivido em muitos outros países. As "revoluções" made in USA resultaram na Ucrânia e na Geórgia. Na Bielorrússia, onde a classe trabalhadora soube manter várias características e direitos conquistados na União Soviética, a jogada imperialista foi derrotada. Contudo, a Moldávia situa-se, geograficamente, numa situação complexa. Encurralada entre a Ucrânia, a Leste, e a Roménia, a Oeste, adivinham-se tempos difíceis.

4 comentários:

LGF Lizard disse...

Para quem não conhece a situação na Moldávia, o teu relato pareceria correcto. mas se pesquisarmos um bocadinho, facilmente descobriremos que o PCM é eleito pela 3ª vez, e que mantêm um postura pró-UE, ao mesmo tempo que tenta manter boas relações com a Rússia. Logo aí, a tal "teoria das revoluções coloridas made by CIA/UE" cai pela base. Isto nem entrar em linha de conta que existe uma região da Moldávia que pretende ser parte da Rússia, coisa que nem os comunistas moldavos aceitam. Sinceramente, a ladaínha das "revoluções coloridas" faz os comunistas parecerem uns bebés-chorões.

Pedro Bala disse...

Naturalmente, como deves ter reparado não fiz qualquer análise política sobre o PCM. É certo que não mantém uma postura muito defensiva em relação à UE mas a sua postura não é a ideal, do ponto de vista dos "europeístas". A teoria não cai pela base, como dizes tu, porque a UE e os Estados Unidos necessitam de um governo que lhes dê segurança e em quem possam confiar.

Quanto à posição dos comunistas moldavos sobre a região da Moldávia que supostamente quer a integração na Rússia, parece-me correcta. É que para nós, comunistas, ser pró-russo não significa ser mais ou menos revolucionário. As alianças estratégicas com a Rússia só fazem sentido em determinados contextos. E a integração, naquele território, não faz qualquer sentido.

Vocês é que parecem uns bebés-chorões de cada vez que os povos decidem votar em opções que vocês não aceitam. É a vossa democracia.

ComRevDe disse...

Só é democracia quando são eles a ganhar. Quando os povos se cansam de todas as ilusões burguesas e votam em quem realmente defende os seus interesses, lá vêm eles com a ladaínha do costume. O importante é continuar a luta, porque muitas derrotas ainda virão até à vitória que ponha fim à besta capitalista e inaugure uma era socialista em direcção ao comunismo.

Bom post camarada!

Andre disse...

Do primeiro comentário tenho que dizer que não está correcto, no seu todo. "Revoluções coloridas" como lhe chamam não é bem assim, não acuso ninguém, mas como nós costumamos dizer "onde há fumo, há fogo". A região que se fala para quem conhece um bocadinho da história pós revolução de 1917, também deixa algo a desejar. De momento não tenho muito tempo, mas ainda esta semana procurarei escrever um comentário a explicar estas discordâncias com o autor do primeiro comentário, não é que tenhalacunas no conhecimento da àrea, mas estou com defice de tempo livre.

"Até amanhã, camaradas"