terça-feira, 21 de julho de 2009

Povo hondurenho ultrapassa Manuel Zelaya

Durante semanas, reunião aqui e reunião ali. Todos os dias circulavam rumores de que Manuel Zelaya chegaria no dia seguinte às Honduras. "É amanhã", diziam. E enquanto os representantes do imperialismo norte-americano procuravam ganhar tempo para legitimar o golpista Roberto Micheletti, o presidente Zelaya deixava-se enredar em todo o ambiente diplomático que se lhe proporcionava. De forma vacilante, aceitou todos os pontos apresentados por Oscar Arias, presidente da Costa Rica. Entre eles o de um governo de reconciliação nacional em que havia lugar para os governantes legítimos e para os governantes golpistas e o de desistir de abrir uma quarta urna para escutar o povo hondurenho sobre a possibilidade de um futuro referendo constitucional. Digamos que, no fundo, Manuel Zelaya aceitou o que o imperialismo queria. E só não foi aceite porque a oligarquia hondurenha tem mais olhos que barriga e não aceita o regresso do legítimo presidente do seu país.

Nas ruas e avenidas de Tegucigalpa, apesar da gincana de Manuel Zelaya, o povo manifesta-se e é brutalmente reprimido. Nas Honduras, a Frente Nacional contra o Golpe de Estado recusa-se a aceitar a proposta de Oscar Arias, aprovada por Zelaya, e emitiu um comunicado em que diz só aceitar um dos pontos: o do regresso imediato de Manuel Zelaya à presidência. De resto, não só se mostra frontalmente contra como reforça o desejo de uma Assembleia Nacional Constuinte. É o povo quem está na dianteira da luta e quem assume a posição mais progressista e consequente.

Finalmente, Manuel Zelaya, provavelmente forçado pelos acontecimentos, apelou à rebelião e anunciou que vai entrar nas próximas horas nas Honduras. A partir de um bunker, algures perto de Tegucigalpa, vai dirigir com a Frente Nacional contra o Golpe de Estado a ofensiva para derrotar os usurpadores. Esperemos que desta vez a informação seja correcta e que dentro de poucas semanas os golpistas estejam não num governo de reconciliação nacional mas sim na prisão. E, acima de tudo, esperemos que a resposta popular sirva para empurrar as Honduras rumo a um sistema político e económico que tenha a classe trabalhadora como protagonista.

5 comentários:

Luís Rocha disse...

A questão é esta: as Honduras estão transformadas num país como a Colômbia.

1 - A luta legal por eleições livres é totalmente inexistente. As instituições republicanas (justiça, parlamento, governo) estão dominadas por uma Ditadura.

2 - O exército já demonstrou que não sairá da órbita dos golpistas e os militares não golpistas mostram-se totalmente minoritário e impotentes.

3 - As greves gerais mostram-se ineficazes como na Colômbia porque os sindicalistas são assassinados e os trabalhadores são ameaçados constantemente.

Conclusão: a luta armada é a única alternativa possível (goste-se ou não). O mal agora já está feito, e os países governados pela esquerda tem que estar mais alerta do que nunca.

Felizmente existe o Partido da Unificação Democrática que já tem experiência em fazê-la (a luta armada). Mas isto é sempre uma situação muitíssimo trágica.

Um Abraço,
Luís Rocha

josé machado disse...

Concordo e a história assim o comprova.

Os vários países pogressistas da América Latina, inclusive os países membros da ALBA, estão numa situação delicada, pois não agir poderá representar uma substimação profunda e pôr em causa todo o processo revolucionário dos vários cantos da América Latina e, agir militarmente é dar razões ao imperalismo já impaciênte para avançar.
Visto que nas mãos da OEA é a mesma coisa que não fazer nada, tendo em conta as suas diversas ramificações imperialistas, resta ao povo hondurenho reagir progressivamente, tal como tem feito até aqui, mas agora com poder bélico.

Espero que quando Zelaya restabelecer o poder, se avance com o referendo para a Assembleia Constituinte e assim dar voz ao povo com uma nova constituição.

Emanuel Gandaio disse...

Chegou a HORA: mais uma vez o povo é a vanguarda da luta, já nada importa não há volta a dar ficará na História que o povo hondurenho se libertou não o Mel.

Anónimo disse...

M.Zelaya,sempre foi e é, um social-democrata,representante dos interesses da média e média alta, burguesia nacional hondurenha que até aqui tinha estado arredada dos grandes centros de decisão governamental e tem sido colocada numa posição de subalternização,em face dos interesses da grande burguesia oligarquica hondurenha aliada e lacaia do imperialismo yanque.
São as razões contraditórias,entre estas duas classes em torno do projecto "ALBA",defendido por Zelaya e a classe burguesa que o sustenta, contra os interesses imperialistas dos EUA na região,como contra os interesses das classes oligárquicas finançeiras internas,que está a razão fundamental do golpe fascista.
O "referendo"constitucional,apesar de se tratar de uma proposta com alguns conteúdos progressistas,ela não põe em causa os interesses exploratórios da burguesia hondurenha sobre o proletariado e o povo hondurenho;Ou seja,o "referendo",foi apenas o protesto necessário,para os militares fascistas,(cães de guarda) intervirem e garantirem assim os interesses "ameaçados" do imperialismo EUA e da sua própria burguesia oligárquica.
Quem criou ilusões acerca de um comportamento politico de "esquerda" e representativo dos interesses populares,não foi Zelaya,mas sim os sectores da pequena burguesia reformista e revisionista,que perante as suas inconsequências de classe, estão sempre dispostas a apoiar e a agarrar qualquer "tábua de salvação",para se acercarem do poder e assim defenderem os seus próprios interesses.
M.Zelaya,em todo este processo,tem mantido e agido numa postura ziguezagueante,própria dos seus interesses de classe. Ou seja,por um lado tem necessidade de manter uma postura de oposição ao golpe fascista,para não perder os apoios populares e por outro,perante a intransigência dos fascistas, para não deitar tudo a perder,manter um corredor de dialogo aberto e prédisposto a ceder as exigências dos golpistas e assim assegurar os interesses das classes que representa.
A "Frente Nacional"de oposição ao golpe fascista,pela sua configuração organica e abrangência democrática e os interesses que representa é ela própria um centro de contradições, sem um projecto politico que satisfaça os interesses de emancipação do povo trabalhador das Honduras.
Aliás,a sua discordância em relação aos pontos apresentados que estavam a ser negociados,como tentativa para uma "reconciliação nacional" só foram postos em causa depois de se assistir ao crescendo da Resistência Popular,e ha própria intransigência dos fascistas, porque antes,não levantaram qualquer qualquer objecção ha negociação e mantiveram-se numa situação espectativa,quanto ao resultado da própria negociação,só tomando posição (e não podia ser outra coisa)depois da intransigência dos fascistas.
A situação só poderá reverter a favor das classes trabalhadoras,se a resistência popular ao golpe,continuar a arrastar cada vez mais milhares de pessoas para a rua e que desta corrente possa emergir uma corrente revolucionária comunista,que prolonge esta resistência e a transforme numa guerra civil revolucionária,caso contrário continuaremos a assistir ao aprofundamento da miséria social e a uma maior exploraração sobre o proletariado handurenho.








de defender

Luís Rocha disse...

O ram ram ideologico do anónimo é um bom exercicio de retórica.

Realmente esticando e enrolando bem a argumentação podemos chegar à conclusão que Salvador Allende e Pinochet foram parte de um mesmo plano da Burguesia chilena ou que Ghandi e Hitler afinal tinham a mesma posição política e ideológica, ou então que Fidel Castro (que nasceu numa família burguesa) afinal foi o grande aliado de George Bush.

Isto é o que se pode chamar um "radicalismo de café". Ou como se diz aqui no norte "mandar uns bitaites".

Cumprimentos,
Luís Rocha